quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A integridade do evangelho: Uma avaliação do neopentecostalismo





A integridade do evangelho: Uma avaliação do neopentecostalismo


Elas ocupam um enorme espaço na televisão aberta, chegando a milhões de lares brasileiros todos os dias. As três mais conhecidas e salientes têm nomes parecidos — Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e Igreja Mundial do Poder de Deus. Esses nomes apontam para objetivos ousados e ambiciosos. Seus líderes máximos adotam, respectivamente, os títulos de bispo, missionário e apóstolo. Elas são o fenômeno mais recente, intrigante e explosivo do "protestantismo" tupiniquim. Trata-se das igrejas neopentecostais, denominadas por alguns estudiosos "pentecostalismo autônomo", em virtude de seus contrastes com os grupos mais antigos desse movimento.
É difícil categorizá-las adequadamente, não só por serem ainda recentes, mas porque, ao lado de alguns traços comuns, também apresentam diferenças significativas entre si. A Igreja Mundial investe fortemente na cura divina. Seu apóstolo garante que ninguém realiza mais milagres do que ele. Seu estilo é personalista e carismático. Caminha no meio dos fiéis, deixa que as pessoas recolham o suor do seu rosto para fins terapêuticos, às vezes é ríspido com os auxiliares. O missionário da Igreja Internacional é simpático e bonachão; parece um pastor à moda antiga. É também polivalente: prega, canta, conta piadas, anuncia produtos e serviços. Controla com rédea curta o seu pequeno império. Todavia, nenhuma dessas igrejas vai tão longe na ruptura de paradigmas quanto a IURD. Dependendo do ângulo de análise, parece protestante ou católica. Seu carro-chefe é a teologia da prosperidade. Defende sem pejo a ética da sociedade de consumo. Seu líder está entrando na lista dos homens mais ricos do país.
Desde o início, o cristianismo tem exibido uma grande variedade de manifestações, algumas bastante inusitadas. Foi o caso do gnosticismo e do marcionismo nos primeiros séculos, das seitas apocalípticas na Idade Média e de alguns grupos resultantes dos reavivamentos nos Estados Unidos do século 19. Porém, nenhum movimento tem sido tão pródigo em termos de quantidade e diversidade de ramificações quanto o pentecostalismo contemporâneo. No atual ambiente pluralista e inclusivista, muitos observadores vêem nessa multiplicidade um sinal de vitalidade, de dinamismo. Todavia, há sinais preocupantes nos ensinos e práticas de certos grupos. Na célebre Confissão de Fé de Westminster (1647), os puritanos ingleses colocaram a questão em termos de diferentes graus de pureza das igrejas cristãs — cap. 25.4,5 (igrejas mais puras e menos puras). Uma avaliação simpática e honesta das igrejas neopentecostais aponta para alguns aspectos que precisam ser reconsiderados a fim de que elas se tornem genuínos instrumentos do evangelho de Cristo.
O problema hermenêutico
Uma grave deficiência dessas novas igrejas está na maneira como interpretam a Bíblia. Os reformadores protestantes insistiram no valioso, porém arriscado, princípio do "livre exame das Escrituras", ou seja, de que todo cristão tem o direito e o dever de ler e estudar por si mesmo a Palavra de Deus. Acontece que muitos viram nisso uma licença para a livre interpretação do texto sagrado, o que nunca esteve na mente dos líderes da Reforma. Eles lutaram contra uma abordagem individualista e tendenciosa da Escritura, insistindo na adoção de princípios equilibrados de interpretação que levavam em conta o sentido literal e gramatical do texto, a intenção original do autor, o contexto histórico das passagens e também a tradição exegética da igreja. Por essas razões, eles rejeitaram o antigo método de interpretação alegórica, isto é, a busca de sentidos múltiplos na Escritura, por entenderam que ela obscurecia e distorcia a mensagem bíblica.
Em muitas igrejas neopentecostais nada disso é levado em consideração. A Bíblia se torna um joguete, uma peteca lançada para lá e para cá ao sabor das conveniências. Tomam-se diferentes declarações, episódios e símbolos bíblicos e, sem esforço algum de interpretação, passa-se diretamente para a aplicação, muitas vezes de uma maneira que nada tem a ver com o propósito original da passagem. O que é ainda mais grave, os textos bíblicos são usados de modo mágico, como se fossem amuletos ou talismãs, como se tivessem um poder imanente e intrínseco. A Bíblia é encarada prioritariamente como um livro de promessas, de bênçãos, de fórmulas para a solução de problemas, e não como a revelação especial na qual Deus mostra como as pessoas devem conhecê-lo, relacionar-se com ele e glorificá-lo.
Uma nova linguagem
Na sua releitura da Bíblia, os neopentecostais por vezes criam uma nova terminologia, muito diferente dos conceitos bíblicos tradicionais. Privilegiam-se expressões como "exigir nossos direitos", "manifestar a fé", "declarar a bênção", todos os quais apontam para uma espiritualidade antropocêntrica, ou seja, voltada para as necessidades, desejos e ambições dos seres humanos, e não para a vontade e a glória de Deus. Alguns dos temas bíblicos mais profundos e solenes redescobertos pelos reformadores do século 16 são quase que inteiramente esquecidos. Não mais se fala em pecado, reconciliação, justificação pela fé, santificação, obediência. O evangelho corre o risco de ficar diluído em uma nova modalidade de auto-ajuda psicológica, deixando de ser "o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê".
O conceito de fé talvez seja aquele que esteja sofrendo as maiores distorções. No discurso de muitas igrejas do pentecostalismo autônomo, a fé se torna uma espécie de poder ou varinha de condão que as pessoas utilizam para obter as bênçãos que desejam. Deus fica essencialmente passivo até que seja acionado pela fé do indivíduo. É verdade que Jesus usou uma linguagem que aparentemente aponta nessa direção ("tudo é possível ao que crê", "vai, a tua fé te salvou"). Mas o conceito bíblico de fé é muito mais amplo, a ênfase principal estando voltada para um relacionamento especial entre o crente e Deus. Ter fé significa acima de tudo confiar em Deus, depender dele, buscar a sua presença, aceitar como verdadeiras as declarações da sua Palavra. O objeto maior da fé não são coisas, mas uma pessoa — o Deus trino.
Fundamento questionável
A teologia da prosperidade, que serve de base para boa parte da pregação e das práticas neopentecostais, é uma das mais graves distorções do evangelho já vistas na história cristã. Essa abordagem teve início nos Estados Unidos há várias décadas, sob o nome de "health and wealth gospel", ou seja, evangelho da saúde e da riqueza. No neopentecostalismo, essa se torna a principal chave hermenêutica das Escrituras. Tudo passa a ser visto dessa perspectiva reducionista acerca do relacionamento entre Deus e os seres humanos. O raciocínio é que Cristo, através da sua obra na cruz, veio trazer solução para todos os tipos de problemas humanos. Na prática, acaba se dando maior prioridade às carências materiais e emocionais, em detrimento das morais e espirituais, muito mais importantes.
Tradicionalmente, as maiores bênçãos que o homem podia receber de Deus incluíam o perdão dos pecados, a reconciliação, a paz interior e, num sentido mais amplo, a salvação. Dentro da nova perspectiva teológica, as coisas mais importantes que Deus tem a oferecer são um bom emprego, estabilidade financeira, uma vida confortável, felicidade no amor e coisas do gênero. É uma nova versão da tese do sociólogo alemão Max Weber, segundo o qual os calvinistas buscavam no sucesso econômico a evidência da sua eleição. Os problemas da teologia da prosperidade são diversos: (a) falta de suporte bíblico — a Escritura aponta na direção oposta, mostrando a armadilha em que caem os que se preocupam com as riquezas; (b) empobrecimento da relação com Deus, concebida em termos interesseiros e mercantilistas; (c) incentivo a atitudes de individualismo, egocentrismo e falta de solidariedade; (d) tendência para a alienação quanto aos problemas da sociedade.
Conclusão
O neopentecostalismo representa um grande desafio para as igrejas históricas e mesmo para as pentecostais clássicas. Esse movimento tem encontrado novas formas de atrair as massas que não estão sendo alcançadas pelas igrejas mais antigas. Nem todos os grupos padecem dos males apontados atrás. Muitas igrejas neopentecostais são modestas, evangelizam com autenticidade e não se rendem à tentação dos resultados rápidos, dos projetos megalomaníacos e dos métodos incompatíveis com o evangelho. O grande problema está nas megaigrejas e seus líderes centralizadores, ávidos de fama, poder e dinheiro. Estes precisam arrepender-se e voltar às prioridades da mensagem cristã, buscando em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, para que então as demais coisas lhes sejam acrescentadas.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A referência que precisamos (Natal)






2º Coríntios - 1 - 18 : 22
Vivemos em um mundo cada vez mais desreferenciado...
Mundo que se ocupa em relativizar tudo.
Em minar e destruir qualquer tipo de âncora segura, de baliza que possa ser apontada como algo constante, absoluto e confiável.
Ouvimos seguidamente pessoas dizerem coisas do tipo: “cada um tem a sua verdade!”, “a verdade de um não é a mesma do outro!”, “qualquer verdade vale, se ela te faz feliz!”, ou “não existem verdades, tudo é relativo!”

Tudo isso não é novidade...
Também Pilatos (Jo 18.38) perguntou: “o que é a verdade?”
Existe verdade? Existe uma verdade? Existe “a” verdade?
De fato, no mundo em que vivemos, construído e definido pelo conhecimento humano, as verdades são convenções que estabelecemos, e que uma vez aceitas, se tornam nas verdades em torno das quais organizamos a vida, e a sociedade...
É impossível viver sem um sistema de crenças, de verdades... a vida de cada um de nós, de cada ser humano, é fruto de suas crenças, de suas verdades... mesmo a daqueles que afirmam que não existe verdade alguma, que se dizem agnósticos ou ateus...
Todos são fruto de suas verdades, daquilo em que acreditam!

Nesta época de Advento, na semana que antecede a comemoração do Natal, novamente somos confrontados com as muitas distorções e relativizações que se construíram em cima da comemoração do Natal.
Num dos grupos de Advento, no último Domingo, entre muitas coisas que compartilhamos, o Fernando nos contou da sua experiência no Canadá, onde na Universidade havia uma convenção politicamente correta de que se podia desejar um “happy holliday!”, mas não um “merry Christmas!”.
Muito absurdo! Pois o feriado é cristão, é a data que reservamos para lembrar o nascimento do Salvador, é para adorar a Deus pela chegada do Messias, e quem não pode ou não quer fazer isto, que suprima o feriado, não comemore, vá fazer outra coisa... como os mórmons ou testemunhas de Jeová!
Perdemos completamente as referências... Pois, no feriado que existe para celebrar o nascimento de Jesus, não poder falar nele... é dose!!!

E o que Ele diz de si mesmo?
Em Jo 14.6, aquele que celebramos diz “eu Sou a verdade!”
Noutra ocasião, Ele afirma:
“E conhecereis a verdade, e a VERDADE vos libertará!” Jo 7.33
Sim, mesmo vivendo num mundo de verdades construídas, cremos em alguém que construiu o mundo e tudo o que nele há! Alguém que é a Verdade, antes que nós pudéssemos conhecer e estabelecer qualquer verdade!
Ele não está sujeito às transitoriedades deste mundo, pois Ele mesmo as criou e fez, dentro de um propósito maravilhoso, do qual nós também fazemos parte.

No texto indicado para este dia, o apóstolo Paulo fala destas duas grandezas.
Ele estava sendo cobrado por causa de uma promessa de visita que lhes havia feito e ainda não cumprido.
Ele expõe suas razões para tanto, mas lembra aos membros da Comunidade de Corinto que, mesmo diante das falhas e limitações humanas, ele lhes havia anunciado alguém que não está sujeito à isso:
“Alguém em quem não há sombra de dúvidas!”
Alguém que não falha em suas promessas, e cumpre com cada uma delas. Nele o SIM se faz presente, pois Ele é fiel.

Ele disse que enviaria o Salvador, e pela boca do profeta Isaías (7.14) disse que seria de uma virgem, e assim o foi!
Para Miquéias (Mq 5.2) revelou que o eterno nasceria em Belém, e assim o foi.
Para Oséias (Os 11.1) falou que ele viveria sua infância no Egito, e assim o foi.
Também para Isaías (Is 9.1-2) fora dito que na Galiléia ele exerceria o seu ministério, a assim se cumpriu!
E assim são tantas outras as promessas de Deus que se cumpriram e se cumprem ao longo da história. Deus é fiel!
E assim também será em relação ao que ainda há de se cumprir!

Este mesmo Deus que no Natal afirmou o seu SIM para com a humanidade, escolheu nascer e viver no meio de nós, espera que não lhe fechemos a porta da nossa vida.
Ele também espera pelo teu SIM.
E este é o grande mistério do Advento, que foi anunciado a Maria, e desde então, se oferece a cada um de nós: Jesus nasceu, viveu entre nós e morreu em nosso lugar. Ele não veio para dar uma voltinha na Terra, ver “in loco” como é viver neste mundo, mas veio para nos resgatar. Veio por que ama a cada um de nós, e não se conforma em nos perder.

As portas se lhe fecharam em Belém, e ele acabou nascendo na estrebaria. Jo 1.11 diz que ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam... Ao morrer, diz Hb 13.12 que ele sofreu e morreu fora da porta, fora da cidade, mais uma vez excluído até a morte.
O mundo continua querendo celebrar as dádivas, a graça e o amor de Deus, sem a presença dele.
Continuam celebrando o Natal, sem querer acolher o Salvador!

Para cada pessoa que “cai em si”, e compreende que este mundo tem dono, que existe uma verdade, não construída, mas eterna, e que Ele quer ser acolhido em nossos corações, ela recebe um SELO.
Ela recebe e a marca de que é, doravante, propriedade de Deus.
E não há força, não há poder no mundo, que possa tirar tal pessoa das mãos de seu Deus!
Podem até lhe tirar a vida, como no Irã, a tiraram do pastor Tourani, nesta semana, por anunciar o Senhor do Natal.
Sim, os inimigos de Deus podem fazer qualquer coisa, menos me arrancar das mãos de meu fiel Senhor.
Assim Paulo canta em Rm 8.31: nada pode nos separar do amor de Cristo! Nada fora de nós mesmos pode destruir a nossa fé!

E qual é a garantia? Qual é este SELO?
É o próprio Espírito Santo, dado e derramado sobre todo o que crê!
É aí que se consuma a alegria do verdadeiro Advento!
É quando a obra conquistada e consumada por Deus em Jesus chega aos nossos próprios corações e toma conta das nossas vidas.
A alegria do Espírito Santo em nossos corações se torna tal, que não temos dúvidas.
Estamos entre os selados. Somos de Cristo. Novas criaturas.
Podemos ter a certeza da salvação!
Agora vivemos pela Verdade e para a Verdade.
Nosso hiato de vida neste mundo se torna apenas um pequeno prelúdio do que um dia será a plenitude da vida no Reino da Trindade.
Diante de tal superioridade e grandeza, Paulo pode chegar a afirmar que até a morte se torna em lucro! Fp 1.21
Diante desta expectativa, ele até chega a gemer por ser revestido de um novo corpo, espiritual, o corpo da habitação celestial (2 Cor 5.2).

Amados, não deixemos que o brilho das luzes deste mundo nos ofusque, a tal ponto de não mais percebermos as verdades eternas.
De não atentarmos quando o Salvador bate a nossa porta, e dizermos como o dono das hospedarias em Belém, quando do seu nascimento: “infelizmente, aqui não há lugar para ti!”.
Está cheio... minha casa está lotada... não há espaço para abrigá-lo!
As coisas deste tempo, deste mundo, tomaram todo meu tempo, minhas energias e meu esforço! Minha agenda está lotada. Deus, não há lugar para ti. Eu até gostaria, mas... não dá!
Meu trabalho, meus esforços, vês que procuro ser correto, honesto, mas tá cheio, tu não cabes mais aí!!!!
Não tenho mais olhos para esperar e crer num Salvador...

Mesmo que você ande decepcionado, frustrado, com o seu trabalho, com as pessoas, com os governos, com tantas coisas, e até consigo mesmo, há uma boa nova:
Deus em sua graça ainda olha para você e lhe espera com um SIM!
Sim, eu te amo!
Sim, Eu quero cuidar de ti, te restaurar, te consolar, te fortalecer, te dar uma nova vida, com novos valores, sentido, esperança...
O que ainda esperas?
Entramos na semana do Natal?
Jesus ficará mais uma vez batendo do lado de fora, sem encontrar um lugar em tua vida, tua família?
Pense nisso!!!
Enquanto oramos, eu gostaria de convidar à todos aqueles que nunca tiveram a oportunidade de abrir a porta, de dizer, sim Senhor, eu quero que entres, eu quero que sejas não só o dito Messias nascido em Belém, há mais de dois mil anos, mas que sejas também o MEU SALVADOR, a estes eu convido para ficarem de pé, como um sinal concreto diante de Deus da sua disposição em viver uma vida NOVA, recebendo o Espírito Santo como selo e garantia de sua salvação!
Deus nos abençoe.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

REFLEXÕES SOBRE O LUTO – PARTE II




REFLEXÕES SOBRE O LUTO – PARTE II

Por Pr. Celmir Guilherme Moreira Ribeiro

Cristo demonstrou a importância do luto . Logo de início de seu ministério, Jesus pregou o Sermão do Monte e falou sobre sofrimento. “Bem aventurados os que choram” disse Ele – “Porque serão consolados” (Mt. 5,4) Quando Lázaro morreu, Jesus ficou abalado e profundamente comovido. Ele aceitou sem comentários a visível irritação de Maria, irmã de Lázaro, chorou com os que pranteavam. Jesus sabia que Lázaro estava para ser ressuscitado dentre os mortos. Mas ainda assim o Senhor sofreu. Ele também se retirou (provavelmente para chorar) quando soube que João Batista havia sido executado (Mt.14,12-13). No Jardim do Getsâmami, Jesus estava “profundamente triste” (Mt.26,38), talvez sofrendo uma dor mais intensa relativo a tudo que estaria por acontecer.
Portanto, até mesmo para o cristão o sentimento de luto é normal e saudável. Há casos. Porém, em que pode se tornar patológico e nocivo. Como veremos adiante. Esta diferença interessa em particular ao pastor, enquanto conselheiro cristão.
As Causas do Luto Colocando a coisa em termo simples, podemos dizer que o luto surge por causa da perda de alguma pessoa ou bem valioso, e a pessoa enlutada se vê às voltas com a sensação de vazio e tem que enfrentar a difícil tarefa de se reajustar a nova situação. De acordo com William Worden, a pessoa enlutada enfrenta quatro tarefas difíceis e demoradas: aceitar a realidade da perda, sentir e admitir conscientemente a dor da perda (o que envolve o desligamento dos laços com a pessoa falecida), ajustar-se a um ambiente no qual a pessoa falecida não está mais presente, e estabelecer novos relacionamentos. Este último estágio parece ser o mais difícil porque as pessoas se sentem culpadas e inseguras por estarem investindo suas energias em novos relacionamentos.
Ninguém pode dizer quanto tempo demora o período do luto. Para alguns, ele dura apenas algumas semanas ou meses, mas pesquisas realizadas com viúvas mostram que a maioria precisa de pelo menos três ou quatro anos para alcançar a estabilidade. Mesmo assim, a vida nunca mais é igual ao que era antes da morte do ente querido. Tudo isso exige esforço. “Não é no momento do golpe que você precisa de coragem”, escreveu Anne Morrow Lindberg. Pessoas enlutadas precisam de força para empreender “a longa subida de volta à sanidade, à fé e à segurança.
Às vezes, essa subida difícil ocorre de maneira suave. Embora algumas pessoas tenham tentado identificar diferentes estágios do luto normal, pesquisas mais recentes sugerem que “não existe uma sucessão uniforme e ordenada de estágios pelos quais todo o luto”. O luto normal geralmente envolve uma profunda tristeza, sofrimento, solidão , raiva, depressão, sintomas físicos e alteração nos relacionamentos interpessoais. Em todos este aspectos precisamos levar em conta que há grande diferenças individuas. O modo como o luto se manifesta numa pessoa depende muito de sua personalidade, sua história de vida, sua comunhão com Cristo, seu relacionamento com o morto e sua formação cultural e cristã. Devemos lembrar que o Senhor Jesus sempre tratou as pessoas com indivíduos, como “sistemas abertos”. Que o Senhor nos dê sabedoria dos altos céus para aconselhar neste momento tão difícil para muitos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

REFLEXÕES SOBRE O LUTO – parte I




REFLEXÕES SOBRE O LUTO – parte I
Por Pr. Celmir Guilherme Moreira Ribeiro

Billy Graham escreveu certa vez sobre o luto e disse: “ Quando a morte nos separa de alguém, passamos por um período em que chegamos a pensar que nunca ninguém sofreu o que estamos sofrendo. Mas acontece que a melancolia é universal” – Quando temos um encontro com a morte, nos defrontamos com uma situação irreversível, inalterável que não podemos mudar. Nós, cristão, confortados pela certeza da ressurreição, mas isso não elimina o vazio e a dor sermos forçados a nos separar de alguém que amamos.
A Bíblia está cheia de relatos sobre morte e luto de muitas pessoas. No Antigo Testamento, por exemplo, lemos sobre Jacó chorando a perda a José e se recusando a ser consolado, Davi lamenta a morte prematura do filho recém-nascido e a morte de Absalão durante uma batalha, e Jeremias pranteando a morte do Rei Josias. Os salmos falam sobre a presença e o conforto de Deus quando andamos “PELO VALE DA SOMBRA DA MORTE” (SL.23,4); aprendemos que a Palavra de Deus fortalece aqueles cuja “ALMA DE TRISTEZA VERTE LÁGRIMAS” (Sl.119,28). Isaías nos apresenta o Messias – Jesus – “HOMEM DE DORES QUE SABE O QUE É PADECER- QUE TOMOU SOBRE SI NOSSAS ENFERMIDADES E CARREGOU NOSSAS DORES” (IS. 53,3-4). No Novo Testamento, a muitas passagens sobre morte e luto relacionado à influência de Jesus Cristo.
1- Cristo deu outro sentido ao luto – Há muitos incrédulos que choram sem ter nenhuma esperança no futuro. Para eles a morte é o fim de um relacionamento para sempre. Porém os Cristãos, aqueles que foram lavados e remidos pelo sangue de Jesus que receberam o Espírito Santo no ato de sua conversão, crendo que Jesus é o único e suficiente salvador de nossa vida, não Crêem assim, pois temos motivo para ter esperança até mesmo no momento de dor. “Pois, se cremos Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem” (ITS 4,14) Podemos confortar um e animar um ao outro com essas palavras (ITS4, 18), convencidos que no futuro, (ler I Cor 15,50-54). Para o cristão a morte não é o fim da existência, ela é o começo da vida eterna. Aquele que Crê em Cristo sabe que os cristãos sempre estarão com o Senhor. A morte física vai continuar existindo enquanto o inimigo tiver permissão de exercer o poder sobre a morte, mas através da crucificação e ressurreição, Cristo derrotou a morte e prometeu que todo o que vive e crê Nele “Não morrerá, eternamente” (Jo. 11 25,26)
Conclusão – Saber disso é algo confortador, mas não acaba com a profunda dor e com a necessidade de consolo. Numa discussão a respeito da morte, Paulo estimula seus leitores a terem coragem e não desanimarem, pois o crente que perde o corpo vai para a presença do Senhor. Nós, cristão, somos incentivados a permanecer firmes, “inabaláveis”, entregando-nos a obra do Senhor, pois sabemos que este trabalho “não é vão”, aguardando com confiança a nossa ressurreição.
Bibliografia: Christian Couseling: A Comprehensive Guide
Garry R. Collins

sábado, 21 de novembro de 2009

Série: Falsos profetas - Parte VII




Edir Macedo - O profeta do sincretismo.
Por Renato Vargens


Em setembro deste ano eu escrevi um texto onde afirmei que a Igreja Universal do Reino de Deus definitivamente não é uma igreja evangélica. Hoje eu escrevo outro afirmando que o seu fundador, Edir Macedo é um falso profeta.

Edir Macedo Bezerra é carioca, tendo nascido em 1945. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa, ambos católicos praticantes. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”.

Em 1975 Edir Macedo foi consagrado pastor na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Dois anos depois juntamente com Carlos Rodrigues fundou a Igreja Universal do Reino de Deus onde tem ensinado e pregado um evangelho diferente do evangelho de Cristo.

O principal foco de Edir Macedo é a “luta” contra os demônios da pobreza além obviamente da espúria teologia da prosperidade. Em todos seus templos enfatiza-se a libertação dos espíritos, e a prosperidade financeira, usando para isso métodos onde o sincretismo e a mistura de crenças e fé se fazem presentes.

As doutrinas ensinadas por Macedo são repugnantes. Para curar ou operar milagres em uma pessoa, os "macedianos" fazem qualquer negócio. Em outras palavras isso significa vender "pedras da tumba de Jesus", comercializar " a água benta do rio Jordão", distribuir "a rosa milagrosa", empurrar goela abaixo "sal abençoado pelo Espírito Santo", além de se vender "óleo ungido para arrumar namorado". Se não bastasse isso, Edir Macedo defende o aborto, relativiza a ética, e sincretiza o evangelho expulsando dos fiéis “encostos” em “sessões de descarrego.”

Para que você tenha idéia do que estou falando a IURD promove o banho do descarrego com 07 elementos sagrados, a saber: sal, arruda, enxofre, nardo, óleo, água do rio Jordão e sangue do cordeiro. Caro leitor, por favor, pare, pense e responda: Qual é a base bíblica para este tipo de prática?

Há algumas semanas o Genizah publicou uma matéria em que a IURD simula um sacrifício no altar. Ora, vamos combinar uma coisa? Isso é uma verdadeira loucura, uma aberração teológica, uma enorme sandice!


Caro leitor, como já afirmei a Igreja Universal do Reino de Deus não é uma Igreja protestante ou evangélica, assim também como seu fundador não pode ser considerado crente em Jesus.



Pense nisso!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Série: Falsos profetas - Parte VI




Rene Terra Nova - O Paipóstolo dos atos proféticos.

Por Renato Vargens

Renê Terra Nova é um dos principais responsáveis pelo surgimento no Brasil do G12. Sua teologia possui forte ênfase na prosperidade e confissão positiva. É também um dos grandes incentivadores do "evangelho judaizante". Para Terra Nova as festas bíblicas são ordens sagradas do Senhor e devem ser celebradas por todos os cristãos. Se não bastasse isso o cristianismo pregado e vivido por esse “profeteiro” possui forte ênfase no estabelecimento de decretos espirituais.

Para que você tenha idéia do que estou falando, o Apóstolo Renê Terra Nova no dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, se uniu com inúmeras pessoas para re-consagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual." Na ocasião "cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro."

"Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, uma estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente."

Caro leitor se não bastasse essa aberração de lançar pão, óleo e vinho ao mar como ato profético, o "Paipóstolo" decreta e determina a posse do território brasileiro pela Igreja de Jesus. Ora, os defensores deste tipo de oração fundamentam suas atitudes no evangelho de João, capítulo 14, verso 13, afirmando que o termo usado como pedir foi mal traduzido, isto porque, segundo estes, a palavra no original jamais teve a idéia de pedir alguma coisa, e sim de determinar algo. Entretanto, ao contrário do que tais profetas afirmam, o texto grego aponta efetivamente para alguém que pede, sem contudo exigir o cumprimento daquilo que deseja. Ora, onde já se viu um filho determinar o que quer que o pai faça? Ou, de modo semelhante um servo ordenar o que deve ser feito ao seu senhor? O filho é submisso ao pai e o servo é submisso ao seu senhor. Se Deus é nosso Pai, então devemos honrá-lo como tal. Se ele é nosso Senhor, então a nossa postura deve ser de servos.

Para piorar a situação no dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina como consequência do ATO PROFÉTICO do dia anterior. Para Terra Nova, o decreto determinado debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético, até porque, para eles, "Todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas."

Além de toda essa presepeira, esse falso profeta criou um novo ministério, de nome "paipóstolo" como também lançou no “mercado gospel” uma nova unção. A unção do nobreza. Segundo Terra nova, para ser um nobre o crente é desafiado a contribuir com R$ 10 mil. A recompensa deste ato de fé, é a UNÇÃO dos NOBRES. Segundo o Paipostolo, em uma noite oficial, com muita celebração, os que contribuissem entrariam nesta unção pelo poder do nome de Jesus.

O que falar então da profecia feita em torno do Ex-governador do Rio de Janeiro Antony Garotinho?

"Há muito tempo tenho pedido a Deus um homem segundo o Seu coração para comandar o destino do Brasil. Ele me respondeu e, esse homem chama-se Anthony Garotinho. Ele está sendo perseguido, humilhado, ultrajado e dizem que não há nenhuma esperança ou perspectiva para ele. Sua campanha, à despeito das críticas, decolou e está em terceiro lugar.Nós temos a estratégia para fazer de Garotinho um grande homem. Esse projeto é do conhecimento dos meus 12, 144 e 1.728. E nós sabemos que por um milagre veremos a glória de Deus e eu queria que você soubesse que o 40 que está no seu carro é o número de Anthony Garotinho, Presidente da Republica Federativa do Brasil e nós vamos votar neste homem que é candidato já crendo nesta palavra profética de que ele será o nosso presidente. A igreja toda deve se envolver nesta campanha e virar cabo eleitoral do Garotinho. Também colocar adesivos no seu carro, na porta de casa, pintar o muro, fazer cartazes, incentivar sua família e amigos e acreditar que este homem, debaixo da direção do Espírito Santo, fará do Brasil um país melhor. O MIR está aliançado com Anthony Garotinho. Tenho chorado e clamado a Deus para que Ele faça o sobrenatural e, queria que você tivesse essa compreensão: Anthony Garotinho é o nosso presidente."

Caro leitor, a Bíblia nos ensina a julgar profecias e vamos combinar uma coisa as profecias de Terra Nova não se cumpriram o que aponta de forma clara e nítida para o seu falso-profetismo.

Minha oração é que o Senhor nosso Deus o conduza ao arrependimento.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Série: Falsos profetas - Parte V





Série: Falsos profetas - Parte V
O "profeta" dos R$ 900,00

Por Renato Vargens

Um dos "profetas da moda" é o sr. Morris Cerullo. Na TV, no rádio, ou através dos meios de comunicação mais distintos, o que mais se ouve é gente falando das "bênçãos" deste grande "profeta de Deus".

Pois é, Cerullo pode até parecer homem de Deus, no entanto, seu comportamento e profecias dizem absolutamente o contrário. Hermes Fernandes publicou em seu blog algumas das profecias pronunciadas por ele:

Em Setembro de 1989: Ele começa afirmando que Deus lhe disse:

"Tome-se a sua caneta e escreva. Quero que avise ao meu povo. Existem 5 grandes crises que estão pra chegar na década de 90." "O mundo vai estar enfrentando a maior turbulência econômica na história da humanidade." "... Uma das maiores crises, sem precedentes."

"Será uma incrível crise financeira que vai mergulhar o mundo em um estado de grande agitação e perplexidade." "Estamos indo para ver nesta década um completo colapso do atual sistema monetário mundial." "Isso fará com que o Wall Street crash (a grande depressão) de 1929 pareça um piquenique." "E que a crise chegará antes do ano 1994."

Em setembro de 1991 o profeta dos R$ 900,00 afirmou que Deus havia lhe dito que o mundo seria alcançado pelo Evangelismo por volta do ano 2.000!"

Se não bastasse isso, sua doutrina é digna de repúdio, principalmente quando se trata da Divindade. Confira uma de suas pérolas:

"Vocês sabiam que desde o começo do tempo o propósito inteiro de Deus era reproduzir-se?... Quem são vocês? Vamos lá, quem são vocês? Vamos lá, digam: "Filhos de Deus!" Vamos lá, digam!... E quando estamos aqui de pé, vocês não estão olhando para Moris Cerullo; vocês estão olhando para Deus, estão olhando para Jesus!"

Há algumas semanas atrás no programa Vitória em Cristo, exibido na Rede Bandeirantes e dirigido pelo Pr. Silas Malafaia, Morris Cerullo causou nos evangélicos sérios deste país uma enorme indignação em cobrar R$ 900,00 para que Deus abençoasse seu povo com uma nova unção financeira.


Morris Cerullo é pregador de cura divina e segundo Caio Fábio, um forjador de milagres. A mansão (1) onde mora está localizada numa das áreas mais caras de um subúrbio da América do Norte protegida por dois grandes portões e está valorizada em 12 milhões de dólares. O jatinho particular de Cerullo, um Gulstream G4 é avaliado em 50 milhões de dólares. Ele emprega dois pilotos tempo integral e uma comissária de bordo que afirmou que o avião é ornado com um painel de ouro. Ele já possuiu três aeronaves similares.
A profeta da unção financeira está sendo investigado pela forma como levanta dinheiro. John Paul Warren, executivo que trabalhou para Morris Cerullo entrou com uma ação na justiça contra a organização, depois de confrontar a Morris Cerullo quanto a “maneira antiética e as técnicas que ele usa para recolher ofertas do povo”. Esta é a segunda ação judicial contra Cerullo. Warren, um respeitado pastor da terceira geração de assembleianos moveu a ação em maio de 2000 na corte superior do condado de San Diego. A ação foi aceita pelos procuradores Dean Broyles e Tim Rutherford de San Diego e Hunter Lundy, da Lousiana. Este último foi o que obteve sucesso em sua ação contra o tele evangelista Jimmy Swaggart em 1991 que resultou na condenação de Swaggart.

Pois é cara pálida, enquanto isso aqui no Brasil, o Cerullo faz a festa!