sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ações de Graça, Louvor e Adoração


Ações de Graça, Louvor e Adoração[1]

Os termos listados no título de nosso artigo são comumente confundidos como sinônimos em comunidades cristãs de modo geral. Muitas vezes, inclusive, algumas traduções bíblicas trazem estas palavras com uma tradução única. Porém, ao analisarmos biblicamente os conceitos básicos de cada termo, verificamos que existem diferenças profundas – embora sutis – entre eles. Na verdade, notamos que a Bíblia nos mostra de forma bastante clara e definida a diferença entre estes termos. Desta forma, pensamos que se faz necessária uma breve reflexão relacionada a estes conceitos bíblicos diferenciados.
Pode parecer, ao olhar mais superficial, um preciosismo intelectual; todavia, ao pensarmos que tais palavras têm relação direta com nossa atitude para com Deus, devemos refletir sobre suas nuances e verdadeiros significados. Nada melhor para nos guiar nesta reflexão do que a própria Palavra dAquele que é o foco destas ações.
I. O Significado e Propósito de Ações de Graça
Ações de graça nada mais são do que a expressão da gratidão que temos para com Deus por todas as Suas realizações em nossa vida, passadas, presentes ou mesmo futuras.
Portanto, Ações de graça, são expressões gerais de gratidão (Salmo 13:6); gratidão pela condução segura de nossas vidas pelo Senhor (Salmo 95:2); e reconhecimento de que a providência divina é onisciente e simplesmente executa o melhor em favor de Seus filhos (I Tessalonicenses 5:18).
Deste modo, oferecer "ações de graça" (ou agradecer, do grego eucharisteo) a Deus é apropriar-se de Suas bênçãos em nossa vida. É uma atitude que parte do reconhecimento de que tudo o que acontece na vida do crente, bom ou supostamente ruim, passa antes pelo crivo onisciente do Criador e Mantenedor do mundo.
Sendo assim, devemos sempre dar graças (I Tessalonicenses 5:16-19)!. Esta é a vontade de Deus para nós, que vivemos neste mundo em um contexto de pecado e morte. Vemos abaixo alguns exemplos de situações nas quais deveríamos dar graças a Deus e oferecer a Ele ações de graça:
• Jesus veio para destruir as obras do mal, o que significa que o mal está entre nós, faz parte de nós, desde o pecado: "O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente" (João 10:10. NVI); As obras do mal são: matar, roubar e destruir. As obras do bem são provenientes da ação do Espírito na vida dos que aceitam a verdade (Filipenses 2:13);
• O próprio Cristo enfrentou o pecado e suas conseqüências. A vida neste mundo não é uma promessa de "mar de rosas", mas sim de peregrinação em nome de Jesus. (I Pedro 2:23-25) Devemos dar graças pela salvação em Cristo (I Pedro 4:13);
• Dar graças, mesmo em meio às enfermidades (Jó 2: 8-10);
• Graças pelas respostas de Deus aos ataques de Satanás (Lucas 6:22-23);
• Graças pelo fato de podermos ser chamados filhos de Deus, corpo de Cristo (Colossenses 3:15), participantes das promessas de Deus (Efésios 3:6; II Pedro 1:4);
• Podemos dar Graças pela palavra de Deus, revelada na Bíblia, no espírito de profecia e no próprio Senhor Jesus.
Ações de graça são exercícios de nossa fé e nos preparam para os milagres divinos. Uma atitude grata a Deus é parte do fruto do Espírito e, portanto, sinal da presença desta Pessoa da Trindade na vida do crente: "dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (Efésios 5:20. NVI).
Agradecer a Deus, oferecendo-lhe ações de graça, é a representação de que o cristão entendeu a vontade de Deus para a sua vida e está em contato direto com o Espírito Santo de Deus. Se o coração do crente foi preenchido com a verdade bíblica, sua boca facilmente irá proferir palavras gratas a Deus (Mateus 12:34).
Devemos permitir que Deus, através de Seu Espírito, prepare o nosso coração para as coisas espirituais e agradecer quando isso acontecer. Devemos entrar na presença do Senhor com ações de graça (Salmo 100:4-5). Suplica e gratidão devem preceder tudo o que fazemos (Filipenses 4:6-7).
Ao caminhar na leitura destes textos bíblicos, podemos perceber que um espírito grato a Deus é condição para o exercício da fé. É impossível obter as bênçãos de Deus sem crer nEle (Hebreus 11:6). É impossível a felicidade cristã, sem aceitar que Ele é o provedor de tudo (Hebreus 1:3). É impossível oferecer a Ele os créditos de nossa felicidade, se não adotamos uma postura de sinceridade e gratidão. Ações de graça fortalecem a fé, na medida em que representam o reconhecimento da onipotência e onisciência de Deus pelo homem caído.
Quando começamos a ser gratos, enumerar o que Deus tem feito, não demora muito para que o nosso coração se encha de alegria pela infinitude de possibilidades existentes nos planos divinos para a vida daquele que crê. Dar testemunho do que Deus tem feito irrita Satanás. Paulo fez isso e, ao reconhecer sua pecaminosidade e a grandiosidade divina, foi perseguido por motivo de sua fé.
As orações de Paulo começavam com ações de graça e reconhecimento da grandeza divina:
• Romanos 1:8 (NVI) - "dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo";
• Efésios 1:16 (NVI) - não deixo de dar graças por vocês, mencionando-os em minhas orações" ;
• Filipenses 1:3 (NVI) - "Agradeço a meu Deus toda vez que me lembro de vocês";
• I Tessalonicenses 1:2 (NVI) - "Sempre damos graças a Deus por todos vocês, mencionando-os em nossas orações";
• II Timóteo 1:3 (NVI) - "Dou graças a Deus, a quem sirvo com a consciência limpa, como o serviram os meus antepassados, ao lembrar-me constantemente de você, noite e dia, em minhas orações".
Gratidão para com os feitos do Senhor em nossa vida está intimamente ligado com uma postura diária de contrição e oração. Paulo era grato para com Deus e orava sem cessar.
Um exemplo sobremodo importante de um homem que demonstrou atitude de gratidão a Deus por Seus feitos grandiosos foi Seu Filho, Cristo Jesus:
João 6:11 (NVI) - "Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam; e fez o mesmo com os peixes".
Justamente por possuir a missão da salvação do mundo em Seus ombros, Jesus precisava da presença constante do Pai do Céu. Em cada ato de Seu ministério na terra, Jesus manteve contato com Deus. Neste milagre de bênção e multiplicação (uma metáfora da benção e multiplicação que Ele empreende em nossas vidas mortificadas pelo pecado), Jesus agradece a Deus pela abundancia de pão, que viria logo a seguir.
Além deste relato, ainda podemos constatar a postura de constante gratidão de nosso Senhor Jesus Cristo nos seguintes textos: Mateus 15:36; 26:27;Marcos 8:6-7 6; 14:23; Lucas 9:16; 22:17, 19; 24:30.
É interessante notar que, no grande milagre da ressurreição de Lázaro, Cristo não pede pelo milagre em si, mas a Sua oração é simplesmente uma expressão de confiança e gratidão no amor, cuidado e direção do Pai: "Pai, eu te agradeço porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves, mas disse isso por causa do povo que está aqui, para que creia que tu me enviaste." (João 11:41-42 (NVI))
Uma postura grata, portanto, reconhece que Deus está no controle e é o primeiro passo para que Seu poder possa ser exaltado e glorificado. É o primeiro passo para uma atitude de louvor, como veremos a seguir.
II. O Significado e o Propósito do "Louvor".
Louvor, em seu significado primário, não se refere diretamente ao louvor a Deus.
O dicionário Aurélio lista os seguintes significados para o termo: 1.V. louvação. 2.Elogio, gabo, encômio. 3.Glorificação, exaltação.
O conhecido dicionário online Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx) fornece a seguinte definição: s. m., ato de louvar; elogio; apologia; glorificação.
Vemos assim que, o louvor é, simplesmente, o ato de maior elogio ou elevação que se pode fazer. E, evidentemente, um elogio pode ser aplicado a coisas e pessoas que tenham méritos para isso.
Porém, o que nos interessa aqui é o louvor a Deus. Afinal, se podemos elogiar a coisas e pessoas, quanto mais ao grande Deus que criou todas as coisas e pessoas! Assim, o louvor dirigido a Deus é o significado que estaremos analisando a seguir.
Tendo feito este destaque, entendemos o significado do louvor como sendo:
• Feitos de Deus reconhecidos pela voz e atitudes humanas;
• Atitude de exaltação e glorificação de Deus pelo homem;
• Elogio extremo a Deus, oferecido pelo ser humano caído e, portanto, imperfeito.
Destacamos ainda as seguintes características do verdadeiro louvor a Deus:
• É fruto do Espírito Santo (Hebreus 13:15; Filipenses 2:13);
• Destaca a Sua dignidade em ser louvado (II Samuel 22:4; I Crônicas 16:25; Salmos 18:3; 48:1; 96:4; 145:3; 148; 150);
• Deve partir de um coração plenamente consciente de sua condição diante de um Deus supremo, perfeito e santo. (Salmos 138:6; 147:6; Isaías 57:15; 66:2; Miquéias 6:8; Mateus 5:3; 18:4; Efésios 4:1-2; Colossenses 3:12; I Pedro 3:8-9; 5:5);
• Toda arte, técnica e gosto humanos tem que estar absolutamente consagrados, para que possam ser apresentados diante de um Deus supremo, perfeito e santo. Não há adoração sem humildade e consagração.. (Levíticos 11:44-45; 19:2; 20:7-8, 26; Salmos 24:3-4; Romanos 12:1-2);
• O louvor, uma vez que é parte da adoração, tem que ser dirigido única e exclusivamente a Deus. (I Crônicas 16:8-11; Salmos 16:2; 98:4-6; 113; 117; 147; 148; 149;150; Colossenses 3:23-24) [2].
Os Salmos de Davi são exemplos máximos de louvor a Deus:
Em alguns de seus salmos, denominados descritivos, Davi exalta a pessoa de Deus, Seus atributos, ou seja: expressa em palavras a sua visão da Divindade. Em outros, conhecidos como "declarativos", Davi no oferece algumas características do que poderíamos definir como "Louvor Bíblico", uma vez que nestes salmos, a ênfase é no que Deus fez para Seu povo. estes salmos declaram, de forma artística e poética, a majestade e a glória de Deus.
Através destes salmos descobrimos que:
• Não pode existir um louvor verdadeiro sem um relacionamento íntimo com Deus, assim como um relacionamento com Deus não pode existir sem louvor. O louvor a Deus requer uma vida de envolvimento com Ele;
• Não há uma maneira impessoal de expressar louvor ao Todo Poderoso. O louvor sempre é pessoal – apesar e poder ser realizado coletivamente. Ninguém pode expressar o louvor de outro. Cada um tem suas próprias experiências com Deus, pelas quais deve agradecer e expressar o seu louvor;
• Louvor significa "falar bem de", "exaltar", ou "magnificar as virtudes". Nos Salmos, esses significados da palavra louvor são direcionados a Deus, principalmente levando em conta Suas obras e Seu cuidado pelo Seu povo;
• Apesar do costume musical de nossas igrejas, o louvor não precisa necessariamente ser audível, pode surgir de um coração contrito pela grandiosidade de Deus e, portanto, manifestar-se em silêncio, na particularidade do agente do louvor;
• Louvor também acontece quando nós falamos para alguém sobre a bondade de Deus. Portanto, o testemunho é uma forma de louvor.
A melhor forma de entendermos, de forma mais abrangente e completa, o que significa louvar é, examinarmos as palavras traduzidas como "louvor" no Velho Testamento e, particularmente, no livro de Salmos.
Nos Salmos encontramos todas as expressões que um homem pode sentir em relação a Deus: Alegria, gratidão, confiança, tristeza, desânimo, regozijo, alívio, conforto, livramento, etc. Sendo o louvor uma expressão de vários desses sentimentos (especialmente os positivos), esta coleção poética torna-se, portanto, uma das bases para a teologia do louvor bíblico.
O livro de Salmos é um livro de música. A palavra hebraica para Salmos é tehilim, um termo usado em contextos musicais. Desta forma, assim como Davi, podemos expressar nosso reconhecimento da grandiosidade de Deus e de seus atributos, através de cânticos, mesmo que isso não seja obrigatório.
O Louvor Bíblico:[3]
1. Halal ("louve ao Senhor"; "Louve Yaehovah"; glorificar):
Salmo 22:23 (NVI) – "Louvem-no, vocês que temem o Senhor! Glorifiquem-no, todos vocês, descendentes de Jacó! Tremam diante dele, todos vocês, descendentes de Israel!".
A palavra denota a exaltação pelo homem da pessoa do Senhor (Yaehovah). Neste sentido, ao fazer uso da expressão halal, o salmista tem a intenção de glorificar o Senhor, trazendo à tona a Sua magnitude. Halal significa, portanto, "vangloriar", "glorificar", "exaltar", "fazer brilhar".
A essência da expressão halal, portanto, é a exaltação do Senhor, permitindo-Lhe usar o ser humano que O louva como um instrumento de glorificação do Seu nome. Ao louvar a Deus com esta expressão, o pecador revela que adora a gigantesca Luz do mundo.
Esta palavra também é usada em II Crônicas 20:19 (NVI): "Então os levitas descendentes dos coatitas e dos coreítas levantaram-se e louvaram o SENHOR, o Deus de Israel, em alta voz".
O contexto deste texto descreve a batalha do povo de Deus contra a aliança dos moabitas e amonitas. Nesta batalha, liderada por Jeosafá, Deus prometeu a vitória. Jeosafá enviou então um coro de levitas, conforme descrito no texto, para exaltar ao Senhor por esta vitória, antes mesmo da batalha começar! Nem é preciso dizer o efeito que a exaltação da Luz de Israel fez aos inimigos! Destruição total daqueles que investiram contra os filhos do Altíssimo!
2. Yadah (atirar, lançar, jogar):
Salmo 138:1 (NVI) - "Eu te louvarei, Senhor, de todo o coração; diante dos deuses cantarei louvores a ti".
Em uma tradução mais fiel da expressão: "eu te louvarei", leríamos: "Eu te lançarei agradecimentos e grandes elogios". A expressão yadah, portanto, tem um sentido de atirar, jogar, lançar publicamente a Deus palavras de reconhecimento, ou seja: louvá-lO, com grande vigor e ênfase.
Esta palavra expressa o verdadeiro significado de louvor. Isto é: lançar, em testemunho público (diante dos seres humanos e de quaisquer outros deuses), agradecimentos e louvores ao Altíssimo.[4]
Para que o homem caído consiga lançar elogios extremos ao Senhor, é necessário que ele reconheça a grandeza de seu Deus, Seus atributos e realizações. A expressão yadah, portanto, é utilizada por um crente conhecedor das características divinas e que, por isso, é capaz de elogiar enfaticamente a beleza do Deus em que crê.
3. Barak (bendizer):
Salmo 103:1-2 (NVI) - "Bendiga o Senhor a minha alma! Bendiga o Senhor todo o meu ser! Bendiga o Senhor a minha alma! Não esqueça nenhuma de suas bênçãos!"
Bendizemos ao Senhor quando não nos esquecemos dEle, e quando não nos esquecemos de Suas bênçãos. O Salmo 103 enumera para nós incontáveis bênçãos do Senhor (por sua magnitude): amor, satisfação, redenção, honra, renovação. Nós bendizemos ao Senhor, lembrando de todas essas coisas.
Buscando o significado etimológico da palavra "bendizer" no idioma português, vemos que ela vem da junção das palavras "bem" e "dizer", ou seja, "falar bem". Portanto, vemos mais uma vez o sentido de "elogio", "glorificação".
Existe um sentido de ajoelhar-se e bendizer ao Senhor, em um ato de adoração, na palavra barak. Outro significado da palavra barak é, justamente, ajoelhar-se e adorar. Ao utilizar a expressão barak, o salmista mais do que lembra das maravilhas realizadas pelo Senhor, mas se coloca em uma atitude de humilhação perante Ele.
É este o louvor mais próximo da profundidade exigida na adoração: humilhação do pecador e reconhecimento da grandiosidade do Senhor Deus do universo.
4. Zamar: (cantar louvores; fazer música):
Este é um dos verbos musicais de louvor usado em Salmos. Ele traz a idéia de fazer música de louvor para Deus como no Salmo 92:1 (NVI): "Como é bom render graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo".
A música tem o poder de transmitir sentimentos e conceitos profundos, de forma mais eficiente e duradoura. Assim, é perfeitamente apropriada para e expressão do louvor a Deus.
Mesmo que a música tenha sido uma expressão de louvor abundante na história do povo de Deus do Velho Testamento, como percebemos até aqui, ela não é a única forma de expressar louvores e, sim, apenas mais um elemento que pode ser utilizado pelo pecador no momento em que se dirige ao Altíssimo.
5. Shabach (suave, quase sem som, forte, com honra e respeito):
Salmo 117:1 (NVI) - "Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, louvai-o (shabach) todos os povos".
Salmo 63:3 (NVI) - "O teu amor é melhor do que a vida! Por isso os meus lábios te exaltarão (shabach)".
Salmo 65:7 – "Tu que acalmas (shabach) o bramido dos mares, o bramido de suas ondas, e o tumulto das nações"
A exaltação sonora destes salmos é quase silenciosa, suave e, ao mesmo tempo, firme e reverente. O conceito de força, apresentado na definição acima, refere-se à intensidade do sentimento ou conceito que está sendo expresso.
A expressão shabach representa, portanto, um louvor suave, sem contudo desmerecer a força e grandiosidade das obras divinas. Deste modo, louvar não é apenas uma expressão musical potente elevada a Deus, mas também respeito e suavidade, reverência e silêncio, firmeza e reconhecimento da grandiosidade de Deus e pequeneza do homem caído.
6. Towdah (confissão, ação de graças, sacrifício):
Salmo 50:23 (NVI) – "Quem me oferece sua gratidão como sacrifício (towdah), honra-me, e eu mostrarei a salvação de Deus ao que anda nos meus caminhos".
A expressão towdah está relacionada com a palavra yadah. Em algumas versões da Bíblia também é ser traduzido como "ação de graça". É usada no livro de Salmos como uma expressão que reconhece as bênçãos divinas que ainda não aconteceram, mas que certamente acontecerão.
A palavra de louvor towdah tem a conotação de gratidão a Deus por bênçãos que acontecerão no futuro. Quem espera, portanto, coloca-se em atitude de sacrifício vivo ao Senhor.
Esta palavra está especialmente relacionada ao sistema sacrifical levítico. Ela denota o louvor e gratidão ao Deus amoroso que proveu um plano para a salvação do homem caído, fornecendo um escape para os nossos pecados. O judeu, ao expressar este tipo de louvor, colocava confiantemente todas as suas esperanças de salvação na morte futura do "Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo", para o qual o sistema sacrifical apontava.
Embora para nós o evento da morte de Cristo na cruz já esteja no passado, esta palavra nos relembra que a maioria dos seres humanos louva ou agradece a Deus baseada em fatos consolidados, no que já aconteceu. O sacrifício de louvor, expresso na palavra towdah, é uma declaração forte de quem se coloca nas mãos do Altíssimo independentemente das circunstâncias. A expressão towdah denota uma atitude de fé e confiança no Senhor.
O Salmo 50:23 é finalizado com uma promessa: aquele que oferece a sua vida em sacrifício de louvor ao Senhor e o louva sem ver a bênção (que ainda não aconteceu), receberá a vida eterna.
7. Tëhillah (canção ou hino de louvor, louvor público, louvor que reconhece os atributos de Deus):
Salmo 22:3 (NVI) - "Tu, porém, és o Santo, és rei, és o louvor (tëhillah) de Israel".
Tëhillah é uma das expressões de louvor que mais me emocionam na Palavra do Senhor. Nesta tradução da Nova Versão Internacional, Deus encerra nEle mesmo o louvor de Seu povo. Ele É o louvor, ao invés de ser mero receptor dos elogios humanos.
Se tomarmos em consideração que a expressão tëhillah significa "hino de louvor", poderíamos ler o salmo da seguinte maneira: "Tu, Senhor, é o cântico de Israel". A beleza desta constatação deveria transformar o coração do crente! O Altíssimo é o nosso cântico, nossa música, nosso louvor.
Através da expressão tëhillah, Deus Se manifesta como um cântico exuberante:
II Crônicas 20:22 (NVI) – "Quando começaram a cantar e a entoar louvores (tëhillah), o SENHOR preparou emboscadas contra os homens de Amom, de Moabe e dos montes de Seir, que estavam invadindo Judá, e eles foram derrotados".
Israel começou a cantar e louvar, Deus preparou emboscadas para o inimigo. Quando Deus se manifesta musicalmente, derruba as fronteiras do inimigo. Quão sério é este assunto no contexto musical atual!
Tëhillah é um tipo especial de cântico! É quando Deus se torna o próprio louvor de Seu povo, o próprio cântico de Israel.
Outros versos bíblicos em que tëhillah aparece:
Salmo 34:1 (NVI) – "Bendirei o Senhor o tempo todo! Os meus lábios sempre o louvarão (tëhillah)".
Salmo 40:3 (NVI) – "Pôs um novo cântico na minha boca, um hino de louvor (tëhillah) ao nosso Deus. Muitos verão isso e temerão, e confiarão no Senhor".
Aqui, o próprio Deus é colocado na boca do crente, como a brasa viva, de Isaías 6. O pecador é transformado pelo Altíssimo e O exalta de forma bela e extraordinária, a ponto de ser percebido por muitos!
Salmo 66:2 (NVI) – "Cantem louvores (zamar) ao seu glorioso nome; louvem-no (tëhilla) gloriosamente!".
8. Ruwa`: (falar alto, proclamar, erguer a voz).
Salmo 95:1 (NVI) – "Venham! Cantemos (ruwa`) ao Senhor com alegria! Aclamemos a Rocha da nossa salvação".
Os crentes do Velho Testamento não tinham problemas em ficar realmente alegres por motivo de seu relacionamento com Deus, demonstrando sua alegria em voz alta, de forma audível, com expressões de gozo e júbilo.
Evidentemente, uma vez que se dirigiam a Deus, essas expressões eram sempre reverentes, nunca comparáveis ou passíveis de ser confundidas com a alegria mundana e profana, ou seja, a expressão da alegria não afastava o solene senso da presença de Deus. Pelo contrário, a alegria era exatamente causada por esta compreensão.
Salmo 100:1 (NVI) – "Aclamem (ruwa`) o Senhor todos os habitantes da terra!".
A relação com a rocha, no Salmo 95, e com a aclamação, no Salmo 100, demonstra a força expressiva de ruwa`. Não é um louvor qualquer, mas sim um louvor tão resistente quanto a rocha e tão impactante quanto a proclamação do nome de Deus por todos os habitantes da terra. Existe força massiva neste verbo de louvor.
9. Qara`: (proclamar, anunciar o nome do Senhor)
Salmo 116:17 (NVI) – "Oferecerei a ti um sacrifício de gratidão e invocarei (qara`) o nome do Senhor".
Um aspecto importante da expressão qara` é sua sonoridade. Denota, ao mesmo tempo, a proclamação audível do nome do Senhor e a Sua invocação pelo agente do louvor. Esta palavra poderia ser utilizada também em um contexto em que alguém lê trechos das Escrituras, invocando o nome do Senhor através desta leitura. Deste modo, o louvor qara`, acontece quando o crente reconhece a Deus e o proclama, para que todos fiquem sabendo quem é esse Deus.
Assim, após essa longa reflexão em torno dos textos dos salmos, percebemos que existem inúmeras expressões que são traduzidas como louvor na Palavra do Senhor. Isto deveria nos trazer a noção de que o assunto não é algo a ser banalizado em nossa comunidade religiosa. Não são os cânticos de nossa rotina cristã o mesmo que louvar a Deus. Louvar a Deus tem uma força e um significado de suma importância na Bíblia e é assim que devemos encarar o assunto.
Louvar tem uma conotação mais profunda, íntima e pessoal do que simplesmente cantar. Louvar significa reconhecer a Deus em Suas características magníficas e expressar isso de infinitas formas possíveis. Inclusive, como nos sugere a expressão shabach, louvar deveria significar que o crente entende tão bem a grandiosidade do Altíssimo, que se cala diante dEle, com respeito e submissão do eu.
Todavia, louvar não é o mesmo que adorar, como veremos a seguir.
III. O Significado e Propósito da Adoração
Diferentemente do louvor, a adoração não é um elogio exaltado, sim uma expressão de veneração, de reconhecimento de que algo ou alguém é superior e digno de receber culto.
"Adoração é uma reação ativa a Deus, pela qual declaramos a sua dignidade. A adoração não é passiva, mas sim participativa. Adoração não é simplesmente um clima; é uma reação. Adoração não é apenas uma sensação; é uma declaração." (Allen/Borror, Teologia da Adoração - pág. 16 – (ênfase no original))
Para podermos adorar verdadeiramente a Deus, portanto, é necessário que o agente da adoração conheça ao Deus, a quem o culto será prestado, de forma íntima, pois irá oferecer este Deus um culto, uma reverência extrema e única.
Seguindo este raciocínio, no contexto da adoração verdadeira (aquela oferecida de modo correto, ao único Deus verdadeiro, o Altíssimo de Israel), nossa mente deve estar voltada para os principais atributos divinos: Santidade, Bondade, Amor, Pureza, Beleza, Eternidade, Onisciência, Onipotência, Onipresença, etc.
O texto de Isaías 6:1-8 é um texto básico para a compreensão da dinâmica da adoração:
• (versos 1-4) – Visão da majestade divina (comunhão profunda);
• (verso 5) – Visão da própria finitude e pecaminosidade, e confissão dos pecados (reconhecimento da grandeza divina e da pequeneza humana);
• (versos 6-7) – Recebimento de perdão (ou render-se à divindade) e transformação interior (ação do Espírito Santo);
• (verso 8) – Consagração e disposição para o serviço (adoração ativa e frutífera).
A adoração acontece quando o homem caído se encontra com a plenitude divina, reconhecendo ser, ele mesmo, um ser pequeno, frágil e estéril. Quando isso acontece, temos os elementos essenciais para que uma adoração verdadeira se faça presente: reconhecimento da grandeza divina e da pequeneza humana.
Ao reconhecer sua pequeneza, o homem se prostra diante o Criador. Este ato não é um ritual, não obedece a regras e técnicas pré-estabelecidas. É uma conseqüência, ou resultado, deste reconhecimento. Um exemplo deste reconhecimento pode ser encontrado em Isaías 6:5; após contemplar a glória e a majestade do trono divino, a reação do profeta é: Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! (NVI)
A atitude característica da adoração se manifesta em um conjunto de ações em que o ser humano exalta a Deus através de sua própria humilhação: prostra-se, reverencia, ajoelha-se, suplica por misericórdia:
Levítico 9:24 (NVI) – "Saiu fogo da presença do SENHOR e consumiu o holocausto e as porções de gordura sobre o altar. E, quando todo o povo viu isso, gritou de alegria e prostrou-se, rosto em terra".
No contexto do Novo Testamento, encontramos um significado para a adoração que se assemelha ao que vimos até aqui. Acompanhe os textos abaixo:
Mateus 8:2 - "E eis que veio um leproso e o adorava, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo."
Mateus 9:18 - "Enquanto ainda lhes dizia essas coisas, eis que chegou um chefe da sinagoga e o adorou, dizendo: Minha filha acaba de falecer; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ela viverá."
Mateus 14:33 - "Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus."
Mateus 15:25 - "Então veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me."
Mateus 28:17 - "E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
Em todos estes versos, encontramos dois aspectos em comum, relacionados à adoração.
O primeiro diz respeito à palavra que é traduzida por "adoração", nos versos citados. A expressão em grego usada é proskyneo (ou proskuneo), que pode receber a tradução de "beijar as mãos de alguém"; "jogar beijos para alguém"; "encostar a cabeça no chão em sinal de profunda reverência"; "prostrar-se aos pés de alguém com a intenção de expressar respeito ou para fazer uma súplica" (significados muito semelhantes ao encontrado no velho testamento, em Levítico 9:24).
Esta palavra era utilizada para descrever o ato que ocorria quando alguém reconhecidamente muito superior (social ou hierarquicamente) chegava a algum lugar. A pessoa que recebia esta figura importante curvava-se até o chão com o intuito de beijar-lhe os pés, em sinal público de submissão e reconhecimento da alta autoridade da pessoa que acabara de chegar. Neste sentido, adorar (proskyneo), é uma ação humana movida pelo desejo de beijar a Deus, ou a Jesus, através de uma profunda reverência.
Uma das expressões mais belas desta interpretação da palavra "adoração" está na ação da mulher que lavou os pés de Jesus na casa de Simão (Mateus 26:6-13; Marcos 14:1-11; João 12:12-15). Em uma atitude de adoração, a mulher lava os pés de Jesus e, literalmente, os beija. Os dois passos essenciais para que aconteça a adoração verdadeira foram trilhados: ela se prostrou diante Jesus, reconheceu Sua grandiosidade e suplicou por perdão, reconhecendo também sua pequeneza em relação ao Salvador.
O segundo aspecto que relaciona os versos de Mateus, citados acima, é que todos os exemplos de adoração listados ali reconhecem a Jesus como alguém especial. Não apenas alguém que pode lhes prestar favores e resolver seus problemas imediatos, mas alguém investido de todo o poder e "autoridade nos céus e na terra" (Mateus 28:18). Assim, todos os que apareceram e adoraram a Jesus naqueles versos possuem FÉ nEle como o Salvador.
Portanto, um aspecto essencial da adoração verdadeira é a FÉ, pois "Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dEle se aproxima precisa crer que Ele existe e que recompensa aqueles que O buscam" (Hebreus 11:6, NVI). Se não temos fé em Jesus, significa que não cremos nEle como nosso Salvador e Redentor. Se não reconhecemos em Jesus tais características, não podemos adorá-lO.
Todavia, não basta a crença em Deus ou em Jesus para que a adoração verdadeira aconteça. É necessário que o crente, além de crer (possuir fé), conheça a disposição de seguir a vontade divina para a sua vida. (Mateus 19:17; João 14:15, 21; 15:10; I João 1:23; 2:4; 3:22; 5:2-3; Apocalipse 12:7; 14:12)
Este é justamente o ponto mais problemático da religião, pois o homem caído, naturalmente, não deseja adorar ao Senhor, pois não deseja servir a Ele e seguir Suas ordenanças.
Mas se não desejamos servir a Deus, pois nosso coração pecaminoso tem tendências para o erro, como iremos adorá-lO? A Bíblia tem a resposta:
"Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele." (Filipenses 2:13, NVI).
"Não podeis mudar vosso coração, não podeis por vós mesmos consagrar a Deus as vossas afeições; mas podeis escolher servi-Lo. Podeis dar-Lhe a vossa vontade; Ele então operará em vós o querer e o efetuar, segundo a Sua vontade. Desse modo toda a vossa natureza será levada sob o domínio do Espírito de Cristo." [5]
E se a nossa natureza humana pecaminosa (Jeremias 17:9) é levada sob o domínio do Espírito de Cristo, Deus operará em nós o milagre de desejarmos servi-lO, em Sua Santa vontade. E, é claro, para servir ao Senhor Deus em Sua vontade, precisamos conhecê-la. E não há outro modo de conhecer a verdade que nos libertará (João 8:32), senão através da leitura dedicada da Palavra (a Bíblia), oração e entrega do coração ao Altíssimo.
"Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos", declara o Senhor. "Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos". (Isaías 55:8 e 9, NVI).
Partindo deste raciocínio, para aqueles que desejam a salvação em Cristo Jesus, a adoração verdadeira é um imperativo, não uma opção:
"No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". (João 4:23 e 24, NVI)
A Bíblia destaca de modo enfático o modo pelo qual Deus procura ser adorado. "Em espírito e em Verdade". O texto ainda diz que o Pai está à procura de pessoas que estejam dispostas a oferecer este tipo de adoração a Ele, através de uma vida consagrada ao Espírito Santo e, portanto, guiada por Ele. E por meio de uma vida que, além de procurar a Verdade revelada, atua de acordo com ela, em sinceridade para com o que encontra.
O verdadeiro adorador é aquele que não se limita ao "mais confortável" ou "mais agradável" ou "mais de acordo com o meu gosto", porém procura incessantemente a vontade do Pai. O verdadeiro adorador, aquele guiado pelo Espírito, pergunta a si mesmo o tempo todo: "Qual a vontade do Pai?"; "Estou de acordo com a verdade?".
A adoração em Espírito e em Verdade é um imperativo, portanto, porque é esse tipo de adoração que Deus deseja. Mais do que isto: Deus procura! E se Deus está a procura de adoradores, significa que eu e você podemos ser encontrados a qualquer momento, basta que respondamos ao chamado do Altíssimo! Estamos dispostos? Entregaremos o nosso coração para a transformação necessária para a nossa salvação?
Que a nossa resposta para tais inquietações seja como a do salmista:
"Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno." – Salmo 139:23 e 24, NVI.
________________________________________
Notas:
[1] O presente artigo foi escrito tomando como base estrutural outro artigo de mesmo título, de autoria de Miguel Levy. Originalmente o artigo citado havia sido publicado em: orbita.starmedia.com/~praiser/sl_ml_estudos.htm. Mas, aparentemente, o endereço saiu do ar.
Aproveitamos esta nota para agradecer imensamente às contribuições de Levi de Paula Tavares na revisão do presente artigo. Este nosso amigo, mais uma vez, demonstrou sabedoria e guia vindas do Altíssimo.
[2] Alguns itens destas definições acerca do louvor (assim como algumas reflexões posteriores, localizadas na seção do presente artigo relacionada à adoração) foram retirados do texto "Adoração – O Presente do Homem para Deus", de Levi de Paula Tavares, disponível em: http://www.musicaeadoracao.com.br/palestras/presente_deus_arquivos/frame.htm.
[3] As traduções bíblicas apresentadas em todo este artigo foram retiradas da concordância apresentada pelo site http://blueletterbible.org/index.html (em inglês, com tradução livre do autor deste artigo).
[4] Para alguns leitores e denominações religiosas, a expressão yadah justifica o bater palmas ou exercer cultos com as mãos levantadas. Destacamos que não há nenhum relato explícito na Bíblia que nos aprove ou desaprove tais atos nos momentos de louvor, todavia pensamos ser precipitada a conclusão de que simplesmente a expressão bíblica "lançar louvores" (yadah) possa justificar teologicamente qualquer forma de expressão corporal. A palavra indica o ato humano de atirar para Deus palavras de agradecimento, nada mais do que isso.
[5] White, Ellen G. Caminho a Cristo. P. 47.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pedir ou Determinar?



"E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho" Jo 14:13

Em seu livro "Exija seus direitos" RR Soares, líder da Igreja Internacional da Graça ensina que o crente não deve pedir a bênção, mas determiná-la ou exigir como um direito. A suposta base bíblica para essa sua doutrina nefasta é Jo 14:13, muito embora ele a credite a Kenneth Hagin. Ambos afirmam que "a palavra pedirdes foi mal traduzida" e que aiteo "deveria ter sido traduzido por exigirdes ou determinardes" (p. 42). Segundo ele "continuar orando, pedindo, suplicando por algo que já é seu é declarar que a Palavra do Senhor pode não ser a verdade" (p. 45). Chega ao extremo de dizer que ser paciente e suportar a provação é dar lugar ao Diabo (p. 78).

No livro ele afirma que não é versado em grego. Mas acreditou piamente no que Hagin lhe disse. Depois disse que conferiu no dicionário de Strong e que de fato a palavra aitéo também pode significar exigir, determinar. A propósito, ele define determinar como "a nossa ação com base na Palavra de Deus, o que nada mais é do que tomar posse da bênção e exigir os nossos direitos" (p. 27).

O significado de um termo deve ser buscado no uso que os autores fizeram dele nas escrituras. E quando examinamos o uso de aiteo nas Escritura descobrimos que ele jamais é utilizada com o sentido que RR Soares e Hagin lhe emprestam. E também descobrimos que as palavras determinar, ordenar, exigir, etc. jamais são utilizadas pelo homem para obter algo de Deus. Portanto, se Soares valoriza a Palavra de Deus como diz valorizar, deveria ter o mínimo cuidado para utilizá-la sem distorcer o seu significado, semeando o erro no meio do povo de Deus.

O significado bíblico de aiteo

As principais traduções e versões bíblicas traduzem aiteo como pedir. Tomando Jo 14:13 como exemplo, já vimos que a Almeida Revista e Atualizada a traduz assim, assim como a Almeida Revista e Corrigida. A Tradução Brasileira também fez essa tradução, bem como a Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Estariam todos os tradudores enganados ou mal intencionados ao esconderem o sentido de ordenar em suas traduções? Veremos que não.

Antigo Testamento

O termo aiteo e seus cognatos são utilizados no Antigo Testamento 65 vezes na Septuaginta. O sentido é sempre de pedir, implorar, suplicar, e nunca de ordenar ou determinar. Assim, temos Elias dizendo a Eliseu "pede-me o que queres" (2Re 2:9); Jabez invocou a Deus dizendo "Oh! Tomara que me abenções" e Deus lhe deu "o que lhe tinha pedido" (1Cr 4:10); a Salomão Deus disse "pede-me o que queres que eu te dê" (2Cr 1:7) e o próprio Salomão deu à rainha de Sabá "tudo o que ela desejou e pediu" (2Cr 9:12). Vemos também Esdras dizendo que teve "vergonha de pedir ao rei" (Ed 8:22), enquanto que Neemias diz "pedi licença ao rei" (Ne 13:6) para voltar a Jerusalém. Davi não determinou, mas orou "uma coisa peço ao Senhor" (Sl 27:4), Salomão, mesmo sendo mais ousado disse "duas coisas te peço" (Pv 30:7). Isaías disse a Acaz "pede ao Senhor, teu Deus, um sinal" (Is 7:11) e Jeremias observou que durante o cerco de Jerusalém "os meninos pedem pão" (Lm 4:4). Para que seus três amigos fossem constituídos sobre os negócios da Babilônia, Daniel não determinou ao rei, mas fez um pedido (Dn 2:49). Finalmente, Zacarias disse "pedi ao Senhor chuva no tempo das chuvas serôdias" (Zc 10:1).

Em todas as passagens acima a Septuaginta utiliza aiteo, e em nenhuma delas a tradução determinar é cabível. Imagine Eliseu exigindo de Elias a porção dobrada, Jabez ordenando a Deus que alargasse os seus limites, Salomão determinando que Deus lhe desse sabedoria e a rainha, em sua visita de cortesia a Salomão ordenasse que este lhe desse o que ela desejasse! Seria absurdo. Como seria despropositado também que Esdras, Neemias e Daniel exigissem seus direitos junto ao rei, que Davi, Salomão e Acaz dessem ordens a Deus e meninos famintos exigissem seus direitos! Portanto, o uso que os setenta fizeram de aiteo na tradução do Antigo Testamento para o grego não deixa dúvida que pedir, rogar, suplicar, etc. é a tradução mais adequada e que qualquer termo que denote autoridade não é apropriada.

Novo Testamento

Já vimos que no uso que os tradutores da Septuaginta fizeram de aiteo não cabe o sentido de ordenar, determinar, mandar, exigir ou qualquer outro que Hagin e seu aprendiz queiram dar. Mas sei que Hagin principalmente despreza o Antigo Testamento, então vejamos se o Novo lhe dá algum apoio às suas idéias. A palavra aiteo aparece diversas vezes nos evangelhos e nos demais escritos do Novo Testamento. Jesus diz que o Pai sabe o que seus filhos precisam "antes que o peçais" (Mt 6:8), mesmo assim orienta "pedi, e dar-se-vos-á" (Mt 7:7), pois "qual pai se porventura seu filho lhe pedir pão lhe dará uma pedra?" (Mt 7:9). Vemos que a mulher de Zebedeu se aproximou dEle, o adorou e "pediu-lhe um favor" (Mt 20:20). No verso seguinte ao utilizado como cavalo de batalha por Soares Jesus diz "se me pedirdes alguma coisa coisa em meu nome eu vos darei" (Jo 14:14). À porta Formosa, o coxo de nascença pedia esmola (At 3:2) e Paulo escreveu aos Colossenses "não cessamos de orar por vós e de pedir" (Cl 1:9). Aos faltos de sabedoria Tiago preceitua "peça-a a Deus" (Tg 1:5) e João anima com o testemunho de que "aquilo que pedimos, dEle recebemos" (1Jo 3:22).

Em todas essas passagens e outras não mencionadas, aiteo é utilizada para mostrar alguém pedindo encarecidamente a alguém que tem autoridade maior e que poderia conceder o pedido ou não, de acordo com sua vontade. É um contra-senso pensar que um filho pode determinar o que seu pai deve lhe dar, que a mãe de Tiago e João poderia adorar a Jesus e em seguida lhe dar ordem ou fazer exigências ou que um aleijado de nascença pudesse exigir direito a esmolas, que por isso deixaria de ser esmola. A esta altura RR Soares diria "Exigir ou determinar a bênção não é dar ordens ao Senhor" (p. 46). Porém, se aiteo significa determinar, ordenar, exigir e se aiteo refere-se àquilo que queremos receber de Deus, então forçosamente a ordem é dada a Deus. Jesus disse "se me pedirdes" e Tiago escreveu "peça a Deus". No mínimo RR Soares deverá explicar porque aiteo em Jo 14:13 significa ordenar, exigir e no verso seguinte significa pedir, suplicar, etc. O emaranhado que ele se meteu é tal que a conseqüência lógica de seu raciocínio beira à blasfêmia, pois ou faz do Diabo a fonte de bênção do crente ou a criatura mete-se a mandar no Criador!

Jesus e nós

RR Soares afirma que não devemos pedir, pois Jesus não pedia nada ao Pai, apenas determinava, ordenava, exigia. Escapou-lhe um detalhe que faz toda diferença: não somos Jesus e embora ele tenha participado de nossa humanidade nós não participamos de sua divindade. Ele é Senhor, e nós servos. Jesus não era apenas um homem, era verdadeiro Deus. Mas há outro detalhe que Soares não percebeu e seu mestre não lhe alertou. Jesus nunca se referiu a si mesmo como pedindo ao Pai utilizando o termo aiteo. Por quê? Porque aiteo se refere a um inferior pedindo a um superior, e Jesus é igual ao Pai. Assim, quando refere-se a um pedido ao Pai ou quando ora, Jesus utiliza o termo erotao, que é mais usado para um pedido entre iguais. Na mesma passagem que nos manda pedir (aiteo) Jesus disse "eu rogarei ao Pai" (Jo 14:16), utilizando erotao. Numa outra passagem Jesus diz "naquele dia, pedireis (aiteo) em meu nome; e não vos digo que rogarei (erotao) ao Pai por vós" (Jo 16:26). Mesmo quando a tradução é pedir, o termo utilizado por Jesus é erotao, como em Jo 17:15. Então, se aiteo é determinar, temos que Jesus nunca determinava, enquanto que os discípulos deveriam fazer isso, o que só faz sentido na mente de Hagin e Soares.

Determinar e ordenar

Apesar de aiteo não significar determinar, ordenar ou exigir, estas são palavras que ocorrem na Bíblia. Mas não estão relacionadas ao recebimento de bênçãos de Deus através da oração. Uma das palavras utilizadas para traduzir determinar é keleuo, traduzida também por comandar, ordenar. Assim, Jesus "ordenou que passassem para a outra margem" (Mt 8:18) e Herodes "ordenou que lha desse [a cabeça de João Batista]" (Mt 14:19). Quando José de Arimatéia pediu (aiteo) o corpo de Jesus, Pilatos "mandou que lho fosse entregue" (Mt 14:19). Em nenhuma ocasião keleuo é utilizado para que crentes tomassem posse da bênção. Outra palavra grega utilizada como determinar é prostasso. Das sete vezes em que ocorre, em nenhuma refere-se a crente usando de autoridade para receber bênçãos (Mt 1:24; 8:4; 21:6; Mc 1:44; Lc 5:14; At 10:33,48). Outra palavra às vezes traduzida determinar é paraggello, como usado em "Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem" (Lc 8:29). Esta mesma autoridade usou Paulo para expulsar demônios (At 16:18), mas isto está longe de ordenar anjos que nos tragam a bênção. Horizo também pode é traduzido como determinar, como por exemplo em Hb 4:7, porém em nenhuma de suas oito ocorrências refere-se a crentes determinando a bênção. Como essas, há outras palavras que transmitem a idéia de determinar, porém nãos e aplicam a crentes obtendo bênçãos de Deus.

A palavra normalmente traduzida como ordenar, mandar é epitasso. Jesus mandou que espíritos fossem para o abismo (Lc 8:31), Herodes mandou que trouxessem a caça de João Batista (Mc 6:27), o sumo sacerdote mandou que batessem na boca de Paulo (At 23:2) e o próprio Paulo reconehceu que pdoeria ordenar o que quisesse a Filemon, mas nenhuma dessas pessoas estavam determinando a bênção para suas vidas!

Conclusão

O autor de "Exija seus direitos" confessou não ser versado em grego. Eu também não sou. Porém, mesmo para quem falta erudição é patente a falta de sustentação bíblica para a idéia de que o crente não deve pedir, e sim determinar, exigir sua bênção. RR Soares semeia um ensino pernicioso à fé, e como veremos em outros artigos, essa não é apenas uma filosofia cristã inocente, pois chega ao ponto de tornar Deus obsoleto. Se eu pudesse determinar alguma coisa, determinaria que ele percebesse o erro a que está induzindo muitas pessoas, se retratasse e deixasse a Bíblia dizer o que diz.

terça-feira, 23 de março de 2010

Sabonete com aroma de ovelhas



sabonete com aroma de ovelhas
By leutraix
Parece piada, mas não é! A turma da “PROSPERIDADE” está distribuindo o sabonete “CHEIRO DE OVELHA” para os seus fiéis, indicado para combater o mau cheiro exalado pelos bodes nos “apriscos” clandestinos da religião. Se você estiver com problemas de odor desagradável na sua igreja, não se preocupe as empresas “VALDEMIRESNSE”, “R.R.SOARESNSE” e “UNIVERSAL PRODUTOS IMPORTADOS” – do inferno – têm a solução! Sabonetes “Cheiro de Ovelha”, uma benção! A fragrância que faltava no mercado da fé! Mas muita atenção! Não é indicado para quem tem hipersensibilidade a ética, a verdade e aos princípios cristãos de conduta, pois pode causar sérios danos a saúde espiritual. As firmas citadas são empresas untadas com “Geizuz”, o puro óleo, no fogo puro do Rê-Tê-Tê e recheada das promessas vazias de homens cheios de vaidade e ganância. Seus gerentes são “pseudo-evangélicos” transvestidos de “ovelhas”, debochados, que usam a Bíblia para pregá-la com cruéis cravos na testa de desesperados e ai de quem se opor a eles! Serão castigados… Praticam o ato de obter vantagem patrimonial ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro alguém através do meio fraudulento de venderem prosperidade, curas e milagres, pregando para o povo um cristianismo banalizado corrompido pelas artimanhas do inimigo. Os boletos bancários de depósito comprovam o que digo. O interessante é que o “cheiro de bode” ofusca o “cheiro da ovelha” dando a impressão de que todos são caprinos no mesmo ambiente. Em muitas igrejas os odores estranhos se tornaram normais e já não causam mais nenhum incômodo. Você é cheiroso? O Não precisa responder! O poder da mídia no mundo hodierno tem levado muitas pessoas a banalizarem o certo; invertem os valores antes consagrados como certos e isto tem levado muitas a exalarem o fedor do pecado e a oferecerem carniças a Deus em vez de cordeiro sem defeito. E como tem carniça por ai sendo oferecida no altar como se fosse carne de ovelha! Tem muita igreja que não são anjos, mas urubus que sobrevoam na busca de uma chance para resgatarem a parte deles. Quando vamos comer algo, olhamos a comida e sentimos o cheiro gostoso, logo vem a vontade de degustar aquele alimento. Quem não gosta de um bom prato? Por outro lado, você já ficou ao lado de uma pessoa fedida? Roupas, cabelos, axilas, pés, boca, tudo atraindo moscas, não tem algo tão ruim, repugnante. Mas, responda rapidamente, qual perfume é o seu? Qual o perfume de sua igreja? E o de seu Pastor? Ah! Mas, para combater o odor desagradável foram criados uma gama enorme de perfumes; tem produto para todos os gostos. O segredo de um perfume está na substância aromática ou na essência, que o compõe. O cheiro agradável e penetrante é exalado por uma substância extraída por técnicas que são guardadas em segredo pelos fabricantes. Só lembrando, tem muita coisa falsificada no mercado! Quero apenas lembrar que lugar onde o “Pastor” trata suas ovelhas não deveria ser um “gabinete” com escrivaninha, computador e cadeira de executivo. O lugar de um Pastor tratar as suas ovelhas é o “aprisco” aconchegante, protegido e seguro, onde o próprio Pastor dorme à porta para defender seu rebanho dos lobos que rondam buscando uma oportunidade para atacarem. O que? É assim mesmo? Isto é exagero! Pois, sugiro então que você conheça a rotina de um Pastor de ovelhas lá do Oriente Médio. Mas é verdade, Pastor dorme com o rebanho, ao relento; o Pastor come com o rebanho, anda com o rebanho; o Pastor está sempre com o rebanho onde quer que ele vá. Ele tem o cheiro das ovelhas impregnado nas suas vestes e nas suas narinas, ele as conhece pelo cheiro que exalam. Penso que “Pastor” não combina com mesa, terno, gravata, gabinete, shows, extravagâncias, espetáculos ou coisas semelhantes. Para mim está muito claro, e segundo a Bíblia, a palavra “Pastor” combina com campo, pasto, curral, ovelha, noites mal dormidas, roupa surrada de trabalho campestre, etc. Pastor combina com cajado, com sol, com lugares abertos, com calças dobradas para cruzar os riachos, com ovelha nos braços; O cheiro do “Pastor” deve ser o “cheiro de ovelha”, cheiro do pó levantado pela caminhada do rebanho. O “Pastor” deve viver em função do rebanho e não o rebanho em função dele. Pelo seu cheiro ele deve ser identificado pela sociedade, não como um “bode catinguento” que espanta todo mundo e contamina o ambiente, mas com um odor agradável de ovelha com as quais ele lida no seu exercício ministerial. Jesus, o “Supremo Pastor” nunca estava em uma sala fechada esperando as pessoas virem a ele. Não, Jesus não era assim, Ele estava onde as pessoas estavam, nas festas de casamento, nas mesas de banquetes, nas casas das pessoas, nas praças e nos lugares públicos como as sinagogas. Sim, é verdade, Jesus às vezes se retirava para descansar, orar, refletir e ficar sozinho, mas era por pouco tempo e já estava ele lá de novo, no meio do povo. Voltando ao tema, cuidado com a insensibilidade do olfato, você pode ser traído! Tanto o “cheiro” como o “fedor” ao ser exalado por muito tempo torna-se comum, os nossos sensores são condicionados. Isto vale para a vida espiritual também. É importante ressaltar que o confronto entre uma pessoa “cheirosa” com uma “mal cheirosa” causa mal estar e um incomodo que é natural. Assim é o crente com o não crente; o justo com o injusto. O pecado pode tornar uma pessoa cheirosa em uma pessoa mal cheirosa, mas também é o único capaz de transformar “ovelha” em “bode”! O duro é que tem muita gente trocando de lado, se acomodando com o cheirume do chifrudo, e o que é pior, debaixo de pele de ovelha. Um cristão autêntico não é detectado por suas posses e sim pelo seu caráter, se exala o cheiro de Cristo, com certeza, irá atrair outros a ele. Vale ressaltar que Jesus é que nos transforma em cheiro agradável, pois não há essência cheirosa em nós e, por isso, exclusivamente por isto, não exalamos um bom perfume. Mas com Cristo, o fedor do pecado é arrancado pela regeneração, e neste caso, é o “bode” que é transformado em “ovelha”. Certa vez me perguntaram sobre o que seria a igreja ideal na terra? De onde partiu, era no mínimo maliciosa pela conduta nada transparente de quem a fez. Refletindo rapidamente sobre isso e sem dar chance para comentários distorcidos, respondi que a igreja ideal é aquela que é simplesmente igreja. É aquela onde ovelha tem “cheiro de ovelha” e não de “bode”. Um local onde cada membro do “Corpo de Cristo”, sem exceção, exerce e aprimora os seus dons; Onde a liberdade da glória de Deus, a comunhão com os irmãos e a admoestação mútua acontece como algo natural. Onde há louvor e não barulho; Onde Deus é exaltado e não pessoas. Para ser claro, que ela seja simplesmente, “igreja”. Nada mais. Mas, para a minha tristeza, tem muita coisa sendo chamada de “igreja” com muita gente sendo literalmente enganada por seus “donos”. Portanto, se você é um crente, você deve exalar o “bom perfume de Cristo”, tanto na igreja como lá fora, diz Paulo. Que o seu perfume possa contagiar e atrair a todos que estiverem ao seu lado. Mas lembre-se, em hipótese alguma aceite, mesmo se for de graça, os sabonetes da marca “cheiro de ovelha” que andam oferecendo nos mercados evangélicos das esquinas da religião. Eles são falsificados e podem causar danos à sua fé e à sua relação com Deus.
TEXTO ACIMA DÊ:
Carlos Roberto Martins de Souza
PASTORES PICARETAS
Que a televisão brasileira tem poucas coisas boas hoje isto é inegável, mas em matéria de porcaria os programas “rotulados de evangélicos” dão um banho em qualquer outra programação. Pouquíssimos se salvam desta sujeira religiosa. A depravação da fé é um absurdo sem precedentes na história do cristianismo, com a comercialização sendo feita sem escrúpulos a qualquer hora do dia ou da noite, onde os produtos pirateados do inferno dominam as prateleiras da ganância religiosa.
Ao invés de recomendarem a leitura “racional da Bíblia”, os picaretas inventam suas teologias pífias e heréticas e querem empurrar para cima do povo a qualquer custo; fazem pacotes promocionais que só enganam os incautos já que tais descontos são apenas fantasias e estratégias de marketing; ofertas(?) com descontos nunca vistos e vai por ai afora. Para a Bíblia, inventaram várias versões entre elas a “Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira”! São absurdos descabidos para alguém que afirma ter alguma relação com o cristianismo.
O “Pastor”, o “Bispo”, o “Apóstolo”, o “Missionário”, todos fazem ginásticas psicológicas que alienam os telespectadores. Foi Jesus quem mandou, tem que pagar em dia, do contrário tá no inferno aquele que negar. E pague logo porque vale à pena, é prosperidade garantida. É muito triste contemplar a cena desses lobos roubando a multidão, trapaceiros pastoreando não a alma, mas o bolso de povão, falsos profetas no meio da massa onde no comércio da fé Jesus não passa de um produto vendido à prestação.
O primeiro camarada da IIGD – Igreja Internacional da Graça de Deus – um picareta a serviço do inimigo que usa o nome artístico, Romildo Rodrigues Soares, vulgo R.R. Soares, vem com o “SHOW DA FÉ”, prá mim “SHOW DA MÁ FÉ”, nome sugestivo para programas perpetrados e idealizados pelo Diabo, não para qualquer coisa ligada à religião. A fé não dá “show” ou “espetáculo”, dá “TESTEMUNHO”, é isto mesmo meu irmão. Show é com satanás, no entanto tem muita gente embarcando nesta canoa furada pensando que está agradando a Deus. Coitados, não enxergam, por causa da miopia espiritual, que estão sendo lesados no bolso e na fé. Os homens exploradores e aproveitadores, transvestidos de “servos de Deus” aproveitando a frustração do povo, o sofrimento e a desgraça alheia inventam nomes para venderem de tudo.
No “Show da Má-Fé”, um programa de qualidade duvidosa em todos os sentidos, o que se ouve é: ajude o “missionário(?)”, compre o CD, compre e leia o Livro da Prosperidade, Passe o Dinheiro ou Deposite em uma das agências do Bradesco… Mal sabem os que consomem estes produtos que apenas estão sustentado as “mordomias” dos piratas religiosos que encontraram na religião uma forma fácil de enriquecerem. Só lembrando, nenhum servo de Deus no passado participou de trapaças desta natureza ou jamais fizeram da fé um show para atrair multidões.
Gostaria muito que alguém entendido nas “Escrituras” me mostrasse na “Bíblia” onde encontramos as palavras “SHOW”, “ESPETÁCULO” e “SUCESSO”, assim eu poderei mudar os meus conceitos sobre estes artistas de picadeiro que fizeram da igreja um grande circo onde os palhaços ficam, não no palco, mas na platéia, sendo enganados e iludidos pelas falsas promessas dos donos da companhia de espetáculos. São os “SUPER HOMENS”, heróis dos desesperados que não medem esforços para alcançar o bolso do povão, e para isto vale qualquer coisa. Não são mais “Três Mosqueteiros”, mas milhares espalhados pelo Brasil afora
Que a televisão brasileira tem poucas coisas boas hoje isto é inegável, mas em matéria de porcaria os programas “rotulados de evangélicos” dão um banho em qualquer outra programação. Pouquíssimos se salvam desta sujeira religiosa. A depravação da fé é um absurdo sem precedentes na história do cristianismo, com a comercialização sendo feita sem escrúpulos a qualquer hora do dia ou da noite, onde os produtos pirateados do inferno dominam as prateleiras da ganância religiosa.
Ao invés de recomendarem a leitura “racional da Bíblia”, os picaretas inventam suas teologias pífias e heréticas e querem empurrar para cima do povo a qualquer custo; fazem pacotes promocionais que só enganam os incautos já que tais descontos são apenas fantasias e estratégias de marketing; ofertas(?) com descontos nunca vistos e vai por ai afora. Para a Bíblia, inventaram várias versões entre elas a “Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira”! São absurdos descabidos para alguém que afirma ter alguma relação com o cristianismo.
O “Pastor”, o “Bispo”, o “Apóstolo”, o “Missionário”, todos fazem ginásticas psicológicas que alienam os telespectadores. Foi Jesus quem mandou, tem que pagar em dia, do contrário tá no inferno aquele que negar. E pague logo porque vale à pena, é prosperidade garantida. É muito triste contemplar a cena desses lobos roubando a multidão, trapaceiros pastoreando não a alma, mas o bolso de povão, falsos profetas no meio da massa onde no comércio da fé Jesus não passa de um produto vendido à prestação.
Tem um segundo sujeito da IMPD – Igreja Mundial do Poder de Deus – que vive do suor, melhor, de curar usando o poder da sua sudorese. Ali a falta de higiene é total isto sem falar na falta de educação e na grosseria do camarada. O tal “Apóstolo Valdomiro Santiago” é uma vergonha, um desrespeito aos ensinos de Jesus que, aliás, é usado vergonhosamente para fundamentar as suas artes teatrais. A encenação é ridícula digna dos piores programas de humor da televisão. O mais triste é notar que a multidão gosta e até aplaude o tal Apóstolo(?) pelas suas artimanhas e pelas suas curas de dor de barriga, de dor de cabeça, dor de coluna, dor de perna… Cegueira, mudez, ressurreição de defunto, paralítico atrofiado, deficiência mental, isto nem pensar! O forte dele é orar no monte com um monte de iludidos.
Tem muito dinheiro sendo jogado fora, nas fossas da religião moderna, são milhões em dinheiro que poderiam ser racionalmente investidos na verdadeira pregação do Evangelho. A podridão religiosa exala um odor fétidico; a estrada da fé esta pavimentada pelos cadáveres evangélicos e os abutres proféticos aguardam apenas o momento para atacarem uma vez que vivem e alimentam da carniça espiritual do povo. Os “mágicos cristãos”, para mim “charlatões”, a cada dia surgem com novidade nos seus números de acrobacias religiosas na esperteza de convencer o publico de suas habilidades ilusionistas, deixando a platéia, muitas vezes espantadas, com a capacidade de suas trapaças.
Os bispos da IURD – Universal do Reino do Edir Macedo – não poderiam ficar de fora, ali a coisa é brava, naquele terreiro o Diabo deita e rola. O “Descarrego” é o carro chefe e atrás vem “Óleo Benzido”, a “Rosa Consagrada”, o “Nó na Camisa Preta”, Copo com Água do Rio Tietê e mais uma infinidade de picaretagem para ludibriar o povo. O pior é que o povo gosta e vive de ilusões, principalmente em se tratando de fé!
Tem muito crente frouxo cedendo às artimanhas malignas destes heréticos achando tudo muito natural, pois pensam estar agindo em nome de Deus. É uma vergonha ver pessoas contribuindo com até o que não podem para sustentar as mordomias e as mentiras pregadas por estes camaradas. Mal sabem que estes pregoeiros estão sim a serviço de suas “EMPRESAS” religiosas e de seus negócios pessoais. No mercado da fé os olhos estão voltados para os empreendimentos humanos regados a mordomias e a lucros exorbitantes às custas do sofrimento e da desgraça alheia. Só não vê quem não quer!
A religião chegou ao fundo do poço apoiada, por um povo vazio na vida espiritual que acha que tudo que estão fazendo tem a aprovação de Deus. Os cristãos estão “tomando emprestado” ou se “apropriando” de práticas de outras religiões numa afinidade promíscua com o inferno e suas táticas de destruição da crença. É triste var que muitas pessoas humildes estão sendo literalmente enganadas por esta corja de “mercenários da fé” sem serem incomodados ou questionados nas suas práticas delituosas no trato com a fé e com os sentimentos da população. O sensacionalismo barato, a exposição indecorosa de vidas privadas e a falsidade estão mutilando espiritualmente as pessoas incapacitando-as de pensar o de perceberem o engano a que estão sendo submetidas.
Outro artifício é o de levarem diante dos seus crentes supostos abençoados pelo Senhor; os quais declaram publicamente estarem doando carros, imóveis e gordas quantias para “Jesus”. Ora, quem não fica compelido a doar alguns trocados? Bancar o mão-de-vaca com Jesus? Jamais!
Com o crescimento do negócio, tais “pastores” passam a justificar perante seus fiéis, seus carros e casas luxuosas como “bênçãos dos céus” ou “dádivas do Senhor”, e todos alegremente vão dizendo amém a isso. Segue-se, então, a consolidação do negócio, pelo envolvimento com empresários e políticos convenientes. E daí por diante, o céu é o limite em termos de desvios, enriquecimento e estelionato em massa; passando por dólares dentro de Bíblias, patrocínio por jogadores famosos, lavagem de dinheiro criminoso e até haras de cavalos árabes na Califórnia.
sem falar no pr. Jean Marques, que ficou muito conhecido na i***. por causa da Terapia do Amor. Há pouco tempo estava no México, quando foi chamado pelo bp. Marques, a fim de migrar p a IMPD. O Jean não pensou 2 vezes; falou com o Marques numa sexta feira, no domingo já estava sendo apresentado no altar da sede, no RJ, e atualmente encontra-se em SP, na sede da Carneiro Leão, junto com o apóstolo. A IMPD só tem pastores desobedientes,

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Há abusos em nome de Deus"






"Há abusos em nome de Deus"
Marília Camargo César*
Jornalista relata os danos do assédio espiritual
cometido por líderes evangélicos.
A igreja evangélica está doente e precisa de uma reforma. Os pastores se tornaram intermediários entre Deus e os homens e cometem abusos emocionais apoiados em textos bíblicos. Essas são algumas das afirmações polêmicas da jornalista Marília de Camargo César em seu livro de estreia, Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão), que será lançado no dia 30. Marília é evangélica e resolveu escrever depois de testemunhar algumas experiências religiosas com amigos de sua antiga congregação.


ÉPOCA – Por que você resolveu abordar esse tema?
Marília de Camargo César – Eu parti de uma experiência pessoal, de uma igreja que frequentei durante dez anos. Eu não fui ferida por nenhum pastor, e esse livro não é nenhuma tentativa de um ato heroico, de denúncia. É um alerta, porque eu vi o estado em que ficaram meus amigos que conviviam com certa liderança. Isso me incomodou muito e eu queria entender o que tinha dado errado. Não quero que haja generalizações, porque há bons pastores e boas igrejas. Mas as pessoas que se envolvem em experiências de abusos religiosos ficam marcadas profundamente.

ÉPOCA – O que você considera abuso religioso?
Marília – Meu livro é sobre abusos emocionais que acontecem na esteira do crescimento acelerado da população de evangélicos no Brasil. É a intromissão radical do pastor na vida das pessoas. Um exemplo: uma missionária que apanha do marido sistematicamente e vai parar no hospital. Quando ela procura um pastor para se aconselhar, ele diz: “Minha filha, você deve estar fazendo alguma coisa errada, é por isso que o teu marido está se sentindo diminuído e por isso ele está te batendo. Você tem de se submeter a ele, porque biblicamente a mulher tem de se submeter ao cabeça da casa”. Então, essa mulher pede um conselho e o pastor acaba pisando mais nela ainda. E usa a Bíblia para isso. Esse é um tipo de abuso que não está apenas na igreja pentecostal ou neopentecostal, como dizem. É um caso da Igreja Batista, que tem melhor reputação.

ÉPOCA – Seu livro questiona a autoridade pastoral. Por quê?
Marília – As igrejas que estão surgindo, as neopentecostais (não as históricas, como a presbiteriana, a batista, a metodista), que pregam a teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”. É a figura do profeta, do sacerdote, que existia no Antigo Testamento. No Novo Testamento, Jesus Cristo é o único mediador. Mas o pastor dessas igrejas mais novas está se tornando o mediador. Para todos os detalhes de sua vida, você precisa dele. Se você recebe uma oferta de emprego, o pastor pode dizer se deve ou não aceitá-la. Se estiver paquerando alguém, vai dizer se deve ou não namorar com aquela pessoa. O pastor, em vez de ensinar a desenvolver a espiritualidade, determina se aquele homem ou aquela mulher é a pessoa de sua vida. E ele está gostando de mandar na vida dos outros, uma atitude que abre um terreno amplo para o abuso.

ÉPOCA – Você afirma que não é só culpa do pastor.
Marília – Assim como existe a onipotência pastoral, existe a infantilidade emocional do rebanho. A grande crítica de Freud em relação à religião era essa. Ele dizia que a religião infantiliza as pessoas, porque você está sempre transferindo suas decisões de adulto, que são difíceis, para a figura do pai ou da mãe, substituí­dos pelo pastor e pela pastora. O pastor virou um oráculo. Assim é mais fácil ter alguém, um bode expiatório, para culpar pelas decisões erradas.

ÉPOCA – Quais são os grandes males espirituais que você testemunhou?
Marília – Eu vi casamentos se desfazer, porque se mantinham em bases ilusórias. Vi também pessoas dizendo que fazer terapia é coisa do diabo. Há pastores que afirmam que a terapia fortalece a alma e a alma tem de ser fraca; o espírito é que tem de ser forte. E dizem isso apoiados em textos bíblicos. Afirmam que as emoções têm de ser abafadas e apenas o espírito ser fortalecido. E o que acontece com uma teologia dessas? Psicoses potenciais na vida das pessoas que ficam abafando as emoções. As pessoas que aprenderam essa teologia e não tiveram senso crítico para combatê-la ficaram muito mal. Conheci um rapaz com muitos problemas de depressão e de autoestima que encontrou na igreja um ambiente acolhedor. Ele dizia ter ressuscitado emocionalmente. Só que, com o passar dos anos, o pastor se apoderou dele.

ÉPOCA – Qual foi a história que mais a impressionou?
Marília – Uma das histórias que mais me tocaram foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Em uma igreja, ela ouviu que estava curada e que, caso se sentisse doente, era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença autoimune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo, mas ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.

ÉPOCA – Por que demora tanto tempo para a pessoa perceber que está sendo vítima?
Marília – Os abusos não acontecem da noite para o dia. No primeiro momento, o fiel idealiza a figura do líder como alguém maduro, bem preparado. É aquilo que fazemos quando estamos apaixonados: não vemos os defeitos. O pastor vai ganhando a confiança dele num crescendo. Esse líder, que acredita que Deus o usa para mandar recados para sua congregação, passa a ser uma referência na vida da pessoa. O fiel, por sua vez, sente uma grande gratidão por aquele que o ajudou a mudar sua vida para melhor. Ele quer abençoar o líder porque largou as drogas, ou parou de beber, ou parou de bater na mulher ou porque arrumou um emprego. E começa a dar presentes de acordo com suas posses. Se for um grande empresário, ele dá um carro importado para o pastor. Isso eu vi acontecer várias vezes. O pastor gosta de receber esses presentes. É quando a relação se contamina, se torna promíscua. E o pastor usa a Bíblia para legitimar essas práticas.

ÉPOCA – Você afirma que muitos dos pastores não agem por má-fé, mas por uma visão messiânica...
Marília – É uma visão messiânica para com seu rebanho. Lutero (teólogo alemão responsável pela reforma protestante no século XVI) deve estar dando voltas na tumba. O pastor evangélico virou um papa, a figura mais criticada pelos protestantes, porque não erra. Não existe essa figura, porque somos todos errantes, seres faltantes, como já dizia Freud. Pastor é gente. Mas é esse pastor messiânico que está crescendo no evangelismo. A reforma de Lutero veio para acabar com a figura intermediária e a partir dela veio a doutrina do sacerdócio universal. Todos têm acesso a Deus. Uma das fontes do livro disse que precisamos de uma nova reforma, e eu concordo com ela.

ÉPOCA – Se a igreja for questionada em seus dogmas, ela não deixará de ser igreja?
Marília – Eu não acho. A igreja tem mesmo de ser questionada, inclusive há pensadores cristãos contemporâneos que questionam o modelo de igreja que estamos vivendo e as teologias distorcidas, como a teologia da prosperidade, que são predominantemente neopentecostais e ensinam essa grande barganha. Se você não der o dízimo, Deus vai mandar o gafanhoto. Simbolicamente falando, Ele vai te amaldiçoar. Hoje o fiel se relaciona com o Divino para as coisas darem certo. Ele não se relaciona pelo amor. Essa é uma das grandes distorções.

ÉPOCA – No livro você dá alguns alertas para não cair no abuso religioso.
Marília – Desconfie de quem leva a glória para si. Uma boa dica é prestar atenção nas visões megalomaníacas. Uma das características de quem abusa é querer que a igreja se encaixe em suas visões, como querer ganhar o Brasil para Cristo e colocar metas para isso. E aquele que não se encaixar é um rebelde, um feiticeiro. Tome cuidado com esse homem. Outra estratégia é perguntar a si mesmo se tem medo do pastor ou se pode discordar dele. A pessoa que tem potencial para abusar não aceita que se discorde dela, porque é autoritária. Outra situação é observar se o pastor gosta de dinheiro e ver os sinais de enriquecimento ilícito. São esses geralmente os que adoram ser abençoados e ganhar presentes. Cuidado.
REPORTAGEM de Kátia Mello, Revista ÉPOCA, 29 junho 2009 /N.580,pg. 69-70.
*Marília de Camargo César, 44 anos, jornalista, casada, duas filhas. Editora assistente do jornal O Valor, formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero .Seu livro de estreia é Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O apagão Espiritual de nossas Igrejas



O apagão Espiritual de nossas Igrejas

Hoje, muitas igrejas estão vivendo um grande apagão. Não falo do ocorrido no final de ano passado (2009) que deixou grande parte do Brasil na escuridão, mas sim da lâmpada que ilumina e que paulatinamente tem sido retirada da Igreja: “A Tua Palavra é lâmpada para guiar os meus passos,é luz que ilumina meu caminho”(Salmos 119,105.
Conforme a declaração das Igrejas Batistas, a Palavra de Deus é a autoridade absoluta em questões de fé (isso inclui a prática eclesiológica)e de vida. Ela serve para reger ou guiar o cotidiano da igreja,bem como seus membros, no glorificar a Deus. No entanto muitas igrejas estão se afastando dos ensinamentos da Palavra de Deus e absorvem valores contemporâneos que destroem a fé.
Relativismo- O primeiro desses valores que prejudicam a fé é o Relativismo, que diz que as verdades religiosas (não somente elas, mas as verdades morais,políticas,científicas, etc)são produtos de valores de uma época, de uma cultura. Assim elas variam conforme o grupo social. O que era moralmente errado na época dos não é hoje. Tudo é relativo!
Subjetivismo- O segundo valor é o subjetivismo, que preconiza que a validade da verdade é limitada ao sujeito que conhece e julga. Segundo essa linha de pensamento, a verdade é individual. Cada sujeito teria a sua verdade. A verdade é subjetiva. Vale lembrar o dito de Jesus “Santifica-os na verdade, a tua Palavra é a verdade (João17,17). Jesus cria na verdade objetiva.
Pragmatismo- O terceiro é o pragmatismo, segundo o qual o que importa é a funcionalidade. O correto é aquilo que funciona e satisfaz. As idéias e atos de qualquer pessoa somente serão verdadeiras se servem a solução imediata de seus problemas. Neste caso, toma-se a verdade pelo que é útil naquele momento exato, sem considerar as conseqüências. Segundo William James (fundador do Pragmatismo), “se as idéias teológicas provam que têm valor para a vida concreta, são verdadeiras, pois o pragmatismo as aceita, no sentido de serem boas para tanto. O quanto serão verdadeiras dependerá inteiramente de suas relações com as demais verdades, que têm, também de ser reconhecidas”.
Esse afastamento da Palavra de Deus tem influência direta no culto. A verdade tem sido paulatinamente trocada pela funcionalidade. Caso a igreja cresça isso é que importa, pois os fins justificam os meios. Isso é a verdade. No culto muitas são as atrações: Corais, Bandas, peças teatrais, testemunho, revelações, videoclipes e até lutas marciais (recentemente motivo de reportagem do Jornal Americano “The New York Times”, etc. No meio de tudo isso fica uma pergunta: Onde fica a pregação da Palavra de Deus? A pregação da Palavra muitas vezes se resume a 15 minutos de fama. E quando supostamente se revindica o tempo devido a pregação no culto ela é desperdiçada com experiências pessoais.
Precisamos entender que sem a pregação da Palavra de Deus, não há edificação da igreja. Meus amados irmãos sigam o conselho do grande reformador João Calvino “A Palavra que deveria brilhar sobre todas as pessoas como lâmpada foi retirada de nós. O único modo de trazê-la novamente é por meio genuína pregação da Palavra”.
Muitas igrejas vivem a síndrome do algo mais. É necessário algo mais para motivar, para atrair. A Palavra de Deus deixou de ser suficiente. O Salmo 19 diz que “a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”. Isso significa que ela é suficiente para satisfazer a alma do ser humano. Ela tem todos os recursos que nos possibilitam viver uma vida abundante em Cristo. Não podemos permitir que o modo de vida contemporâneo relativize a Palavra de Deus, que é viva e eficaz (Hebreus 4,12) e permanece para sempre (Mateus24,35). Em tempo de confusão devemos voltar para a Palavra de Deus para ver se as coisas são assim mesmo. Esta atitude denota a nobreza da Fé (Atos17,11). É preciso trazer novamente às igrejas a lâmpada que ilumina e mostra o caminho, que oriente e protege o povo de Deus (Salmos 119,105). Fora da orientação bíblica vivemos num lago congelado de casca fina, sem segurança e sem estabilidade (aproprio-me da analogia do sociólogo Zygmunt Baumam fez da frase de Ralph W. Emerson – “Quando patinamos sobre gelo fino, nossa maior segurança está na velocidade” – para ilustrar a instabilidade do mundo pós-moderno).
Gritemos com toda a convicção que a Bíblia é a autoridade absoluta em nossas igrejas e em nossas vidas. Apropriemo-nos de suas promessas,de suas verdades, de suas orientações e de seu poder transformador (Romanos 1,16). É essa apropriação que faz a grande diferença em nossa existência. Que o Senhor nos dê um bom entendimento de sua Palavra.
Baseado no artigo do OJB, escrito pelo Pr. Paulo N. Júnior.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A integridade do evangelho: Uma avaliação do neopentecostalismo





A integridade do evangelho: Uma avaliação do neopentecostalismo


Elas ocupam um enorme espaço na televisão aberta, chegando a milhões de lares brasileiros todos os dias. As três mais conhecidas e salientes têm nomes parecidos — Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e Igreja Mundial do Poder de Deus. Esses nomes apontam para objetivos ousados e ambiciosos. Seus líderes máximos adotam, respectivamente, os títulos de bispo, missionário e apóstolo. Elas são o fenômeno mais recente, intrigante e explosivo do "protestantismo" tupiniquim. Trata-se das igrejas neopentecostais, denominadas por alguns estudiosos "pentecostalismo autônomo", em virtude de seus contrastes com os grupos mais antigos desse movimento.
É difícil categorizá-las adequadamente, não só por serem ainda recentes, mas porque, ao lado de alguns traços comuns, também apresentam diferenças significativas entre si. A Igreja Mundial investe fortemente na cura divina. Seu apóstolo garante que ninguém realiza mais milagres do que ele. Seu estilo é personalista e carismático. Caminha no meio dos fiéis, deixa que as pessoas recolham o suor do seu rosto para fins terapêuticos, às vezes é ríspido com os auxiliares. O missionário da Igreja Internacional é simpático e bonachão; parece um pastor à moda antiga. É também polivalente: prega, canta, conta piadas, anuncia produtos e serviços. Controla com rédea curta o seu pequeno império. Todavia, nenhuma dessas igrejas vai tão longe na ruptura de paradigmas quanto a IURD. Dependendo do ângulo de análise, parece protestante ou católica. Seu carro-chefe é a teologia da prosperidade. Defende sem pejo a ética da sociedade de consumo. Seu líder está entrando na lista dos homens mais ricos do país.
Desde o início, o cristianismo tem exibido uma grande variedade de manifestações, algumas bastante inusitadas. Foi o caso do gnosticismo e do marcionismo nos primeiros séculos, das seitas apocalípticas na Idade Média e de alguns grupos resultantes dos reavivamentos nos Estados Unidos do século 19. Porém, nenhum movimento tem sido tão pródigo em termos de quantidade e diversidade de ramificações quanto o pentecostalismo contemporâneo. No atual ambiente pluralista e inclusivista, muitos observadores vêem nessa multiplicidade um sinal de vitalidade, de dinamismo. Todavia, há sinais preocupantes nos ensinos e práticas de certos grupos. Na célebre Confissão de Fé de Westminster (1647), os puritanos ingleses colocaram a questão em termos de diferentes graus de pureza das igrejas cristãs — cap. 25.4,5 (igrejas mais puras e menos puras). Uma avaliação simpática e honesta das igrejas neopentecostais aponta para alguns aspectos que precisam ser reconsiderados a fim de que elas se tornem genuínos instrumentos do evangelho de Cristo.
O problema hermenêutico
Uma grave deficiência dessas novas igrejas está na maneira como interpretam a Bíblia. Os reformadores protestantes insistiram no valioso, porém arriscado, princípio do "livre exame das Escrituras", ou seja, de que todo cristão tem o direito e o dever de ler e estudar por si mesmo a Palavra de Deus. Acontece que muitos viram nisso uma licença para a livre interpretação do texto sagrado, o que nunca esteve na mente dos líderes da Reforma. Eles lutaram contra uma abordagem individualista e tendenciosa da Escritura, insistindo na adoção de princípios equilibrados de interpretação que levavam em conta o sentido literal e gramatical do texto, a intenção original do autor, o contexto histórico das passagens e também a tradição exegética da igreja. Por essas razões, eles rejeitaram o antigo método de interpretação alegórica, isto é, a busca de sentidos múltiplos na Escritura, por entenderam que ela obscurecia e distorcia a mensagem bíblica.
Em muitas igrejas neopentecostais nada disso é levado em consideração. A Bíblia se torna um joguete, uma peteca lançada para lá e para cá ao sabor das conveniências. Tomam-se diferentes declarações, episódios e símbolos bíblicos e, sem esforço algum de interpretação, passa-se diretamente para a aplicação, muitas vezes de uma maneira que nada tem a ver com o propósito original da passagem. O que é ainda mais grave, os textos bíblicos são usados de modo mágico, como se fossem amuletos ou talismãs, como se tivessem um poder imanente e intrínseco. A Bíblia é encarada prioritariamente como um livro de promessas, de bênçãos, de fórmulas para a solução de problemas, e não como a revelação especial na qual Deus mostra como as pessoas devem conhecê-lo, relacionar-se com ele e glorificá-lo.
Uma nova linguagem
Na sua releitura da Bíblia, os neopentecostais por vezes criam uma nova terminologia, muito diferente dos conceitos bíblicos tradicionais. Privilegiam-se expressões como "exigir nossos direitos", "manifestar a fé", "declarar a bênção", todos os quais apontam para uma espiritualidade antropocêntrica, ou seja, voltada para as necessidades, desejos e ambições dos seres humanos, e não para a vontade e a glória de Deus. Alguns dos temas bíblicos mais profundos e solenes redescobertos pelos reformadores do século 16 são quase que inteiramente esquecidos. Não mais se fala em pecado, reconciliação, justificação pela fé, santificação, obediência. O evangelho corre o risco de ficar diluído em uma nova modalidade de auto-ajuda psicológica, deixando de ser "o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê".
O conceito de fé talvez seja aquele que esteja sofrendo as maiores distorções. No discurso de muitas igrejas do pentecostalismo autônomo, a fé se torna uma espécie de poder ou varinha de condão que as pessoas utilizam para obter as bênçãos que desejam. Deus fica essencialmente passivo até que seja acionado pela fé do indivíduo. É verdade que Jesus usou uma linguagem que aparentemente aponta nessa direção ("tudo é possível ao que crê", "vai, a tua fé te salvou"). Mas o conceito bíblico de fé é muito mais amplo, a ênfase principal estando voltada para um relacionamento especial entre o crente e Deus. Ter fé significa acima de tudo confiar em Deus, depender dele, buscar a sua presença, aceitar como verdadeiras as declarações da sua Palavra. O objeto maior da fé não são coisas, mas uma pessoa — o Deus trino.
Fundamento questionável
A teologia da prosperidade, que serve de base para boa parte da pregação e das práticas neopentecostais, é uma das mais graves distorções do evangelho já vistas na história cristã. Essa abordagem teve início nos Estados Unidos há várias décadas, sob o nome de "health and wealth gospel", ou seja, evangelho da saúde e da riqueza. No neopentecostalismo, essa se torna a principal chave hermenêutica das Escrituras. Tudo passa a ser visto dessa perspectiva reducionista acerca do relacionamento entre Deus e os seres humanos. O raciocínio é que Cristo, através da sua obra na cruz, veio trazer solução para todos os tipos de problemas humanos. Na prática, acaba se dando maior prioridade às carências materiais e emocionais, em detrimento das morais e espirituais, muito mais importantes.
Tradicionalmente, as maiores bênçãos que o homem podia receber de Deus incluíam o perdão dos pecados, a reconciliação, a paz interior e, num sentido mais amplo, a salvação. Dentro da nova perspectiva teológica, as coisas mais importantes que Deus tem a oferecer são um bom emprego, estabilidade financeira, uma vida confortável, felicidade no amor e coisas do gênero. É uma nova versão da tese do sociólogo alemão Max Weber, segundo o qual os calvinistas buscavam no sucesso econômico a evidência da sua eleição. Os problemas da teologia da prosperidade são diversos: (a) falta de suporte bíblico — a Escritura aponta na direção oposta, mostrando a armadilha em que caem os que se preocupam com as riquezas; (b) empobrecimento da relação com Deus, concebida em termos interesseiros e mercantilistas; (c) incentivo a atitudes de individualismo, egocentrismo e falta de solidariedade; (d) tendência para a alienação quanto aos problemas da sociedade.
Conclusão
O neopentecostalismo representa um grande desafio para as igrejas históricas e mesmo para as pentecostais clássicas. Esse movimento tem encontrado novas formas de atrair as massas que não estão sendo alcançadas pelas igrejas mais antigas. Nem todos os grupos padecem dos males apontados atrás. Muitas igrejas neopentecostais são modestas, evangelizam com autenticidade e não se rendem à tentação dos resultados rápidos, dos projetos megalomaníacos e dos métodos incompatíveis com o evangelho. O grande problema está nas megaigrejas e seus líderes centralizadores, ávidos de fama, poder e dinheiro. Estes precisam arrepender-se e voltar às prioridades da mensagem cristã, buscando em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, para que então as demais coisas lhes sejam acrescentadas.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A referência que precisamos (Natal)






2º Coríntios - 1 - 18 : 22
Vivemos em um mundo cada vez mais desreferenciado...
Mundo que se ocupa em relativizar tudo.
Em minar e destruir qualquer tipo de âncora segura, de baliza que possa ser apontada como algo constante, absoluto e confiável.
Ouvimos seguidamente pessoas dizerem coisas do tipo: “cada um tem a sua verdade!”, “a verdade de um não é a mesma do outro!”, “qualquer verdade vale, se ela te faz feliz!”, ou “não existem verdades, tudo é relativo!”

Tudo isso não é novidade...
Também Pilatos (Jo 18.38) perguntou: “o que é a verdade?”
Existe verdade? Existe uma verdade? Existe “a” verdade?
De fato, no mundo em que vivemos, construído e definido pelo conhecimento humano, as verdades são convenções que estabelecemos, e que uma vez aceitas, se tornam nas verdades em torno das quais organizamos a vida, e a sociedade...
É impossível viver sem um sistema de crenças, de verdades... a vida de cada um de nós, de cada ser humano, é fruto de suas crenças, de suas verdades... mesmo a daqueles que afirmam que não existe verdade alguma, que se dizem agnósticos ou ateus...
Todos são fruto de suas verdades, daquilo em que acreditam!

Nesta época de Advento, na semana que antecede a comemoração do Natal, novamente somos confrontados com as muitas distorções e relativizações que se construíram em cima da comemoração do Natal.
Num dos grupos de Advento, no último Domingo, entre muitas coisas que compartilhamos, o Fernando nos contou da sua experiência no Canadá, onde na Universidade havia uma convenção politicamente correta de que se podia desejar um “happy holliday!”, mas não um “merry Christmas!”.
Muito absurdo! Pois o feriado é cristão, é a data que reservamos para lembrar o nascimento do Salvador, é para adorar a Deus pela chegada do Messias, e quem não pode ou não quer fazer isto, que suprima o feriado, não comemore, vá fazer outra coisa... como os mórmons ou testemunhas de Jeová!
Perdemos completamente as referências... Pois, no feriado que existe para celebrar o nascimento de Jesus, não poder falar nele... é dose!!!

E o que Ele diz de si mesmo?
Em Jo 14.6, aquele que celebramos diz “eu Sou a verdade!”
Noutra ocasião, Ele afirma:
“E conhecereis a verdade, e a VERDADE vos libertará!” Jo 7.33
Sim, mesmo vivendo num mundo de verdades construídas, cremos em alguém que construiu o mundo e tudo o que nele há! Alguém que é a Verdade, antes que nós pudéssemos conhecer e estabelecer qualquer verdade!
Ele não está sujeito às transitoriedades deste mundo, pois Ele mesmo as criou e fez, dentro de um propósito maravilhoso, do qual nós também fazemos parte.

No texto indicado para este dia, o apóstolo Paulo fala destas duas grandezas.
Ele estava sendo cobrado por causa de uma promessa de visita que lhes havia feito e ainda não cumprido.
Ele expõe suas razões para tanto, mas lembra aos membros da Comunidade de Corinto que, mesmo diante das falhas e limitações humanas, ele lhes havia anunciado alguém que não está sujeito à isso:
“Alguém em quem não há sombra de dúvidas!”
Alguém que não falha em suas promessas, e cumpre com cada uma delas. Nele o SIM se faz presente, pois Ele é fiel.

Ele disse que enviaria o Salvador, e pela boca do profeta Isaías (7.14) disse que seria de uma virgem, e assim o foi!
Para Miquéias (Mq 5.2) revelou que o eterno nasceria em Belém, e assim o foi.
Para Oséias (Os 11.1) falou que ele viveria sua infância no Egito, e assim o foi.
Também para Isaías (Is 9.1-2) fora dito que na Galiléia ele exerceria o seu ministério, a assim se cumpriu!
E assim são tantas outras as promessas de Deus que se cumpriram e se cumprem ao longo da história. Deus é fiel!
E assim também será em relação ao que ainda há de se cumprir!

Este mesmo Deus que no Natal afirmou o seu SIM para com a humanidade, escolheu nascer e viver no meio de nós, espera que não lhe fechemos a porta da nossa vida.
Ele também espera pelo teu SIM.
E este é o grande mistério do Advento, que foi anunciado a Maria, e desde então, se oferece a cada um de nós: Jesus nasceu, viveu entre nós e morreu em nosso lugar. Ele não veio para dar uma voltinha na Terra, ver “in loco” como é viver neste mundo, mas veio para nos resgatar. Veio por que ama a cada um de nós, e não se conforma em nos perder.

As portas se lhe fecharam em Belém, e ele acabou nascendo na estrebaria. Jo 1.11 diz que ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam... Ao morrer, diz Hb 13.12 que ele sofreu e morreu fora da porta, fora da cidade, mais uma vez excluído até a morte.
O mundo continua querendo celebrar as dádivas, a graça e o amor de Deus, sem a presença dele.
Continuam celebrando o Natal, sem querer acolher o Salvador!

Para cada pessoa que “cai em si”, e compreende que este mundo tem dono, que existe uma verdade, não construída, mas eterna, e que Ele quer ser acolhido em nossos corações, ela recebe um SELO.
Ela recebe e a marca de que é, doravante, propriedade de Deus.
E não há força, não há poder no mundo, que possa tirar tal pessoa das mãos de seu Deus!
Podem até lhe tirar a vida, como no Irã, a tiraram do pastor Tourani, nesta semana, por anunciar o Senhor do Natal.
Sim, os inimigos de Deus podem fazer qualquer coisa, menos me arrancar das mãos de meu fiel Senhor.
Assim Paulo canta em Rm 8.31: nada pode nos separar do amor de Cristo! Nada fora de nós mesmos pode destruir a nossa fé!

E qual é a garantia? Qual é este SELO?
É o próprio Espírito Santo, dado e derramado sobre todo o que crê!
É aí que se consuma a alegria do verdadeiro Advento!
É quando a obra conquistada e consumada por Deus em Jesus chega aos nossos próprios corações e toma conta das nossas vidas.
A alegria do Espírito Santo em nossos corações se torna tal, que não temos dúvidas.
Estamos entre os selados. Somos de Cristo. Novas criaturas.
Podemos ter a certeza da salvação!
Agora vivemos pela Verdade e para a Verdade.
Nosso hiato de vida neste mundo se torna apenas um pequeno prelúdio do que um dia será a plenitude da vida no Reino da Trindade.
Diante de tal superioridade e grandeza, Paulo pode chegar a afirmar que até a morte se torna em lucro! Fp 1.21
Diante desta expectativa, ele até chega a gemer por ser revestido de um novo corpo, espiritual, o corpo da habitação celestial (2 Cor 5.2).

Amados, não deixemos que o brilho das luzes deste mundo nos ofusque, a tal ponto de não mais percebermos as verdades eternas.
De não atentarmos quando o Salvador bate a nossa porta, e dizermos como o dono das hospedarias em Belém, quando do seu nascimento: “infelizmente, aqui não há lugar para ti!”.
Está cheio... minha casa está lotada... não há espaço para abrigá-lo!
As coisas deste tempo, deste mundo, tomaram todo meu tempo, minhas energias e meu esforço! Minha agenda está lotada. Deus, não há lugar para ti. Eu até gostaria, mas... não dá!
Meu trabalho, meus esforços, vês que procuro ser correto, honesto, mas tá cheio, tu não cabes mais aí!!!!
Não tenho mais olhos para esperar e crer num Salvador...

Mesmo que você ande decepcionado, frustrado, com o seu trabalho, com as pessoas, com os governos, com tantas coisas, e até consigo mesmo, há uma boa nova:
Deus em sua graça ainda olha para você e lhe espera com um SIM!
Sim, eu te amo!
Sim, Eu quero cuidar de ti, te restaurar, te consolar, te fortalecer, te dar uma nova vida, com novos valores, sentido, esperança...
O que ainda esperas?
Entramos na semana do Natal?
Jesus ficará mais uma vez batendo do lado de fora, sem encontrar um lugar em tua vida, tua família?
Pense nisso!!!
Enquanto oramos, eu gostaria de convidar à todos aqueles que nunca tiveram a oportunidade de abrir a porta, de dizer, sim Senhor, eu quero que entres, eu quero que sejas não só o dito Messias nascido em Belém, há mais de dois mil anos, mas que sejas também o MEU SALVADOR, a estes eu convido para ficarem de pé, como um sinal concreto diante de Deus da sua disposição em viver uma vida NOVA, recebendo o Espírito Santo como selo e garantia de sua salvação!
Deus nos abençoe.