quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA


Fazer hermenêutica é saber que só existe elefante de quatro pernas. Embora, muitos hermeneutas têm visto elefantes de cinco ou mais pernas. Às vezes o que você pensa que vê não condiz com a realidade. Todo cuidado é pouco.

DEFINIÇÕES: 

n      HERMENÊUTICA: A palavra hermenêutica significa explicar, interpretar ou expor. Do grego ερμηνευειν − hermeneuein = INTERPRETAR. Nas Escrituras é usado em quatro versículos: João 1.42; 9.7; Hebreus 7.2 e Lucas 24.27. O termo Hermenêutica, portanto, descreve simplesmente a prática da interpretação.

n      EXEGESE: do Grego εξηγησιs − exégesis ek+egéomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto. Não se trata de pôr algo no texto (eis-egesis) e sim de tirar o que já existe no texto (ex-egesis).

         Uma das Funções do pastor ou pregador leigo é explicar (interpretar) a Bíblia – Ne 8.8 “A missão do intérprete é servir de ponte entre o autor do texto e o leitor“. (J.Martínez, Hermeneutica Biblica, p. 34)


ALGUNS TERMOS IMPORTANTES E SEUS SIGNIFICADOS

n      Antilegomena = Escritos bíblicos que em certo momento foram questionados; 
n      Apócrifos = Livros supostamente do Antigo Testamento, mas que não possuem embasamento para comprovar a autenticidade quanto a seu caráter profético;  
n      Cânon = Do grego “kánon”, e do hebraico “kaneh”, regra; lista autêntica dos Livros considerados como inspirados;  
n      Epístolas = Cartas;  
n      Evangelho = Boas Novas;  
n      Homologomena = Livros bíblicos aceitos por todos e que em momento algum foram questionados;  
n      Paráfrase = Tradução livre ou solta, onde o objetivo é traduzir a idéia e não as palavras;  
n      Pseudo-epígrafos = Falsos escritos. Livros não bíblicos, cujos escritos se desenvolvem sobre uma base verdadeira, seguindo caminhos fantasiosos;  
n      Septuaginta = LXX de Alexandria. Bíblia traduzida para o grego por judeus e gregos de Alexandria, incluindo os Livros apócrifos;  
n      Sinópticos = Síntese. Os três primeiros evangelhos são chamados de evangelhos sinópticos, pois sintetizam a vida de Jesus de forma harmoniosa;  
n      Testamento = Aliança, Pacto, Acordo;  
n      Tradução = Transliteração de uma língua para outra;  
n      Variantes = Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo texto, mediante comparação. Elas atestam o grau de pureza de um escrito;  
n      Versão = Tradução da língua original para outra língua.


PRESSUPOSTOS BÁSICOS QUE DEVEMOS TER PARA FAZER UMA BOA EXEGESE.
(ninguém faz exegese sem pressupostos) 

 A existência deDeus Deus existe e atua na história. Milagres e profecia são possíveis. Portanto, podemos interpretar os relatos da atividade sobrenatural de Deus como história e não mito.
 RevelaçãoProgressiva Deus se revelou progressivamente. A revelação não foi dada de uma única vez. Portanto, devo ler o texto bíblico comparando as suas diferentes partes considerando a unidade.
Inspiração eAutoridade Os escritores bíblicos foram movidos pelo Espírito, de tal forma que seus escritos são inspirados por Deus. Portanto, são autoritativos e infalíveis.
 História daRedenção A Bíblia deve ser lida como o registro dos atos redentores de Deus na história. Portanto, a Bíblia deve ser lida, não como um manual de ciências, astronomia, geografia ou física, mas como um livro teológico.
 Cristo Devemos ler a Bíblia sabendo antecipadamente que Cristo é a substância de todos os tipos e símbolos do AT, do pacto da graça e de todas as promessas. Cristo, portanto, é a própria substância, centro, escopo e alma das Escrituras.
 Cânon O cânon protestante das Escrituras é a coleção feita pela Igreja de livros que ela reconheceu que foram dados pela inspiração de Deus. Cada livro deve ser lido e entendido dentro deste contexto canônico, que é o contexto apropriado para a interpretação.


ATITUDES ERRADAS FRENTE À BÍBLIA
n      O RACIONALISMO – coloca a mente humana acima da revelação divina. Tira tudo o que é tido como sobrenatural, como os milagres.  
n      O MISTICISMO – coloca os sentimentos ou a experiência humana acima da revelação de Deus. O neo-pentecostalismo extremado, por exemplo, que aceita as “novas revelações” em detrimento às Escrituras.  
n      O ROMANISMO – põe a igreja acima da Bíblia. A tradição e as declarações papais “ex cátedra”, tem a mesma autoridade da Bíblia.  
n      AS SEITAS – elevam os escritos de seu fundador acima das Escrituras. Ex: Mormonismo, Tabernáculo da fé, Adventismo, Testemunhas de Jeová etc.  
n      A ALTA CRÍTICA – coloca as pressuposições do crítico liberal acima da Bíblia. Colocam às Escrituras em pé de igualdade com qualquer outro livro. Ou a Bíblia está acima de qualquer livro ou não é o livro de Deus.   
n      A NEO-ORTODOXIA – diz que a Bíblia não é a Palavra de Deus, senão que se transforma em Palavra de Deus quando fala ao coração do leitor. De maneira sutil, se transmite assim a autoridade das Escrituras ao leitor, onde à luz de “seu coração” se quando Deus fala e quando não. (contra Jr 17.9).  
n      OUTRAS “ESCRITURAS” – Com freqüência se diz que a Bíblia é só mais um livro sagrado. Se afirma que as outras religiões também têm suas escrituras autoritativas. É evidente que nenhuma destas «escrituras», com exceção do Alcorão, pretende ser uma revelação de Deus.


VERDADE DE DEUS
REVELAÇÃO
INSPIRAÇÃO
PRESERVAÇÃO
TRADUÇÃO
INTERPRETAÇÃO
POVO DE DEUS HOJE
Estágios da Verdade Divina
Como a verdade chegou até nós

VERDADE ABSOLUTA existe na mente de Deus
Pela REVELAÇÃO a verdade vem à mente do escritor numa forma antropomórfica
Pela INSPIRAÇÃO essa revelação se torna Escritura que é infalível e inerrante
Pela PRESERVAÇÃO temos os presentes textos que devem ser comparados para serem exatos em sua essência
Pela TRADUÇÃO obtemos nossas versões no vernáculo que nós tentamos tornar essencialmente fiéis
Pela INTERPRETAÇÃO a revelação vem à mente dos leitores apresentando a verdade original que veio da mente de Deus
OS DISTANCIAMENTOS:
n      Distanciamento temporal – A Bíblia está séculos distante de nós.
n      Distanciamento contextual – Os livros da Bíblia foram escritos em várias situações diferentes. 
n      Distanciamento cultural – O mundo em que os escritores da Bíblia viveram já não existe.
n      Distanciamento lingüístico – As línguas em que a Bíblia foi escrita também já não existem.
n      Distanciamento autorial – Os autores já estão mortos.
A natureza divina da Bíblia, por sua vez, provoca outros tipos de distanciamentos:

n      Distanciamento natural – a distância entre Deus e nós é imensa.
n      Distanciamento espiritual — somos pecadores.
n      Distanciamento moral – é a distância que existe entre seres pecadores e egoístas e a pura e santa Palavra que pretendem esclarecer.
HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA – PRINCÍPIO
n      Esdras – Ne 8.8 “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”.
No tempo de Cristo, a exegese judaica podia classificar-se em 4 tipos:
1. Método Literal – referido como peshat (despir, depenar). Não se procurava um sentido além da passagem bíblica.
2. Interpretação Midráshica – rabi Hillel. Era mais espiritualista perdendo a visão do texto.
3. Interpretação Pesher – comunidades de Qumran. Era midráshica mais com enfoque escatológico. Mais aplicação do que interpretação.
4. Exegese Alegórica – o verdadeiro sentido jaz sob o significado literal das Escrituras. O alegorismo foi desenvolvido pelos gregos.
Os rabinos usavam às vezes peshat, outras vezes, midrash.
n      Filo (c. 20 a.C. – c. 50 d.C.) Acreditava que o significado literal era para os imaturos e o alegórico para os maduros. Filo considerava a história de Adão e Eva uma fábula. E outras passagens como mito.
HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA
do 2º ao 4º século
n      Escola de Alexandria
                     Clemente
                     Origines
n      Escola de Antioquia
                     Luciano
Em termos práticos, Alexandria nos ensina a ter cautela com a interpretação dos “espirituais”. Antioquia nos ensina: Evitar a subjetividade descontrolada
PAIS LATINOS – AGOSTINHO E JERÔNIMO

Principais Características Hermenêuticas
n        Preferência pelo Literal
n        Contexto histórico
n        Intenção autoral
n        Alegorias ocasionais
n        Escritura  com Escritura
n        Regra de Fé da Igreja
REGRAS DE INTERPRETAÇÃO DE AGOSTINHO
  1. O intérprete deve possuir fé cristã autêntica;
  2. Deve-se ter em alta conta o significado literal e histórico da Escritura;
  3. A Escritura tem mais que um significado e, portanto, o método alegórico é adequado;
  4. Há significado nos números bíblicos;
  5. O A. T. é um documento cristão, porque Cristo está retratado nele;
  6. Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer;
  7. O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo;
  8. Um versículo deve ser estudado em seu contexto, e não isolado dos demais que o cercam;
  9. Se o significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir matéria de fé ortodoxa;
  10. O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender a Escritura. O intérprete deve conhecer hebraico, grego, geografia e outros assuntos;
  11. A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara;
  12. O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.

         (na prática, Agostinho renunciou à maioria de seus princípios e inclinou-se para uma alegorização excessiva).
AS ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO
n      As escolas de teologia – nas catedrais. Surgem como contraponto aos mosteiros

n      O judeu Rashi (Rabi Salomão bem Isaque – 1040-1105)
         Comentarista da Bíblia Hebraica e Talmude Babilônico 

n      Publicação da obra de Maimônides (1135-1204) – “Guia para os perplexos“. A lei pode ser aplicada e interpretada literalmente

n      Surgimento das ordens mendicantes
         Francisco de Assis – Interpretação literal dos Evangelhos.

n      Tradução das Escrituras para o vernáculo
         João Wycliffe – (1328-1384) Tradução da Vulgata latina para o inglês.
         O ressurgimento na Idade Média do interesse do método gramático-histórico contribuiu para a Reforma.
IDADE MÉDIA
(Séc. 5º ao 16º)
Prevaleceu o Sistema de Interpretação Difundido por Alexandria. Antecipou os princípios histórico-gramaticais dos Reformadores
n       João Cassiano (435 AD) – Quadriga: 
                   Histórico ou literal – o sentido óbvio do texto 
                   Alegórico ou cristológico – sentido mais profundo. Aponta para Cristo 
                   Tropológico ou moral – conduta do cristão 
                   Anagógico ou escatológico – o que o cristão devia esperar
n       As Escrituras possuem diversos sentidos
                   Bernardo de Claraval
                   Nicolau de Lira
                   Boaventura
O MÉTODO DE CALVINO
A Hermenêutica de Lutero
Entre a hermenêutica medieval e a obra de Calvino, devemos situar o trabalho e Martinho Lutero (1438-1546). Com o afã de viver de acordo com o modelo de Agostinho (354-430), Com a Reforma a Bíblia toma o lugar que antes pertencera a hierarquia Católico Romana. Lutero não se viu livre da alegoria. Seu trabalho, contudo, trouxe inestimáveis contribuições à igreja cristã.

Calvino e seu uso do método Histórico-Gramatical
n       Calvino faz um uso mais desenvolvido do método histórico-gramatical. Ele tenta levá-lo às últimas conseqüências e manter uma coerência metodológica ao analisar textos do Novo e do Antigo Testamento. Por estas razões não é exagero dizer que ele foi o maior pensador de seus dias e o grande exegeta da Reforma.
n      Princípios da Hermenêutica de Calvino
1. Renúncia à alegorese e enfática denúncia da mesma como sendo uma arma de deturpação do sentido da Escritura
2. Ênfase no sentido literal do texto
Calvino defende que cada texto tem um, e somente um, sentido, que é aquele pretendido pelo autor humano. Ele esclarecia aos seus leitores que há passagens que são nitidamente figurativas e outras simbólicas, estas devem ser interpretadas como demonstra ser a intenção do autor.
3. Dependência da operação do Espírito Santo para a correta interpretação da Bíblia
4. Valorização do estudo das línguas originais para melhor compreensão do ensino sagrado
5. Tipologia equilibrada, evitando impor a textos veterotestamentários simbolismos que eles não suportam
6. A melhor arma para interpretar a Bíblia é a própria Bíblia Este tem sido considerado o princípio áureo da hermenêutica reformada.
OS REFORMADORES: CARACTERÍSTICAS
n      Ênfase no Literal
n      Iluminação do Espírito Santo
n      Estudos das Escrituras – Escritura com Escritura
n      Intenção Autoral
n      Uso de Outras Fontes
n      Linguagem Figurada
n      Os reformadores desenvolveram um sistema de interpretação que representou um rompimento radical com a hermenêutica  alegórica medieval.
n      Rejeição do método alegórico e ênfase no sentido literal, gramático-histórico do texto.
n      Uma passagem só tem um sentido, e esse é literal.
n      A necessidade da iluminação do Espírito Santo
n      O homem é caído – A Escritura é divino-humana
n      A necessidade de se estudar às Escrituras
n      A Bíblia é um livro humano. Divino quanto a origem. A intenção do autor humano
n      Possui passagens obscuras que precisam ser esclarecidas
n      Necessidade de uma teologia sistemática
MODERNIDADE
n      Racionalismo          X         Empirismo
   
Descartes                              Locke
    Spinoza                              Berkeley
     Leibniz                                 Hume
Mesmo sendo teoricamente contrárias entre si, as duas filosofias concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano
n      Impacto do Iluminismo
    Rejeição dos Milagres
     Distinção entre Fé e História
     Erros nas Escrituras
     Exegese Controlada Pela Razão
n      Surgimento das Metodologias Críticas
                   Críticas das Fontes
                   Crítica da Forma
                   Crítica da Redação
PÓS-MODERNISMO
O Iluminismo e Racionalismo
n      O surgimento do Método Histórico-Crítico da Bíblia está associado às mudanças que ocorrem no pensamento humano e, conseqüentemente, na cosmovisão da época 

Iluminismo: Início do Séc. XVIII
n      Revolta contra a religião institucionalizada
                   – Filosofias:
                   Racionalismo: Descartes, Spinoza e Leibniz
                   Empirismo: Locke, Berkeley e Hume
                   Deus: uma hipótese desnecessária
                   – Teologia: Deísmo: Deus não intervém na história (Início da teologia liberal).

Características:
n      Rejeição do sobrenatural e da revelação
n      O sobrenatural não invade a história
n      História: resultado de causa e efeito
n      Os relatos históricos da Bíblia, são construções do povo de Israel e da Igreja Primitiva
n      A exegese é controlada pela razão 
n      - Razão: a medida suprema da verdade
n      Fé + Racionalismo = Método Histórico-Crítico
RESUMO DA HISTÓRIA DA INTERPRETAÇÃO
n      Na Idade Antiga Alegoria
n      Na Idade Média Dogma
n      Na Reforma Escritura
n      Pós-Reforma Confissões
n      Período Moderno Razão
COMPARATIVO ENTRE AS ESCOLAS
Escola de AlexandriaEscola de AntioquiaPais Latinos
ÉpocaEntre os séculos II e IVInício do século IVEntre os séculos IV e V
SurgimentoBaseada na filosofias de Heráclito e Platão, que influenciaram FiloFundada por Luciano de Samosata,em oposição consciente ao método alegórico de AlexandriaPais da Igreja, cujas obras foram escritas em latim
Tipo de Interpretação proeminenteAlegóricaLiteralLiteral, com algumas inconsistências
Principais características
  • Huponóia – o verdadeiro sentido está além das palavras
  • Alegorese – dizer uma coisa em termos de outra
  • Procurar descobrir sentido oculto, o qual é revelado somente aos “espirituais”
  • Atenção ao sentido literal do texto
  • Abordagem gramático-histórica
  • Uso de tipologia
  • Buscar a intenção do autor
  • Teoria – buscar o sentido mais que literal, permanecendo fiel ao sentido literal
  • Favoreciam a interpretação literal
  • Davam atenção ao contexto histórico da passagem
  • As vezes, alegorizavam o V. T.
  • Passagens obscuras devem ser interpretadas à luz das mais claras
Principaisrepresentantes
  • Clemente de Alexandra
  • Orígenes
  • Teófilo de Antioquia
  • Deodoro de Tarso
  • Teodoro de Mopsuéstia
  • João Crisóstomo
  • Tertuliano
  • Jerônimo
  • Agostinho
  • Ticônio
ConclusõesDiminui o caráter histórico das passagens bíblicasEnfatiza o caráter histórico das passagens, mantendo-se fiel ao sentido original dos textosInfluenciou a Igreja ocidental, em especial a obra de Agostinho, visto como um precursor das idéias da Reforma
Implicações PráticasTer cautela com o uso de alegorias, ultrapassando o sentido simples, claro e evidente das EscriturasTer cautela para evitar o extremo de buscar somente o sentido do texto no passado, sem aplicá-lo ao presenteEvitar que pressupostos pessoais (preconceitos) possam influenciar na interpretação das Escrituras

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II-IIIALEXANDRIAPlatonismoClemente de AlexandriaOrígenesAlegóricaUso do PlatonismoVários níveis de sentido
PÓSAPOSTÓLICOIVANTIOQUIALuciano de SamosataDeodoro de TarsoJoão CrisóstomoGramático-históricaTheoriaOposição à Alexandria
Intenção do autor
IV-VPAIS LATINOSNeo-PlatonismoTicônioAgostinhoJerônimo
Tertuliano
Interpretação literalPor vezes, alegorizavam o textoExegese dominada pelas questões teológicas
LINHAALEGÓRICAJoão CassianoGregório, o Grande4 sentidos da EscrituraDesejo de justificar os dogmas da IgrejaAnalogia da fé
IDADEMÉDIAVI-XVILINHAGRAMÁTICO-HISTÓRICAAristotelianismoMonges de São VictorTomás de AquinoSurgimento das escolas de teologiaContato com estudiosos judeus (Rashi)Abordagem gramático-histórica
REFORMAXVIGRAMÁTICO-HISTÓRICACalvinoLuteroRejeição do método alegóricoGramático-históricoEscritura com Escritura
Iluminação do Espírito Santo
PÓSREFORMAXVIIESCOLASTICISMO E PURITANISMOTurretiniJohn OwenRichard Baxter
R. Sibbes
Th. Goodwin
M. Henry
ControvérsiasConfessionalismoSistematização
Controle da teologia sobre exegese
Cristo como centro das Escrituras
Interpretar para aplicar
MODERNOXVII-XXHISTÓRICO-CRÍTICAMétodos produzidos: Crítica das Fontes, Forma, Redação, etc.Racionalismo e EmpirismoKeilStäudlinJ. Eichhorn
Strauss
Ernesti
J. Semler
F. Baur
H. Günkel
R. Bultmann
DiacrônicasRazão como critério e métodos como ferramentaSeparação entre teologia e exegese, os 2 testamentosAbandono da inspiração e inerrância

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PÓS
MODERNO
XXNOVA CRÍTICA LITERÁRIAExistencialismo x positivismoT. S. ElliotAspectos literáriosTexto é auto-suficienteIntenção autorial e contexto histórico são irrelevantes
ESTRUTURALIS-MOF. Saussure“Lange e Parole”Estrutura lingüística comum a todos os idiomasO sentido está no texto, em sua estrutura
READER RESPONSEHermenêuticas de Libertação 
Hermenêuticas Feministas
 Filosofia hermenêuticaH-G GadamerA verdade é relativaHermenêutica não é método mas epistemologia (filosofia)Fusão de Horizontes
Importância dos pressupostos
DESCONSTRU-CIONISMOJacques DerridaNão há verdade absolutaPluralidade da verdadeSuspeita
Achar rupturas no texto para desconstruí-lo

 O AUTOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO
significado é aquele que o escritor, conscientemente, quis dizer ao produzir o texto. É importante verificar o que o autor disse em outro escrito. O que Lucas registrou em seu Evangelho poderá ser mais esclarecedor se comparado com Atos, outro registro de Lucas. Devemos levar em conta os idiomas da época: aramaico, hebraico e grego. Eles possuem um significado que não pode variar. Por outro lado, o texto está limitado ao que o autor disse exatamente? Por exemplo: lemos em Efésios 5.18: “Não vos embriagueis com vinho”. Alguém poderia dizer: “Paulo proíbe que nos embriaguemos com vinho, mas acho que não seria errado embriagar-se com cerveja, rum, ou outra droga”. Os escritos do apóstolo vão além de sua consciência, embora essas implicações não contradigam o significado original, antes fazem parte do texto e seu objetivo. Compreendemos então o mandamento paulino como um princípio, pois mesmo que o autor não esteja ciente das circunstâncias futuras, ele transmitiu  exatamente a sua intenção.
O TEXTO COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO

Alguns eruditos afirmam que o significado tem autonomia semântica, sendo completamente independente do que o autor quis comunicar quando o escreveu. De acordo com esse ponto de vista, quando um determinado escrito se torna literatura, as regras normais de comunicação não mais se lhe aplicam, transformou-se em texto literário. O que o texto está realmente dizendo sobre o assunto? Analisando o relato em Marcos 4.35-41 Qual é o objetivo do texto? Informar sobre a topografia do mar da Galiléia ou o mal tempo naquela circunstância? Seu objetivo era falar sobre Jesus Cristo, Filho de Deus. O significado que Marcos queria transmitir está claro: “Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (4.41). O autor queria transmitir que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Filho de Deus. Ele é o Senhor e até mesmo a natureza está sujeita a ele!

O LEITOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO
Segundo essa perspectiva, o que determina o significado é o que o leitor compreendedo texto. O leitor atualiza a interpretação do texto. Leitores distintos encontram diferentes significados, isso porque o texto lhes concede permitir essa multiplicidade. É relevante o que pensa o leitor? Isto poderia influenciar o sentido do texto? Se compreendermos que há diferença de interpretação entre um leitor crente e outro que é ateu, a resposta é sim! Contudo, é necessário que o leitor esteja em condições de entender o texto. Ao verificar como as palavras são usadas nas frase, como as orações são empregadas nos parágrafos, como os parágrafos se adequam aos capítulos e como os capítulos são estruturados no texto, o leitor procurará compreender a intenção do autor. O texto, em sua íntegra, ajudará o leitor a compreender cada palavra individualmente. Assim sendo, as palavras, ou conjunto de palavras, ajudam a compreender o todo.
O PROCEDIMENTO EXEGÉTICO  ERRADO
n      O procedimento errado.
         Ler o que muitos comentários dizem com sendo o significado da passagem e então aceitar a interpretação que mais lhe agrade.
         Este procedimento é errado pelas seguintes razões:
a) encoraja o intérprete a procurar interpretação que favorece a sua preconcepção;
b) forma o hábito de simplesmente tentar lembrar-se das interpretações oferecidas. Isto para o iniciante, freqüentemente resulta em confusão e ressentimento mental a respeito de toda a tarefa da exegese.
         Isto não é exegese, é outra forma de decoreba e é muito desinteressante e perigoso. Os comentaristas não são infalíveis.
O péssimo resultado e mais sério do “procedimento errado” na exegese é que próprio interprete não pensa por si mesmo. As convicções que você mesmo buscou e absorveu ficam pra vida toda.
CINCO REGRAS CONCISAS
n      interpretar lexicamente. É conhecer a etimologia das palavras, o desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento sob consideração.
n      interpretar sintaticamente: o interprete deve conhecer os princípios gramaticais da língua na qual o documento está escrito, para primeiro, ser interpretado como foi escrito.
n      interpretar contextualmente. Deve ser mantido em mente a inclinação do pensamento de todo o documento. Então pode notar-se a “cor do pensamento”,que cerca a passagem que está sendo estudada.
n      interpretar historicamente: o interprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado escrito vir à existência.
n      interpretar de acordo com a analogia da Escritura. A Bíblia é sua própria intérprete. diz o princípio hermenêutico.
APRENDA A EXAMINAR O CONTEXTO

n      Contexto Imediato
A. Leia a passagem em pelo menos 3 traduções diferentes.
B. O que precede e se segue imediatamente à passagem?
C. Há algumas definições fornecidas pelo contexto imediato?
D. Qual é o argumento principal do capítulo inteiro?
E. Qual é o ponto principal da própria passagem?
F. Qual é o entendimento consistente da passagem no contexto?
n      Contexto Amplo
A. A minha interpretação faz essa passagem contradizer com
1. o próprio autor?
2. outras passagens bíblicas?
3. com o bom senso?
B. Quais outras passagens na Escritura lançam luz sobre os assuntos levantados nessa passagem?
ALGUMAS PERGUNTAS IMPORTANTES:
1. Quem escreveu/falou a passagem e para quem era endereçada?
2. O que a passagem diz?
3. Existe alguma palavra ou frase nesta passagem que precise ser examinada?
4. Qual é o contexto imediato?
5. Qual é o contexto mais amplo exposto no capítulo e no livro?
6. Quais são os versículos relacionados ao assunto da passagem e como eles afetam a compreensão desta?
7. Qual é o fundo histórico e cultural?
8. Qual a conclusão que eu posso tirar desta passagem?
9. As minhas conclusões concordam ou discordam de áreas relacionadas nas Escrituras ou com outras pessoas que já estudaram esta passagem?
10. O que eu posso aprender e aplicar à minha vida?
UM PROCEDIMENTO HERMENÊUTICO DE 6 PASSOS
n      1º Passo: Análise Histórico-Cultural e Contextual
         Consideramos o ambiente histórico-cultural do autor para melhor compreendermos suas alusões e objetivos.
n      2º Passo: Análise Léxico-Sintática
         Visa compreendermos a definição das palavras (lexicologia) e sua relação com as outras (sintaxe) para que entendamos melhor o sentido texto. Neste momento é fundamental um bom conhecimento de português e, se possível, de grego e hebraico.
n      3º Passo: Análise Teológica
         Consideramos o nível de conhecimento teológico do público alvo na época em que o texto foi escrito, levando em conta os textos correlatos para seus primeiros destinatários.
n      4º Passo: Análise Literária
         Identifica a forma ou método literário utilizado numa passagem em particular (metáforas, antropomorfismos etc.) visando uma interpretação mais adequada.
n      5º Passo: Comparação com Outros Intérpretes
         Comparar o produto dos quatro passos acima com trabalhos de outros intérpretes sobre do mesmo texto.
n      6º Passo: Aplicação
         Traduzir o significado original do texto, obtido pelos 5 passos acima, para a nossa própria época e cultura.
10 PROPÓSITOS DAS CITAÇÕES DO A. T.
  1. Mostrar como certos eventos cumpriram predições do A.T. (Ex: Mt 21.4 e Zc 9.9).
  2. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Rm 1.17 e Hc 2.4).
  3. Para aplicar um acontecimento do A.T. a Cristo (Mt 2.15 e Os 11.1).
  4. Para mostrar um paralelo com algum acontecimento do A.T. (Ro 8.36 e Sl 44.22).
  5. Para utilizar as mesmas palavras que o A.T. (Mt 27.46 e Sl 22.1).
  6. Para aplicar um princípio do A.T. a uma situação do N.T. (Ro 9.15 e Ex 33.19).
  7. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Mc 10: e Gn 2.24).
  8. Para explicar mais plenamente uma verdade do A.T. (Mt 22.43-44 e Sl 110.1).
  9. Para mostrar que um acontecimento do N.T. está de acordo com um princípio do A.T. (At 15.16-17 e Amós 9.11-12).
  10. Para esclarecer um princípio ou uma verdade do N.T. (Ro 10.16 e Is 53.1).

ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA

a) Determinar a forma literária geral
n      Sentido Literal: Coroa de ouro na cabeça do rei
n      Sentido Figurativo: Não me chame de coroa pois eu sou muito novo.
n      Sentido Simbólico: “vi uma coroa de 7 pontas que eram 7 nações”.
b) Observar as divisões naturais do texto
n      Divisões em versículos e capítulos (úteis na localização de passagens) dividem o texto de modo antinatural.
n      Algumas versões mantêm a numeração, mas organizam o texto em parágrafos. Atos 8:1 depende completamente de Atos 7:60.
c) Observar os conectivos dentro de parágrafos e sentenças
d) Determinar o sentido das palavras (Ex: carne)
e) Como determinar o sentido das palavras?
n      Entender os estilos diversos. Determinar se a palavra está sendo utilizada como parte de uma figura de linguagem ou não.
n      Estudar passagens paralelas.
ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL
a) Determinar o contexto histórico-cultural geral
• Situação política, econômica e social;
• Costumes relacionados ao texto em questão;
• Nível de comprometimento espiritual do “público alvo”.

b) Contexto histórico-cultural específico e objetivos de um livro
• Quem foi o autor? Qual era seu ambiente e sua experiência espiritual?
• Para quem estava escrevendo? (crentes fiéis, crentes em pecado, incrédulos, apóstatas, etc.)
• Qual foi a finalidade (intenção) do autor ao escrever este livro?

c) Desenvolver uma compreensão do contexto imediato
• Entender como o livro é organizado (montar um esboço por assunto);
• Saber contextualizar a passagem em análise na argumentação corrente o autor;
• Saber identificar a perspectiva do autor:
i. Numenológica: Perspectiva Divina, absoluta (geralmente relacionadas a questões morais);
ii. Fenomenológica: Perspectiva humana, relativa (relacionadas a questões naturais, físicas).
d) Distinguir passagens descritivas de prescritivas
• A ação de Deus numa passagem narrativa nem sempre significa que Deus sempre opera deste modo com os crentes.
• Ações humanas descritas na Bíblia, se não forem claramente aprovadas por Deus, devem ser avaliadas. A Bíblia também registra os erros dos homens de Deus.

e) Distinguir o núcleo de ensino de uma passagem de detalhes incidentais
Ex: Uma vez que o filho pródigo voltou para o Pai sem a necessidade de um mediador, então alguém poderia concluir que Jesus não é essencial para a salvação.

f) Definir a quem se destina cada promessa, sentença, ordenança, etc.
REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO
As regras de interpretação se dividem em quatro categorias: gerais, gramaticais, históricas e teológicas. É necessário que o estudante da bíblia se familiarize com essas regras básicas de interpretação.
  1. 1.      Princípios gerais de interpretação


Regra 1: Trabalhe partindo da pressuposição de que a Bíblia tem autoridade.
Regra 2: A Bíblia é seu intérprete; a Escritura explica melhor a Escritura.
Regra 3: A fé salvadora e o Espírito Santo são-nos necessários para compreendermos e interpretarmos bem as Escrituras.
Regra 4: Interprete a experiência pessoal à luz da escritura, e não a Escritura à luz da experiência pessoal.
Regra 5: Os exemplos bíblicos só têm autoridade quando amparados por uma ordem.
Regra 6: O propósito primário da Bíblia é mudar as nossas vidas, não aumentar o nosso conhecimento.
Regra 7: Cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretar pessoalmente a Palavra de Deus.
Regra 8: A história da Igreja é importante, mas não decisiva na interpretação da Escritura.
Regra 9: As promessas de Deus na Bíblia toda estão disponíveis ao Espírito Santo a favor dos crentes de todas as gerações.




2. Princípios gramaticais de interpretação




Regra 10: A Escritura tem somente um sentido, e deve ser tomada literalmente.
Regra 11: Interprete as palavras no sentido que tinham no tempo do autor.
Regra 12: Interprete a palavra em relação à sua sentença e ao seu contexto.
Regra 13: Interprete a passagem em harmonia com o seu contexto.
Regra 14: Quando um objeto inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada figurada.
Regra 15: Quando uma expressão não caracteriza a coisa descrita, a proposição pode ser considerada figurada.
Regra 16: As principais partes e figuras de uma parábola representam certas realidades. Considere somente essas principais partes e figuras quando estiver tirando conclusões.
Regra 17: Interprete as palavras dos profetas no seu sentido comum, literal e histórico, a não ser que o contexto ou a maneira como se cumpriram indiquem claramente que têm sentido simbólico. O cumprimento delas pode ser por etapas, cada cumprimento sendo uma garantia daquilo que há de seguir-se.




3. Princípios históricos de interpretação




Regra 18: desde que a Escritura originou-se num contexto histórico, só pode ser compreendida à luz da história bíblica.
Regra 19: Embora a revelação de Deus nas Escrituras seja progressiva, tanto o V.T. como o N.T. são partes essenciais desta revelação e formam uma unidade.
Regra 20: Os fatos ou acontecimentos históricos se tornam símbolos de verdades espirituais, somente se as Escrituras assim os designarem.




4. Princípios teológicos de interpretação




Regra 21: Você precisa compreender gramaticalmente a Bíblia, antes de compreende-la teologicamente.
Regra 22: Uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que resuma e inclua tudo o que Escritura diz sobre ela.
Regra 23: Quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiantemente que elas se explicarão dentro de uma unidade mais elevada.
Regra 24: Um ensinamento simplesmente implícito na Escritura pode ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens correlatas o apóia.

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS


BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
FEE, Gordon D. e STUART, Douglas. Entendes o Que Lês? São Paulo: Editora Vida Nova, 1982.
GEISLER, Norman. e HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas Enigmas e “Contradições” da Bíblia. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2001.
LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
VANHOOZER, Kevin. Há um Significado Neste Texto? São Paulo: Editora Vida, 2005.
VIRKLER, Henry. Hermenêutica Avançada: Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Vida, 2001.
CURSO DE EXEGESE E HERMENÊUTICA
Pr. Antonio P. da C. Júnior – 2006

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

AUTORIDADE PASTORAL

AUTORIDADE PASTORAL




Por David Cloud (excelente seu site, http://www.wayoflife.org !), traduzido por Luis Henrique L’Astorina




O QUE SEGUE SÃO VERDADES BÍBLICAS SOBRE A AUTORIDADE PASTORAL

1-) Existem certos homens nas Igrejas chamados “presidentes” e supervisores (Atos 20:28; 1 Tessalonicenses 5:12; Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:1; Tito 1:7).

Estes versos ensinam que aqueles quais Deus chama de pastores (o mesmo oficial também é chamado de ancião e de bispo) têm autoridade sobre as assembléias. Outros Cristãos são submissos à sua autoridade. Os pastores estão sobre o Cristão, no Senhor.

Quando eu honro e me submeto a eles, eu não estou me submetendo simplesmente a um homem; eu estou me submetendo ao Senhor e ao Sumo Pastor da Igreja. Muitas mulheres poderiam compartilhar conosco histórias horríveis de como seus maridos abusaram da autoridade deles. Permanece o fato que Deus deu autoridade aos maridos dentro do lar. Quando a esposa se submete ao seu marido, ela não está submissa simplesmente ao homem, com seus muitos pecados e suas fraquezas morais; ela está sendo submissa ao Senhor Deus (Efésios 5:22).

Abusos de autoridade pastoral não negam o fato de que a Bíblia nos diz que Deus tem dado autoridade aos pastores, e não nega o fato de que a Bíblia exige que estejamos submissos aos que Deus chama “pastores”. Contudo, em casos nos quais um Cristão está sob a influência de uma situação pastoral abusiva e não conforme às Escrituras, ele ou ela devem manter um espírito apropriado e atitude de estima e consideração à autoridade pastoral. Ele deverá deixar a Igreja se necessário, e encontrar uma Igreja espiritualmente saudável que seja liderada por homens de Deus, e juntar-se à ela e submeter-se à autoridade que Deus deu a eles.

Um Cristão deve cuidadosamente guardar seu espírito para não tornar-se uma pessoa desagradável. Ele deve examinar-se a si mesmo diante do Senhor para estar certo de que não é um rebelde para com a autoridade dada por Deus. Algumas vezes pensamos que o problema é daqueles que impõe as regras sobre todos, quando na realidade o problema é de nosso próprio espírito irredutível com preconceitos.

2-) Líderes da Igreja são chamados por três diferentes termos (pastor, ancião e bispo), mas os termos referem-se a diferente aspectos do mesmo ofício; assim a forma hierárquica de governar a Igreja com lugares para bispos acima de anciões, não é Bíblica

3-) Cada Igreja deve ter seus próprios líderes e governo (Tito 1:5; Atos 14:23). Desde que isto está claro no N.T. , qualquer forma externa de controle sobre as Igrejas não é Bíblica, e é perigosa.

4-) Cada pastor é supostamente ordenado por Deus e, de acordo com as Escrituras, é qualificado (Atos 14:23; 1 Timóteo 3; Tito 1). Igrejas do N.T. não são lideradas por homens não ordenados ou por homens que não têm todo o trabalho de um pastor.

Cada pastor é suposto ser um ensinador e um observador das regras (Atos 20:28; 1 Timóteo 3:2; Tito 1:9-11; 1 Pedro 5:1-2).

5-) Diáconos nunca são mencionados com o ofício de reger ou supervisionar as Igrejas. O diácono é um servo, não um dirigente.

Governo da Igreja através de um diácono não é Bíblico, e isto tem causado muitos danos nas assembléias.




A EXTENSÃO DA AUTORIDADE DO PASTOR

Se a responsabilidade implica em uma autoridade correspondente, o que é verdade, podemos ter a clara idéia das áreas e extensão da autoridade pastoral apenas considerando a sua responsabilidade dada por Deus sobre a Igreja.

Existem 3 grandes áreas de responsabilidade pastoral, com a respectiva autoridade:

a- Um pastor tem a autoridade e responsabilidade de ensinar e pastorear a Igreja (Atos 20:28; Efésios 4:11-12; 1 Tessalonicenses 5:12; 1 Pedro 5:1-4)
Pastores, portanto, têm a autoridade para governar todos os aspectos de tal ministério. Eles devem ter a decisão final concernente ao que está sendo ensinado e por quem, e devem julgar todas as coisas que são ensinadas para ter certeza que são corretas (1 Coríntios 14:29 ).

b- Um pastor tem a responsabilidade e autoridade para proteger a Igreja de falsos ensinos (Atos 20:28-31; 1 Coríntios 14:29; 1 Timóteo 4:1-6; Tito 1:9-13)
Pastores têm a autoridade e responsabilidade dada por Deus para determinar o que está sendo ensinado e por quem, bem como proibir os Cristãos de envolverem-se com falsos ensinos, tais como estudos Bíblicos conduzidos por professores que ensinam erradamente, encontros nos quais doutrinas e práticas não Bíblicas são promovidas, etc. Isto inclui também o ministério de música da Igreja, porque a música é também uma forma de ensino (Efésios 5:19).

c- O pastor tem a responsabilidade e autoridade para supervisionar todo o trabalho da Igreja (Atos 20:28; 1 Tessalonicenses 5:12; 1 Pedro 5:1-2)
A posição do pastor de supervisionar a Igreja é similar à de um gerente ou supervisor em uma empresa qualquer. Ele não tem que fazer todo o trabalho do ministério – todo Cristão deve estar ocupado no trabalho de Cristo – mas o pastor deve supervisionar todo o trabalho. Existe uma ampla rebelião e resistência contra a autoridade pastoral hoje em dia. Isso é o produto da natureza humana caída. O “velho homem” odeia autoridade; ele não suporta ter governo de ninguém sobre si. Mas a autoridade pastoral é dada por Deus, e aquele que resiste ao pastor de Deus, no seu trabalho de liderar a Igreja de acordo com a Palavra de Deus, irá responder a Jesus Cristo por essa insubordinação. Ouça a Bíblia:
“Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 13:17).





LIMITAÇÕES À AUTORIDADE DO PASTOR

Um pastor apenas tem autoridade tal como delegada por Deus a ele. Cristãos nunca são orientados a se submeterem cegamente aos líderes da Igreja, mas submeterem-se aos verdadeiros homens chamados por Deus, os quais estão liderando de acordo com a Palavra de Deus. Como o Apóstolo Paulo disse, “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.” (1 Coríntios 11:1).

Paulo poderia exigir que outros seguissem a ele porque ele estava seguindo Cristo e era cheio de fé pregando a mensagem que lhe foi dada por Cristo. À parte disso, contudo Paulo não tinha autoridade. Ele avisava as Igrejas da Galácia que se ele pregasse outro evangelho, eles deveriam rejeitá-lo (Gálatas 1:8). Cristãos deveriam rejeitar o ministério de qualquer homem que não possua as seguintes qualidades:



1-) A AUTORIDADE DO PASTOR ESTÁ BASEADA NA MENSAGEM QUE ELE PREGA. (Hebreus 13:7).

Instruir Cristãos para submeterem-se àqueles que têm falado a Palavra de Deus. A autoridade do pregador está na Palavra de Deus e não em suas próprias palavras e desejos. Se um pastor ou professor afasta-se da Bíblia, seus ouvintes deverão não segui-lo; ele então afastou-se de sua autoridade (Atos 17:10-11; 1 Tessalonicenses 5:21).

2-) A AUTORIDADE DO PASTOR ESTÁ BASEADA EM SEU CHAMADO POR DEUS (Atos 20:28).

Os anciãos da Igreja em Éfeso foram apontados pelo Espírito Santo. Essa é a base fundamental para a autoridade espiritual. Cristãos são apenas para submeter-se aos homens que deram plena evidência que eles são chamados por Deus.

3-) A AUTORIDADE DO PASTOR ESTÁ BASEADA NA VIDA QUE ELE VIVE

Hebreus 13:7 diz; “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a Palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para sua maneira de viver.” Isto nos fala de seu modo de vida. Se um homem é um hipócrita, se ele não pratica em sua vida diária o tipo correto de vida Cristã, ele não tem autoridade para liderar outros.

4-) A AUTORIDADE DO PASTOR ESTÁ BASEADA NO TRABALHO QUE ELE FAZ

1 Tessalonicenses 5:12-13 refere-se àqueles quem estão sobre nós, no Senhor, e requere que nós “os estimemos em grande amor por causa de sua obra...” Um ministério de um homem espiritual deve ser de acordo com a Palavra de Deus, ou ele cessará de ter autoridade sobre os demais.





CARACTERÍSTICAS ESPIRITUAIS DA AUTORIDADE DO PASTOR

A autoridade exercida por um pastor, missionário, ou outro líder da Igreja, é para ser distintivamente diferente daquela exercida por líderes no mundo secular (1 Pedro 5:3; Marcos 10:42-43).

I- ISTO É UMA AUTORIDADE MINISTRADA – A AUTORIDADE DE UM PASTOR (Atos 20:28; 2 Coríntios 13:10; 1 Pedro 5:2)

A autoridade de um pastor é para o propósito de construir e proteger o povo e a obra de Deus.

II- ELA É AUTORIDADE SUBMISSIVA E HUMILDE — A AUTORIDADE DE UM CUIDADOR (Marcos 10:42-45; 1 Coríntios 3:9; 4:1; 12:7; Tito 1:7; 1 Pedro 4:10; 5:3-5)

O pastor deve presidir sob a direção do Senhor Jesus Cristo, não pela sua própria mente ou vontade. A Igreja é propriedade de Deus, as pessoas são pessoas de Deus; a obra é a obra de Deus. Ele é meramente um cuidador ou ajudador. Contraste isto com o ministério de orgulho, de Diótrefes (3 João 9-10).

III- ELA É UMA AUTORIDADE DE AMOR—A AUTORIDADE DE UM PAI (1 Tessalonicenses 2:7-11)

O pastor é para ter uma amorosa, gentil, tenra, sacrificial consideração pela felicidade e segurança geral do povo. Seu presidir não deve ser ser uma desagradável ditadura tirânica sobre outros, isto é, um reger para servir a si mesmo.

IV- ELA É UMA AUTORIDADE LIBERADA—A AUTORIDADE PARA CONSTRUIR E NÃO PARA “AFUNDAR” (2 Coríntios 10:8; Efésios 4:11-12)





A DIFERENÇA ENTRE PASTOREAR E SER SENHOR

“Aos presbitérios que estão entre vos, admoesto eu, que sou também presbitério com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da gloria que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que esta entre vos, tendo cuidado dele, não por foca, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de animo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.” (! Pedro 5:1-3).

Os pastores têm autoridade na Igreja, mas é um tipo diferente de autoridade exercida no mundo. Observe algumas das diferenças que seguem:

- pastores de acordo com a Bíblia amam o rebanho e lideram pela compaixão, mas aqueles do tipo senhores, tipicamente não gostam de ter compaixão; eles não encorajam; eles simplesmente exigem (1 Tessalonicenses 2:7-8).

- pastores conforme a Bíblia sabem que o rebanho não pertence a eles, mas pastores do tipo senhores sentem que possuem a propriedade do rebanho e assim podem controlar todos de acordo com sua própria vontade (1 Pedro 5:2-3 “rebanho de Deus” “ herança de Deus”)

- pastores de acordo com a Bíblia preocupam-se mais com o bem estar geral do povo do que com o seu próprio ganho, mas os do tipo senhores presidem para obter ganho pessoal e não têm receio de abusar do povo (1 Pedro 5:2)

- pastores conforme a Bíblia são humildes e não consideram eles mesmos maiores que o rebanho, mas os do tipo senhores exaltam a si mesmos acima de todo o povo (1 Pedro 5:2 “entre vocês” 1 Pedro 5:5)

- pastores de acordo com a Bíblia ajudam a edificar o povo e os libertam para fazer a vontade de Deus, mas pastores do tipo senhores querem controlar o povo e empurrá-los para baixo (Efésios 4:11-12; 2 Coríntios 10:8). A palavra grega traduzida “destruição” em 2 Coríntios 10:8 é também traduzida como “demolir” (2 Coríntios 10:4).

“Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes do gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; Mas entre vos não será assim; antes, qualquer que entre vos quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vos quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” Marcos 10:42-45




Sugestões PARA OS PASTORES

1- Nunca esqueçam que as pessoas não lhe pertencem e que vocês darão conta pela maneira que as tratam (Atos 20:28; 1 Pedro 5:1-4; Tiago 3:1). Um pastor pode impor sua vontade sobre a Igreja em seu presente mundo, contudo ele está errado e pecando, porque não existe mais alta autoridade eclesiástica do que a assembléia; mas ele estará diante do Grande Pastor Chefe e será julgado por como ele agiu. Ele jamais devera esquecer disso.

2- Tratar o povo como você gostaria de ser tratado (Mateus 7:12). Pense um pouco atrás no tempo antes de você tornar-se pastor. Estaria você tratando o povo agora como você queria que seu pastor o tratasse ? Haviam coisas que o pastor fez que desencorajaram você mais do que edificaram, e você estaria repetindo aqueles mesmos erros em seu próprio ministério?

3- Tratar as pessoas com igualdade (1 Timóteo 5:21). Seja cuidadoso para não exercer favoritismo. Tratar o povo com imparcialidade, aplicar parâmetros iguais para com todos. Não deixe algum dos referenciais escorregarem quando os envolvidos forem seus "animaizinhos de estimação". Trate o povo com igualdade ao exercer a disciplina na Igreja. Não deixe ser ouvido que você foi severo com alguns na Igreja e não rigoroso com outros, em assuntos similares.

4- Almeje edificar o povo e então dar-lhes liberdade para fazerem a vontade de Deus (2 Coríntios 10:8). A obra do pastorado é semelhante ao relacionamento dos pais com os filhos. O alvo dos pais é a maturidade dos filhos, quando então eles deverão sustentar-se em seus próprios pés e fazerem suas próprias decisões diante do Senhor. O pastor deverá ter o mesmo alvo. Ele não deverá almejar fazer o povo depender perpetuamente dele.

5- Encoraje o povo a ter uma visão pessoal da vontade de Deus e trazer novas idéias para a obra do Senhor (Efésios 4:11-12). A única coisa que o pastor deverá desencorajar é o pecado e o falso ensino. Não deixe dizerem que o pastor desencorajou pessoas a terem uma visão da obra e exercitarem seus dons livremente, dentro das fronteiras das Escrituras.

6- Objetive produzir muitos lideres que irão trabalhar ao seu lado para multiplicar o ministério (Atos 13:1; 20:4). Em toda parte no N.T. vemos pluralidade dos obreiros e lideres, em Igrejas e trabalhos missionários. Pastores experientes não terão medo de compartilhar sua autoridade e ministério com outros homens de Deus pelos quais a obra do Senhor pode progredir muito.

7- Resistir à tentação de ser orgulhoso e de exaltar a si mesmo (Marcos 10:42-45). A posição de um pastor é dos menores. Ele tem autoridade mas ela é a autoridade de um servo servindo debaixo de um dono e senhor, e não a autoridade de um senhor em seu próprio direito.

8- Não tenha medo de liderar, mas esteja certo de que você está liderando pela Bíblia e não pela sua própria mente e tradição humana.

9- Não deixe sua autoridade para aqueles que não são pastores, tais como diáconos.

10- Não tenha medo de permitir a congregação compartilhar em algumas decisões (Atos 6: 5-6; Atos 15:22)






Sugestões PARA OS MEMBROS DA IGREJA

1- Dê ao pastor o benefício da dúvida e faça todas as coisas que você poder, para ser submisso e obediente membro da Igreja. A Bíblia usa linguagem muito forte sobre a submissão da Igreja à autoridade pastoral (Hebreus 13:17). Aquelas são fortes palavras. A menos dos pastores que lideram contrários à Bíblia em uma maneira muito clara e óbvia, o membro da Igreja deve submeter-se ao Senhor Deus. É como uma esposa sob o marido (Efésios 5:22). Toda esposa sabe que se ela submete-se ao seu marido, ela está submetendo-se a um homem muito imperfeito, mas ela não está simplesmente submetendo-se ao seu marido, mas ao Senhor que lhe deu aquele marido. Semelhantemente, o membro da Igreja não se submete meramente a um homem; ele submete-se ao Senhor que fundou o oficio de pastorado e quem tem colocado aquele homem na posição.

2- Esteja certo que vai estar lutando pelas Verdades das Escrituras e não por suas próprias preferências. Se eu penso que alguma coisa está errado na Igreja, eu devo perguntar para mim mesmo, “estaria a Bíblia claramente dizendo que isto está errado, ou é isto meramente alguma coisa que eu pessoalmente não gosto ou não concordo?” Muitos problemas de Igrejas não são por causa da clara citação Bíblica, mas por causa de conflitos de personalidade e vontade própria e a tentação de exaltar a preferência pessoal no lugar da Escritura.

3- Guarde seu coração e sua atitude. Nós estamos falando a verdade em amor (Efésios 4:15). Nós deveríamos ter uma cabeça fria e um coração quente, não um coração quente e uma cabeça quente! Quando nós atentamos para corrigir outros devemos guardar nosso próprio coração e fazer isto em espírito de mansidão (Gálatas 6:1). Em 2 Timóteo 2:24-25 descreve-se o espírito no qual nós estamos procurando corrigir outros: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade,”. O evangelista Mel Reter poderia dizer; “ Seja firme como uma rocha na sua posição, mas doce como mel da rocha em sua disposição.” A diferença entre deixar a Igreja por causa de legítimo fato doutrinário, e deixá-la em rebelião contra a autoridade pastoral, será evidenciada em duas maneiras (Tiago 3:14-18).

- Primeiro, a diferença será evidente na atitude da pessoa. Contraste a pessoa desagradável e o conflito entre as partes, do verso 14, com a atitude amorosa descrita no verso 17: “..pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.”
- Segundo, a diferença será evidente no fruto produzido por cada situação. Contraste o fruto do verso 16, que é a discórdia e confusão e toda obra maligna, com o fruto descrito no verso 18, que é “o fruto da justiça semeado em paz, para os que exercitam a paz”. A conseqüência irá demonstrar os segredos do coração e são opostas às coisas que são contra Deus e não Bíblicas; e quem deixar a Igreja por sua própria vontade e meramente por causa da carnalidade dela [da igreja], irá servir Jesus Cristo frutificando em Igrejas mais fortes. De outro lado aqueles que meramente contendem por suas próprias vontades, e aqueles que estiverem causando problemas de uma maneira carnal, usualmente pulam de Igreja em Igreja, para uma mais fraca. O fato que eles se mudam para uma Igreja é que mais fraca doutrinariamente e espiritualmente, demonstra que o caso não era, na verdade, sobre doutrina e justiça, mas era um conflito de personalidades, ou algo assim.

4- Mantenha seus olhos focados em Cristo ao invés de nos homens deste mundo.

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” Hebreus 12:2. Alguns fiéis estão dizendo para carregar permanentemente “cicatrizes espirituais” por causa de estar em Igrejas que são lideradas por pastores que abusam de suas autoridades. Outros deixam a Igreja conjuntamente usando essa desculpa. O problema nesses casos é que tais pessoas têm seus olhos e sua confiança mais no homem do que em Jesus Cristo. O Senhor Jesus nunca nos desapontará, mas homens imperfeitos sempre irão nos desapontar de uma maneira ou de outra. Pastores são apenas homens imperfeitos no seu melhor ponto de vista. Eles cometem erros. Eles pecam. Eles podem ser egoístas e parciais e de visão curta.

5- Ore por seus pastores e outros líderes da Igreja. Orações fazem duas coisas; elas trazem mudanças, porque Deus responde e trabalha através delas; e elas também ajudam a manter meu coração amoroso e gentil em relação aos homens para quem eu estou intercedendo.

6- Não deixe qualquer coisa levar você para longe da Igreja. Existem ocasiões quando nós somos forçados a deixar uma certa Igreja com sérios erros morais e doutrinarias, mas nós não devemos permitir qualquer coisa manter-nos fora da Igreja. Jesus Cristo fundou a Igreja (Mateus 16:18), e existem mais do que 100 referências à Igreja no N.T. A maioria do N.T. foi escrito diretamente para as Igrejas, tais como a Igreja de Éfeso e a Igreja de Filipos. O livro do Apocalipse foi escrito para 7 Igrejas na Ásia Menor (Apocalipse 2-3). O livro de Atos é a história da plantação e multiplicação das primeiras Igrejas. As Epístolas Pastorais são sobre a obra da Igreja. Inclusive aquelas epístolas que não foram escritas diretamente para as Igrejas, sempre têm a assembléia em foco. O livro dos Hebreus, por exemplo, contém fortes declarações sobre a Igreja (Hebreus 10:25; 13:7; 17). O livro de Tiago menciona os anciãos da Igreja (Tiago 5:14). O livro de 1 Pedro é endereçado aos anciãos (1 Pedro 5:1-4). Isto demonstra a importância da Igreja nos olhos de Deus, e cada fiel deve ser diligente para ter o mesmo zelo pela assembléia em sua própria vida Cristã. É fácil criticar a Igreja, mas eu pergunto; “O que eu estou fazendo para a Igreja ter sucesso e frutificar para a glória do Senhor ?” Eu deveria também perguntar; “Se todas as Igrejas fossem [e fizessem] como eu, o que seriam todas elas ?” Algumas pessoas criticam todas as coisas, mas eles não adicionam nada de significativo no lado positivo. O que é um erro e destrói a obra do Senhor.

7- Não esqueça que não há Igreja perfeita. Inclusive as primeiras Igrejas fundadas pelos Apóstolos foram muito imperfeitas. A Igreja de Corinto era carnal e estava caracterizada pela divisão, fornicação, processos na justiça, bebedeiras durante a ceia do Senhor, mal uso dos dons espirituais, e falsos mestres. A maioria das sete Igrejas mencionadas em Apocalipse 2-3 tiveram sérios problemas. Na Igreja de Filipos duas mulheres tinham diferenças para com os demais e precisaram ser corrigidas (Filipenses 4:2). A hipocrisia de Pedro teve de ser repreendida severamente por Paulo (Gálatas 2:11-14). Paulo e Barnabé tiveram uma contenda e eles separaram-se um do outro (Atos 15:39). Isto não é uma desculpa para ignorar problemas e erros. Cada um desses assuntos foi repreendido e corrigido. Eu menciono estas coisas apenas para relembrar-nos que Igrejas não são perfeitas, porque elas são feitas de pecadores muito imperfeitos salvos pela graça; e nós devemos manter isto em mente ao tempo em que lidamos com os problemas da Igreja. Se você deixar uma Igreja por causa de conduta errada moral e doutrinária, você deverá ter uma melhor Igreja para mudar, ou você estará apenas mudando da “frigideira para o fogo.”

8- Aprenda a exercitar o discernimento espiritual, distinguindo entre o importante e o menos importante. Em Mateus 23:23 o Senhor Jesus Cristo ensinou que nem todas as coisas na Bíblia são de igual importância. Alguns ensinos Bíblicos são de “maior peso” que outros. Todas as coisas na Bíblia têm alguma importância mas nem todas têm igual importância. Nem toda a razão é uma razão de separação e nem toda razão é importante suficiente para deixar a Igreja. Para conhecer a diferença entre as coisas é necessário conhecimento da Palavra de Deus e discernimento espiritual. Esta é a lição de Romanos 15:14 e Hebreus 5:12-14. Tal discernimento requer maturidade espiritual, a qual vem apenas através de diligente estudo e através de exercício dos sensos para discernir o bem e o mal. Paulo disse para a Igreja em Roma que a razão que eles eram capazes de admoestar um ao outro era que eles estavam cheios com bondade e conhecimento (Romanos 15:14). Como maduros em Cristo e em nosso conhecimento das Escrituras e em vida padrão para o Senhor, estamos capazes de corrigir outros e de sermos uma benção para a Igreja sem causar mais danos que bênçãos.

9- Se você tem um problema ou questão, vá diretamente aos pastores ou à pessoa envolvida. Freqüentemente descobrimos que nossa percepção do assunto é errada ou que a informação que recebemos estava errada ou que nós não tivemos toda a informação. Pela discussão diretamente com quem de direito, no início, nós poderemos evitar “fazer uma montanha com um pequeno morro” e causar discórdia sobre nada.

10- Lembre-se que os pastores têm grande autoridade E grande responsabilidade na Igreja. Isto significa que eles devem tomar decisões que a média dos membros das Igrejas jamais terão que tomar, e que eles responderão a Deus por estas decisões. Há um tempo para deixar a Igreja devido coisas que estão seriamente erradas, mas nós devemos também aprender a colocar muitas coisas nas mãos de Deus e fazer aquilo que Ele disse para fazer, que é nos submetermos ao líder da Igreja e sermos uma bênção e frutificarmos. Não confunda seu trabalho com o do pastor. Você não tem a autoridade do pastor, nem você tem a obra do pastor (visitar doentes, enterrar os mortos, estar pronto para qualquer chamada, olhar pelas almas). E você também não tem a responsabilidade do pastor. Ele dará conta por muito mais (Tiago 3:1).

Isto tem me ajudado muitas vezes quando eu não concordo com alguma decisão que os pastores fizeram. Eu tenho deixado o assunto diante do Senhor e tenho dito a Ele que, embora eu não concorde com a decisão, não é minha a decisão, e eu deixo o assunto em Suas mãos e faço a minha parte de submeter-me e ser uma bênção para a Igreja, que é dEle.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O crente que não leva a Bíblia a sério

Autor: Leonardo Martins

Ele está nos bancos das igrejas, lê a Bíblia, conhece muitos versículos de cor, age, vive e fala conforme a Escritura Sagrada. Sim, ele é crente de verdade e até conhece a Palavra de Deus, mas infelizmente não conhece o Deus da Palavra. Ele é o crente que não leva a Bíblia a sério. É fácil identificá-lo, pois ele possui uma das três características:

O néscio
O crente que não leva a Bíblia a sério é um néscio que acredita estar fazendo tudo certinho. Ele age de modo inocente diante da palavra que afirma ser a Palavra de Deus. Por exemplo: Ele acha o sermão do monte “muito legal”.
Por quê? Porque ele só lê o que é “bonitinho”. No livro de Mateus capítulo 5, Jesus está ensinando a multidão (v2). Seu primeiro ensinamento é: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;” (v3).


Talvez você pergunte; e daí? Vamos examinar com cuidado. Este irmão só consegue ler a parte boa “porque deles é o reino dos céus” e, neste caso, “dele” inclui quem está lendo. O problema é o que ele não lê “Bem-aventurados os pobres de espírito”, porque na verdade são desses o reino dos céus e não de todos.

Este irmão deveria ler de forma diferente. Ler, perguntar e, se tudo der certo, continuar lendo. Veja como seria: Após a primeira parte eu me pergunto? Sou “pobre de espírito”? Se sim, então continuo: “deles é o reino dos céus”. Viu como ficou diferente? É uma relação direta condicional.
Tenho eu “chorado”? Se sim, serei “consolado”. (v4). Sou “manso”? Se sim, “herdarei a terra”. (v5).
Tenho “fome de Justiça”? Sou “misericordioso”? Sou “limpo de coração”? Sou um “pacificador”? Sofro “perseguições”? Se sim, sim, sim …
Então, serei “farto” (v6), “alcançarei misericórdia” (v7), “verei a Deus” (v8) e assim por diante.
Na verdade bastaria uma leitura mais atenta dos versículos 11 e 12 para compreender o que Jesus está ensinando. Mas, como dissemos, o crente que não leva a Bíblia a sério não consegue aprender. Por isso acha o sermão do monte algo tão “bonitinho”.

O “surdo”
Outro aspecto é que o crente que não leva a Bíblia a sério é meio “surdo”. Ele escuta, mas não ouve. Ainda no mesmo ensino Jesus diz: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. (v20). É isso mesmo ele não “houve” a parte que diz “de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. É como se esta parte não existisse ou nada significasse. Jesus explica claramente qual seja esta justiça que se precisa exceder. Enquanto a justiça dos homens diz “não matarás”(v21), Jesus diz, “… que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, e qualquer que disser a seu irmão: Raca, … e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno”. (v22). Mesmo quando Jesus afirma que antes de ofertar é preciso reconciliar-se com seu irmão (v23-26), este nosso irmão não “ouve”.
Quantos, com sinceridade, aplicam o ensino de “ … que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela”? (v28). Este assunto, inclusive, parece proibido em nossas igrejas. Neste aspecto os católicos não se esquivam. É um caso de surdez idêntica as dos escribas e fariseus ao questionarem a Jesus. E Sua resposta foi direta sobre o divórcio: 1 – No princípio não era assim; 2 – Ambos são uma só carne; 3 – Deus permitiu o divórcio por causa da dureza do coração do homem; 4 – Reafirma com clareza: “… que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”, mas nada disso importa porque este irmão não consegue ouvir.
O "outro”

Há quem consiga interpretar e ouvir claramente o que Deus está falando. Falo destes textos fáceis e claros, mas para o crente que não leva a Bíblia a sério ainda que entenda ele sempre aplica ao outro. É fácil identificar este caso. A mensagem “coincide” com a vida dele, a aplicação está diretamente ligada à sua mudança de comportamento. E, pasmem, ele compreende a importância da Palavra e então dirá: “Tem que ter misericórdia”. Nessa hora se acende uma esperança de entendimento, porém, olhando nos seus olhos ele conclui. “E tem gente que vive assim, só mesmo tendo misericórdia”. Para ele a Bíblia é um espelho que distorce as imagens. Quando ele se vê tudo está certo, mas quando muda o ângulo, vê os demais como realmente são. Uma imagem torta (distorcida pelo pecado). Para ele não importa o quão direta seja a mensagem, nunca é para ele. É sempre para o outro.

Conclusão
O crente que não leva a Bíblia a sério, age deste modo porque: 1 – não consegue interpretar corretamente nem mesmo os textos fáceis ou; 2 – não “ouve” (ignora) os textos que não lhe interessam (agradam); ou ainda 3 – toda lição serve para “os outros”, nunca para ele.

Este irmão não tem consciência de que age assim. É algo quase ingênuo. É por isso que muitos estão fracos na fé. É por isso que não conseguem dar testemunho (principalmente na sua própria casa). É por isso que são levados por todo vento de doutrina. O crente que não leva a Bíblia a sério pode ser qualquer um com estes sintomas. Pode ser um “crente novo” (natural para quem está começando na fé) ou membro mais antigo. Ele pode ser diácono, pastor, ministro disso ou daquilo; não importa. Ele sempre apresenta estes mesmos comportamentos. É preciso ter compaixão destes nossos amados, porque são como ovelhas que não têm pastor. Estão todos subnutridos da Palavra.
Ocorre-nos a lembrança da pergunta do eunuco. Uma pergunta persistente que ecoa em nossa mente e coração quando levamos a Bíblia a sério. “… Como poderei entender, se alguém não me ensinar? … “ (Atos 8:31).

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mondo cane, Michel Blanco via Yahoo! Colunistas

Mondo cane, Michel Blanco via Yahoo! Colunistas: "

Antes de se provar uma tremenda “barriga”, a história de Caramelo e seu sósia rendeu horas de trabalho jornalístico na busca por um fato novo em meio à contagem de corpos da tragédia.

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domingo, 23 de janeiro de 2011

PASTOR OU GERENTE? IGREJA OU EMPRESA?



A questão não é nova. E me defino logo: a igreja não é empresa e o pastor não é gerente eclesiástico. Sei que um pastor deve ter noções de liderança de grupo e que uma igreja precisa de regras de vivência administrativa. Inclusive, por ser pessoa jurídica, se submeter às leis do país. Mas igreja não é empresa. Igreja é igreja, algo totalmente singular e distinto de qualquer outra organização. E deve ser pastoreada por homens que sejam pastores. Deus deu pastores à igreja (Ef 4.1) e não administradores de empresa. Gerentes devem ficar em empresas, e pastores nas igrejas.

A liderança da igreja não se forma em escolas de administração nem em cursos de liderança. É carismática. Os charismata do Espírito são para fazer a igreja viver. Sem os dons do Espírito a igreja pode ser uma instituição admirável, funcionando bem, como uma máquina azeitada, mas corre o risco de não ser mais igreja. Por charisma não me refiro a curas, línguas, ou sua interpretação. Nas listas de dons do Novo Testamento, estes não são os primeiros alistados. Não discutirei dons, aqui. Posso discuti-los em outra ocasião, mas agora afirmo o seguinte: a igreja e o ministério pastoral têm sido descaracterizados por causa de um enfoque equivocado. Os apóstolos pediram à igreja que escolhesse homens de boa reputação para administrar um problema da igreja, e afirmaram: “Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At 6.4). Esta é a função primordial do pastor: assuntos espirituais. E não me digam que supervisionar colocação de tijolos é negócio espiritual, que não há dicotomia entre vida material e espiritual, que esta separação é platonismo, etc. Posso discutir Platão em outra ocasião, mas ele não tem nada a ver com esta visão. Os apóstolos deixaram claro que tinham algo mais importante a fazer que cuidar de alguns problemas da igreja, que eram relevantes e ameaçavam a unidade, mas que não eram para eles cuidarem. Hoje há uma inversão: os pastores cuidam dos negócios e pedem à igreja que ore por eles. Mas em Atos, os homens da igreja cuidavam dos negócios e os pastores oravam e pregavam.

Ao apresentar o excelente “A vocação espiritual do pastor”, de Eugene Petersen, Ricardo Barbosa faz uma observação muito pertinente. Diz ele que há duas palavras novas, recém incorporadas ao vocabulário atinente à vocação pastoral: líder e terapeuta. Diz ele, textualmente: “Fala-se cada vez menos em formação pastoral e mais em formação de líderes. Curiosamente, ‘líder’ é uma palavra que não aparece na Bíblia para descrever aquele que serve a Deus em sua igreja. Também não aparece na longa história de vinte séculos de vocação pastoral” (p. 7). Continuando o arrazoado, Ricardo diz que quando se fala em pastor, hoje, não nos vem à mente a figura do Salmo 23 ou as responsabilidades sacerdotais de Arão, “mas as imagens do executivo, do administrador, do empresário, imagens de um profissional” (p. 8). Ele faz uma interessante comparação entre pastores e terapeutas seculares. Muitos destes renunciam à ciência, e citam manuais de auto-ajuda. Os pastores deixam de lado a orientação da Palavra, e citam terapeutas incrédulos e almanaques. Sua conclusão é séria: “Nosso chamado é para ser pastores, não líderes ou terapeutas” (p. 11).

Isso se coaduna com a argumentação de Os Guiness, em “Dining with the Devil: the megachurch movement flirts with the modernity” (“Jantando com o Diabo – o movimento mega-igreja flerta com a modernidade”). Para Guiness, o maior desafio do mundo à igreja não é o secularismo, mas a secularização. O secularismo é uma filosofia, e a secularização é um processo. Sendo abertamente hostil, o secularismo, logo é identificado e rejeitado. Mas a secularização vem como um processo, e nos envolve sutilmente, até mesmo porque nós a usamos. Ouvi um líder cristão, nos anos noventas, dizer que “para viver segura, a igreja precisava ter, pelo menos, R$ 10.000,00 em caixa”. A argumentação é mundana, mas me chocou tanto que a comentei aos formandos da Faculdade de Teologia do Amazonas, em 1997, na palavra paraninfal que intitulei de “Quando a igreja troca a teologia pela tecnocracia”, e volto a ela, treze anos depois. Tal líder não entendeu que a maior segurança da igreja está em viver dentro da Palavra, na presença de Deus, e não no seu caixa. Quando há vida espiritual na igreja, o Espírito move os corações das pessoas. Foi assim que o Espírito agiu na vida de José, levando-o a vender seu terreno, sem que houvesse uma campanha para tal, e trouxesse o valor à igreja (At 4.36-37). Onde há espiritualidade há recursos. Mais que marketing, a igreja precisa de santidade.

O obreiro cristão secularizado é um tecnocrata. Crê que a salvação e o futuro da igreja não estão em Deus e na oração, mas em táticas humanas. Sua visão é mundana. Assim, muitas igrejas vivem de campanhas e os pastores se esmeram na criatividade para mobilizar o povo. Mas um ambiente espiritual proveria isto. Muito de nossa ação secularizadora poderia ser alvo do pedido de Paulo:

“Não extingais o Espírito” (1Ts 5.19)ACF. A verdadeira liderança se põe mãos do Espírito, vive em sua presença, e possibilita sua ação na igreja. Não o extingue, trocando-o por técnicas de animação do povo tipo: “Como liderar o povo de Deus em sua caminhada para o sucesso”. A maior característica de liderança da igreja é que ela deve ser carismática, vinda do Espírito, e não de cursinhos, livros e revistas sobre técnicas.

Na obra citada, Os Guiness traz o comentário feito por um negociante japonês a um cristão: “Sempre que encontro um líder budista, encontro um homem santo. Sempre que encontro um líder cristão, encontro um administrador” (p. 97). Isto me foi uma bofetada. A liderança cristã deve ser recrutada entre os mais santos e piedosos, os mais moldados pela Bíblia (cremos mesmo que ela é o manual de Deus à igreja?) e não entre os mais capazes na vida secular, mesmo que de espiritualidade opaca. Priorizamos a competência secular sobre a santidade, e depois descobrimos que não deu certo, porque as regras de vida da igreja diferem das regras de vida de uma empresa. Basta uma diferença para nos fazer refletir sobre isto. A saúde de uma empresa está em maximizar ganhos e minimizar gastos. Quer matar uma igreja? Faça isso! Quer ver uma igreja explodir de vida? Leve-a a investir em missões, em obreiros, em vidas. Os recursos virão. Afinal, Deus disse:

“Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos”(Ag 2.8)ACF

Está no Salmo 50.12: “Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude”(ACF)

Deus tem os recursos, mas momentaneamente os deixa com seu povo. E não precisam ser extorquidos do povo, que o traz voluntariamente quando Deus age. O problema é que parece que não cremos mais nessas coisas, e tentamos dar um jeito de fazer a igreja funcionar. Aposentamos o Espírito Santo. Estou chocado com a visão secular do reino de Deus entre nós. A proliferação de modelos eclesiásticos é uma prova disso. Damos cada vez mais valor à técnica e aos métodos. Colocamos Deus na periferia e o fazer humano no centro. Não é de admirar que vivamos em uma crise cíclica. Perdemos os alvos espirituais de vista. Eles são numéricos e quantitativos. Mas a igreja é algo muito sério para a tomarmos em nossas mãos!

No seu prefácio, Barbosa faz um interessante comentário sobre como é difícil aos pastores serem pastores. Diz ele que é porque os pastores estão afundados na idolatria: “Onde dois ou três estão reunidos e o nome de Deus é pronunciado, uma comissão está formada para a criação de um ídolo. Queremos deuses que não sejam deuses para que possamos ser ‘como deuses’” (p. 16). A tecnocracia é o grande ídolo, o bezerro de ouro de nossas igrejas e pastores. Assim, pastorado deixou de ser ensinar a Palavra e cuidar das pessoas e se tornou administrar um negócio espiritual. Deixou de ser um sacerdócio (viver na presença de Deus, ministrar a Palavra de Deus e interceder pelo rebanho de Deus) e passou a ser uma carreira religiosa. O pastor virou gerente.

O texto de Petersen, propriamente dito, se baseia em Jonas. Ele quis servir a Deus, não como este queria, mas do seu modo.

No final, sua briga com o Senhor não foi por causa do reino de Deus, mas de sua reputação pessoal. Esta é uma das lutas do pastor: preocupar-se mais com sua reputação pessoal que com a vontade de Deus. Não podemos usar a igreja e o reino como degraus para a nossa escalada pessoal rumo ao sucesso. “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Mas muita gente está escrevendo sua história pessoal tendo o evangelho como pretexto. O ministério do obreiro é promovido mais que o nome de Jesus. Em alguns lugares, lá estão o nome do obreiro (em letras garrafais) e sua foto-pôster. É um culto à personalidade, vulgar e chocante. Esta pessoa está ambicionando o lugar de Jesus. Na realidade, o obreiro sequer deveria ser promovido.

Sei que pastores estão em baixa, não tem expressão e não movimentam recursos de monta. Gerentes, sim. E muitas igrejas, estruturadas como empresas, querem gerentes, não pastores. Há rebanhos que não querem pastores, mas agem como acionistas de um negócio espiritual: querem um executivo. Não querem ouvir a voz de Deus, até mesmo porque isso é perigoso. Querem ouvir o eco de sua própria voz. E atribuem ao eco o status de voz divina.

Jonas pensou que podia servir a Deus em Társis, ao invés de Nínive. O seu negócio era servir a Deus. Então, ele tentou fazer à sua maneira, não à maneira de Deus. Como comento em meu livro “Jonas, nosso contemporâneo”, segundo os rabinos, a razão principal pela qual Jonas foi para Társis não foi por ser o lado oposto a Nínive, mas ser um lugar onde a Palavra de Deus não se fazia ouvir (com base em exegese de Isaías 66.19). Quando um homem segue seus insights foge da voz de Deus. O profeta ouve a voz de Deus. O homem religioso segue seus insights. Outra grande tentação do pastor é ser um homem religioso, e não um profeta. Porque é possível cuidar de religião sem ouvir a voz de Deus. É menos problemático cuidar de religião. Não é de estranhar a dificuldade de tantos pastores com a Bíblia, a ponto de chamarem quem cita a Bíblia de fundamentalista. Nessa enquadraram Jesus, porque ele gostava muito de dizer “Está escrito”. Gerente tem mais margem de manobra em negócios que pastor. O gerente ouve o mercado e segue as técnicas modernas. O pastor deve se guiar por noções tidas como obsoletas. E parece que o gerente e a igreja-empresa estão mais cotados que o pastor e a igreja-igreja: arrastam mais gente e aparentam mais sucesso aos olhos humanos.

Mas perguntemo-nos: isto é mesmo igreja nos moldes bíblicos? O que estamos fazendo com a igreja e com o reino de Deus?

Pastores devem ouvir a Bíblia, submeter-se a ela, reger-se por ela. Gerentes amam e seguem técnicas e soluções como

“R$ 10.000,00 em caixa”. Mas gerentes descaracterizam a igreja e a transformam num negócio secular. Precisamos recuperar o sentido bíblico de igreja, bem como os princípios bíblicos para a vida da igreja. Também precisamos recuperar a visão bíblica do ministério, trazendo o pastor de volta ao molde pastoral do Novo Testamento, e não ao figurino do gerente moderno. Caso contrário, nós que já perdemos as duas últimas décadas discutindo métodos para recuperar nossa denominação, perderemos outras, discutindo métodos e técnicas. Estamos patinando e não nos damos conta disso! Estou cansado de modelos, gráficos e desenhos que, na minha limitação gerencial, nunca entendo! Há trinta anos vejo minha denominação, que muito amo, discutir técnicas e modelos. Será que ainda não deu para notar que não é por aí? Não dá para notar que precisamos deixar os bezerros de ouro da técnica, dos modelos, do institucionalismo, e reentronizar o Deus verdadeiro em nossas igrejas? Que os rebanhos precisam de pastores e não de gerentes? Que carecemos de vida mais que de estratégias?

Solução? Não tenho, mas ouso uma sugestão. Por que, ao invés de pedir às igrejas que orem pelo Brasil, no dia 15 de outubro, não pedimos às igrejas e aos batistas da CBB, que separem o dia para orar e jejuar pela denominação? Que tal priorizarmos a oração e a espiritualidade sobre técnica, modelos, planos e gestões? Parece-me que ver a igreja como empresa e tornar o pastor em gerente é o que mais temos feito nos últimos vinte anos e não saímos do lugar. Jejuemos e oremos assim, e quem sabe, voltaremos ao pastor-pastor e à igreja-igreja. Oremos por um avivamento que nos faça retornar à simplicidade que há em Cristo (1Co 11.3). Um avivamento que nos leve a confessar e chorar nossos erros, que afaste da liderança as pessoas erradas, que leve os pastores a amarem mais as igrejas que seus ministérios, que acabe com as carreiras solos e nos reconduza ao trabalho solidário. Um avivamento que acabe com o “eu” e traga o “nós” de volta.

Quanto a mim, quero ser pastor e não gerente. Quero cuidar de um rebanho, não de uma empresa. E reitero meu amor pela igreja de Jesus, pela minha denominação, e minha crença inabalável que precisamos retornar a um caminho abandonado.

“Não removas os antigos limites que teus pais fizeram” (Pv 22.28)ACF

Temos feito isto. E nos saído mal.
Isaltino Gomes Coelho Filho

sábado, 1 de janeiro de 2011

REFLEXÃO DE ANO NOVO







REFLEXÃO DE ANO NOVO


Mais um ano se foi... o início de um novo ano nos oferece a oportunidade de olhar com alegria, discernimento, entendimento e coragem para o ano que passou e para o ano que está chegando. É um bom momento para pararmos para olhar para nós mesmos, para os outros e para Deus.


Os passos a seguir é bastante útil.


Olhar para o passado. Olho para o ano que passou de maneira positiva e com gratidão. Agradeço pelas evidências da fé vencendo a dúvida, da esperança superando o desespero, da coragem em meio ao sofrimento e da crença na vida eterna vencendo a morte.
Olhar para dentro de si. Faço um balanço de mim mesmo, refletindo sobre minha vida em casa, no trabalho, na igreja, no mundo. Analiso meus relacionamentos com os outros e minha mordomia para com todas as coisas que Deus me deu. Analiso cada aspecto de minha vida a partir dos padrões de Deus e oro para crescer em fidelidade.
Olho para Jesus. À luz das tentações, dos problemas, dificuldades e tristezas que eu possa confrontar este ano, resolvo manter meus olhos firmemente voltados para Jesus. Ele me ajudará a enfrentar este ano como tem feito todos os anos que se passaram.
Olho para o mundo. Oro para que eu seja capaz de olhar para o mundo com os olhos de Jesus, para perceber as necessidades das pessoas à minha volta e para servi-las com amor e compaixão.
Olho à frente. Porque Deus estará comigo e com você em cada passo do caminho, podemos olhar para cada novo dia com grande expectativa.

"Obrigado, Senhor, por este novo ano. Alegramo-nos por estares conosco a cada um de seus dias.""Deus é suficiente para o ano que está chegando".
“Sede fortes e corajosos: não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o Senhor vosso Deus é quem vai convosco: não vos deixará nem vos desamparará.” – Deuteronômio 31.6
Texto: Vivien Roe (Inglaterra) – Publicado em “No Cenáculo” – 1997